HISTÓRIAS DE ENCANTAR

Reza a história que há muito, muito tempo, um Arauto do Bem pronunciou um juramento.
Afirmou, para quem o quis ouvir e também para os outros, que queria mais espaços verdes, parques infantis e temáticos (o que demonstra já nesse tempo a preocupação com a Ecologia), e que seria contra, mas totalmente contra, castelos de torres com 11 andares.
Abrenúncio, saramago, pé de cabra.
Excomungo os maus e enlevo os bons - afirmou.
Este Cavaleiro Andante, sempre pronto a recolher benções à esquerda e à direita, sobretudo a esta, teve notórios e auspiciosos resultados na promoção e cultivo dos valores do altruísmo e solidariedade, na defesa e protecção dos fracos, necessitados e injustiçados, assim como na desmotivação, perseguição e irradicação do compadrio e das injustiças do mau olhado.
Nunca Deus, nestas Cruzadas pelo Império. deixou de inspirar tamanho Cavaleiro, de decisões tão certeiras e atinadas. A consciência e espirito de missão levaram-no a matricular-se em cursos intensivos de construção, desporto, pdm, urbanismo, estacionamento, etc, que o iriam ajudar na sua Cruzada contra os arrasadores do obscurantismo e a má-fé dos espiritos das trevas que se colocam no seu caminho.
Qual conquistador, ele lutou pelo Concelho, Distrito e pela Assembleia dos Nobres, que se situava na Capital, mas no Concelho não, isso não, nesse ninguém mexe, pois armado de tridente, mais parecia São Miguel Arcanjo na luta contra os opositores.
O seu discurso de Missionário leva-o a calcorrear caminhos para pregar sermões em todas as localidades, a Norte e a Sul, mas não tem muito impacto na base Distrital.
Sentindo-se ameaçados e acossados, os ardilosos, recalcitrantes e manhosos adversários, propalam calúnias e atoardas contra o Oráculo. Acusam-no de não pertencer a estes domínios, mas sim a uma entidade estrangeira empenhada na reconquista do reino pelos Mouros. O seu despudor vai ao ponto de espalharem, que as verdadeiras intenções do paladino do bem, não são as que afirma nas suas intervenções, atirando-lhe à cara a aleivosia de que, por debaixo do verniz das palavras, se esconde uma figura semelhante à dos vendedores ambulantes de remédios miraculosos para os calos e outras dores.
A isto reage o Cavaleiro Andante com afinco, brandindo a espada e o tridente na defesa do seu reino, da justiça e honra ofendidas. E invoca que nada mais o deixaria satisfeito, do que elevar o seu reino a Capital, não procurando vantagens pessoais ou de grupo, sendo que o imperativo da verdade obriga-o a ir até ao fim, nunca abandonando o seu lugar, a não ser por periodos minimos de 45 dias.
Os seus inimigos não se comovem, nem esmorecem. Antes respondem que o Missionário quer é destruir os seus opositores, para ditar regras e leis a seu bel-prazer.
Fazem-se alianças de modo a enfraquecê-lo e desestabilizá-lo, para gáudio do mal e inquietação do bem.
De parte, outros, confortados pelas investidas de ambos os lados, não escondem o riso, pois sabem que, se de um lado, a espada e o tridente são de plástico e fruto da imaginação, do outro a verborreia esbarra sempre na indiferença e ausência do Cavaleiro Andante.
O que não agrada a ninguém, são alguns apartes gagos, que em nada beneficiam uns e outros, normalmente utilizados por acólitos do Cavaleiro Andante e por outros Bobos da Corte, que com as suas piruetas, lá vão brincando neste reino do faz de conta.
E pronto chegamos ao fim, já não me deixam continuar, agora que a imaginação me abençoava. Mas também pouco mais haveria a dizer, pois nesse reino, nada mais existe e poucas noticias se conseguem obter.
Mas não julguem que este conto é para ser desacreditado desta maneira, alto lá.
Então, nesse reinado cinzento e triste, mergulhado em mil tristezas, tão necessitado de heróis e santos, não interessa um Missionário, Cavaleiro, Profeta, um Arquétipo de tamanha envergadura ?
Só para terminar.
Consta que vontade não faltava ao Cavaleiro Andante, sobrando-lhe crença e convicção. Impôs a si mesmo esta cruzada pelo bem e pela verdade, e a todos disse não.
- Deste reino não saio, aqui mando eu!
Venham Ministros e Governantes doutros reinos, que neste, nem portagens pagam.
Perante tal, a humildade tornou-o grande e fez dele Santo.
(Qualquer semelhança com episódios conhecidos, é apenas coincidência).

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O MUNDO DE PERNAS PARA O AR

Deixa ficar assim…

DESEJOS E DEMÓNIOS