Os anos passarão. Os canteiros hão-de gerar um outro buxo. Outros pássaros virão cantar nos ramos altos do pinheiro manso e dos plátanos. A tia morrerá. E a casa, o jardim, a própria vila, suas rotinas, seus ritmos e seus ecos. Não ficará senão a tua voz na tarde calma. Olá, disseste. E a terra começou a tremer.) ......
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..... (Que nome te dar? Tu és única. Tu és todas. Ou talvez nenhuma. Eu sou tu. Tu és eu. A outra metade de mim. A parte de ti que em mim ficou. A parte de mim que foi contigo. Ninguém me foi tão próximo. Ninguém me escapou tanto....
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Como foi que constantemente nos encontrámos e nos perdemos?....
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Esta é a história. Uma história sem história. Uma história só isto.) ....
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Amarei outras mulheres. Amar-te-ei em outras. Tu, todas. E todas, tu. Mas não voltarei a dar à paixão palavras excessivas e perigosas....
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A não ser agora,"sem detalhes", como recomenda Gérard de Nerval.)....
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Andarei pelo mundo, dar-te-ei outros nomes. Passará muito tempo, continuo à tua espera, inventando o teu corpo noutros corpos, reinventando o teu rosto noutros rostos. Tu és todas, tu és nenhuma, tu és só uma. O teu nome é Pandora e eu sou aquele que te procura.)

Manuel Alegre, A Terceira Rosa, 1998

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