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A mostrar mensagens de Abril, 2006

BELEZA

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"Tu és o sítio onde o céu e a terra tocam os lábios da vida...onde as mãos se dão para fazer um sorriso... onde a erva cresce...e se transforma num tapete por onde irão os caminhantes em direcção às entranhas da terra.. és o mar onde os navios tropeçam nas ondas para rasgar alvoradas.. és o sítio para onde os meus braços olham..e para onde os meus olhos estendem os braços..de mãos abertas à vida..para que a vida não fuja..."

ABRIL

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A libertação de um povo
numa canção do "Adeus"
num cravo vermelho
em amor pelos seus.

A força de um povo
massacrado no seu viver
é um fruto muito rijo
que nasce no ventre da mulher.

Abril dia longo
em que capitães não dormiram
foi idealizado um sonho
que outros antes não viram.



Sem um tiro disparado
na revolução a preceito
sem sangue derramado
CRAVOS VERMELHOS AO PEITO!

RAIO DE VIDA

Mas que raio de vida a nossa. trabalhamos e trabalhamos e trabalhamos, e saltamos do emprego para o Hobby (que muitas vezes também é trabalho), do Hobby para o Part-time, deste para o entretém, e é trabalho e só trabalho.
Raros são os momentos em que quebramos esta hibernação cíclica. Todos temos consciência disso, e, não raro, falamos sobre isso. Não conseguimos saltar fora desta barreira, deste círculo instalado nas nossa vidas.
Respiramos pouco e mal, não abrandamos o passo, desatinadamente perdemos o sentido das coisas, não gozamos o pôr do sol ou o raiar do mesmo. Os filhos usam fralda, crescem, brincam, estão na escola, acabaram a faculdade, casaram, arrumaram e olhamos para o espelho numa manhã enevoada como a vida e reparamos nos cabelos brancos, olheiras fundas e um tempo passado e repassado - nada.
Protestamos com tudo e todos, zangamo-nos irreflectidamente e não nos damos conta do nome do vizinho. Tomamos Ben-u-ron para panaceias e consumimos revistas, jor…
"Numa rua que eu cá sei há quase sempre duas ou três flores de buganvília caídas no chão, às voltas dentro do vento, mas nos muros, varandas, janelas,por toda a parte, não se vê a planta-mãe donde elas se possam ter soltado.Por esta espécie de milagre, e por serem bonitas, assim livres e muito únicas, gosto de apanhar uma de vez em quando e levá-la para casa: ficam bem no parapeito nos dias claros de sol, a luz atravessa as pétalas e acende o desenho das nervuras (uma árvore mínima delicadíssima), e a flor violeta na beira da janela é de repente uma coisa muito frágil e muito forte.

"Tem algo de borboleta a flor na minha mão - uma borboleta com três asas e três cabeças escondidas -, e lembro-me de um verso do último livro do Tolentino que me ficou na cabeça, "Havia uma buganvília por um instante/quase alusiva à força dos desvios".

"Com o pretexto dos últimos recados, ando por Lisboa ao acaso, despedindo-me de ruas e pequenezas (as mãos dadas pintadas naquela par…

HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Reza a história que há muito, muito tempo, um Arauto do Bem pronunciou um juramento. Afirmou, para quem o quis ouvir e também para os outros, que queria mais espaços verdes, parques infantis e temáticos (o que demonstra já nesse tempo a preocupação com a Ecologia), e que seria contra, mas totalmente contra, castelos de torres com 11 andares. Abrenúncio, saramago, pé de cabra. Excomungo os maus e enlevo os bons - afirmou. Este Cavaleiro Andante, sempre pronto a recolher benções à esquerda e à direita, sobretudo a esta, teve notórios e auspiciosos resultados na promoção e cultivo dos valores do altruísmo e solidariedade, na defesa e protecção dos fracos, necessitados e injustiçados, assim como na desmotivação, perseguição e irradicação do compadrio e das injustiças do mau olhado. Nunca Deus, nestas Cruzadas pelo Império. deixou de inspirar tamanho Cavaleiro, de decisões tão certeiras e atinadas. A consciê…
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"Acredito que a imaginação pode mais que o conhecimento.
Que o mito pode mais que a história.
Que os sonhos podem mais que a realidade.
Que a esperança vence sempre a experiência.
Que só o riso cura a tristeza.
E acredito que o Amor pode mais que a Morte"
Robert FulghumLuto algumas vezes contra a falta de assunto para escrever. Escritos regulares, não são tarefa fácil, sobretudo para quem não é do "metier". Aquilo de que mais precisamos é de ideias. Até para poder tirar partido das poucas ideias que temos.As ideias e conhecimentos são instrumentos que nos acompanham pela vida,e nos permitem ver pouco, muito ou nada do Mundo. A pobreza ou a riqueza das nossas ideias mostra o grau de relacionamento que temos com o Mundo, com a vida, o entendimento e compreensão com nós próprios.Quando me sento a escrever, por vezes tardiamente, saem escritos azedos e violentos, de revolta contra a fome, a pobreza, a guerra, a mentira, a calúnia, falsidades e mentiras, indignidades, insensa…

F C PORTO - Campeão

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Que me desculpem, alguns amigos, mas não poderia deixar de partilhar este sentimento. O meu FC Porto, foi mais uma vez Campeão. E foi, este ano com inteira justiça. Dando o beneficio da dúvida a Mr. Co Adriansse, espero que na próxima época nos possam brindar com mais algumas alegrias.
Sei por experiência própria que ser do Porto no Sul, não é fácil, mas se fosse perderia toda a piada. Sei também que o Dragão, desperta alguns ódios, mas isso nem irracionalmente se pode admitir. A liberdade de escolha e o respeito que todos os clubes e pessoas merecem, inviabiliza toda e qualquer argumentação contra ou a favor. Torçam pelas vossas equipas, vibrem com elas como eu vibro com a minha, sempre com o respeito e elevação devidos e metade dos problemas resolvem-se por si.

1000CONVERSAS

Os anos passarão. Os canteiros hão-de gerar um outro buxo. Outros pássaros virão cantar nos ramos altos do pinheiro manso e dos plátanos. A tia morrerá. E a casa, o jardim, a própria vila, suas rotinas, seus ritmos e seus ecos. Não ficará senão a tua voz na tarde calma. Olá, disseste. E a terra começou a tremer.) ......
............
..... (Que nome te dar? Tu és única. Tu és todas. Ou talvez nenhuma. Eu sou tu. Tu és eu. A outra metade de mim. A parte de ti que em mim ficou. A parte de mim que foi contigo. Ninguém me foi tão próximo. Ninguém me escapou tanto....
.............
Como foi que constantemente nos encontrámos e nos perdemos?....
..............
Esta é a história. Uma história sem história. Uma história só isto.) ....
...............
Amarei outras mulheres. Amar-te-ei em outras. Tu, todas. E todas, tu. Mas não voltarei a dar à paixão palavras excessivas e perigosas....
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A não ser agora,"sem detalhes", como recomenda Gérard de Nerval.)....
...........
Andarei pelo m…

VALERÁ A PENA ?

Quando
a noite é noite
e o dia é dia,

Quando
a tristeza é um açoite
da vida vazia,

Quando
o Sol é Sol
e a vela alumia,

Quando
se enfrasca um gole
e se sente azia,

Quando
muito se ama
e de nada vale,

Quando
se escreve uma carta
sem código postal,

Quando
se olha a vida
com olhos de ver,

Quando
muito se dá
sem nunca receber,

Pode-se dizer...
é isto viver ?

JPV

DE QUANDO EM VEZ

De quando em vez
olho para trás
e revejo,
colecções de momentos
que tenho guardados.

De quando em vez,
documento cerebralmente
todos esses momentos
como folhas soltas
ou encadernadas,
arrumando um pouco
dentro de mim.

De quando em vez
olho para trás,
misturo sonhos de côr,
sol, chuva, alegrias e desventuras,
louvores, ternuras.

De quando em vez,
olho,
revejo,
colecções de momentos
que tenho guardados.

JPV
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Andorra

Caldea

PABLO NERUDA

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
"Pablo Neruda"

ALMA

«A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova. Baldado esforço o teu de queres sentir outras coisas sem sentires de outra maneira, e sentires de outra maneira sem mudares de alma. Porque as coisas são como nós as sentimos - há quanto tempo sabes tu isto sem o saberes? - e o único modo de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las. Muda de alma. Como? Descobre-o tu.»

Fernando Pessoa

Quase tudo ou quase nada

A definição exacta do que se pretende.
Escrever sobre tudo ou mesmo sobre nada.
O que nos vai na alma,
o que povoa o pensamento,
o que nos atiça o coração.