28 abril, 2006

RAIO DE VIDA

Mas que raio de vida a nossa. trabalhamos e trabalhamos e trabalhamos, e saltamos do emprego para o Hobby (que muitas vezes também é trabalho), do Hobby para o Part-time, deste para o entretém, e é trabalho e só trabalho.
Raros são os momentos em que quebramos esta hibernação cíclica. Todos temos consciência disso, e, não raro, falamos sobre isso. Não conseguimos saltar fora desta barreira, deste círculo instalado nas nossa vidas.
Respiramos pouco e mal, não abrandamos o passo, desatinadamente perdemos o sentido das coisas, não gozamos o pôr do sol ou o raiar do mesmo. Os filhos usam fralda, crescem, brincam, estão na escola, acabaram a faculdade, casaram, arrumaram e olhamos para o espelho numa manhã enevoada como a vida e reparamos nos cabelos brancos, olheiras fundas e um tempo passado e repassado - nada.
Protestamos com tudo e todos, zangamo-nos irreflectidamente e não nos damos conta do nome do vizinho. Tomamos Ben-u-ron para panaceias e consumimos revistas, jornais, noticias, tempo.
Sentimos ansiedade, remorso, fervilhão interior, tonturas e vermelhão, salta-nos a tampa, e o tempo lá passa, já lá vai.
O mundo cai-nos em cima, inflamamos palavras, entramos em depressão, um Lorenin p´ra boca, Xanax na mão, isto agora está um caos, salta-nos o coração.
Todos sabemos o que isto é, mas não sabemos como acabar, viciados que estamos a correr, mas vale a pena pensar que o tempo nos está a levar e enquanto vamos a tempo e o tempo nos quer ajudar, temos de aprender tanto a viver como a saber parar.
Vem logo a seguir a competição e a competitividade. No emprego, na rua, na estrada, na politica, no desporto, com este e aquele, por isto ou aquilo. No fim de semana é que vai ser, dormir bem e descansar. Qual quê, já se faz tarde, toca a levantar. E lá vamos nós com as têmporas a latejar, o peito a arder, os músculos a rebentar.
Meus senhores, está na hora, toca a parar.
Acariciemos a vida, sapateando a tristeza, criando espaços vazios para o pensamento, batendo palmas ao trabalho, mas também a uma boa ideia, a procurar o silêncio no interior que pode ser de ouro, apreciando a leitura, o desporto.
Façamos a vida com paixão e fervor mas sem nos vincularmos a um destino de superação e transcendência.
Façamos da vida um desafio permanente e empolgante que se alimenta não de visões doentias, negativas e pessimistas, mas sim de irradiantes optimismos humanistas.

... para um amigo, (muitos de nós) para quem o tempo nunca tem tempo !

1 comentário:

Anónimo disse...

... e verdade 'salta-nos o coração' sem razão fosse ele saltar por outra motivação..