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A mostrar mensagens de Maio, 2006

CRIANÇAS

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Crianças
de olhos rasgados,
de olhos bonitos,
de côr.
Crianças,
branças ou pretas,
amarelas ou vermelhas,
são crianças.
Crianças,
ternura na mão,
brinquedo no chão,
ansiedade no olhar.
Crianças,
de faces rubras,
de constituição peituda
com mãos estragadas.
Crianças,
com destino traçado
a guardar animais,
mal alimentadas,

OS LAMACEIROS

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Em tempos idos, numa pequena cidade de um pequeno País, havia um grupo chamado de "Os Lamaceiros".
Os lamaceiros, indivíduos, feios, porcos e maus, chafurdavam na lama, no lamaçal, dos quintais vizinhos.
Os seus, esses eram intocáveis. Os dos vizinhos, bom, eram vasculhados incessantemente.
A vida dos lamaceiros eram feitas de pequenos nadas.
Ora espreitavam as vidas alheias, ora coscuvilhavam notícias, ora alimentavam o "diz que diz" lá da terra.
As suas vidas, nem saber. As dos outros, essas sim, tinham muito mais piada...
Normalmente, a vida familiar dos lamaceiros era um tudo que é nada, pouco interessante.
Havia contudo lamaceiros por todo o rectângulo desse País. Então na politica... ele era os lamaceiros viajantes, os chorões, os encostas, os dorminhocos, os atrevidos, os chico-espertos, os poetas, os aprendizes, os titubeantes, os mafarricos, os trauliteiros, os couve-lombarda e os rapatachos. Ele havia de tudo.
Claro que onde havia lamaceiros, havia borrasca.
Ele…

UMA BOLA DE BERLIM...

Sei de Fantasmas adormecidos que acordam para nos atormentar.
Faço para que não incomodem, mas inundam-me a memória e tenho de os resolver.

ZéQui, estava longe, absorto, perplexo.
Olhava aqueles alinhadinhos na espera da consulta e imaginava a fila dos animais no matadouro. Mais uma Químio, bombas revestidas de comprimido, provavelmente mais um corte... mais do mesmo.
E a sensação que tenho é que me olhavam para expiar as suas maleitas... do género, – "coitado, este está mal”.

Abutres pendurados no meu pescoço...
-“Olha para ele que nem se tem...”

Pouco importa. O que me incomoda, é um cheiro interminável a éter, que me queima o nariz e tomba a cabeça, -Dizia-me.
Sei como ele passou pelas roupas negras da depressão. Sei da sua angústia, de quanto escondia fundo, tristeza solitária. Por ele, sei, estava rebeldemente resignado.

Falava-me tantas vezes da tortura inquisítorial nos hospitais, das clínicas que percorreu, médicos no país e no estrangeiro, a luta, uma luta e uma dor ime…

PAPAGAIOS DE POLEIRO

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Em todo o tempo, em cada época, existe um modo de entender, de explicar.
Não porque se altera o tempo, mas porque com ele se altera a nossa condição. Existem muitas perguntas sem resposta, problemas que se gastaram, questões que deixaram de o ser, e muita, muita coisa que deixou de servir.
Não há racionalidade científica, que defina de modo cabal e explicito, o porquê de certos comportamentos, certas atoardas ou "golpes de rins".
A natureza humana, com todos os seus defeitos, dá-nos mostras dessas vertentes, relegando para plano secundário os sentimentos, os sentidos, e a moral, chamando a primeiro plano o que deveria ser secundarizado.
Converte-se a vida em bolsa de investimentos de todos os valores, sendo que os "doutos pedagogos" que tudo sabem e de tudo falam, são religião de todos os milagres e cura de todos os males.
Temos por vezes dificuldade em submeter o animal da nossa condição ao primado da cultura, tornando-nos humanos.
Quando escutamos e assistimos a abertu…

TEMPO DO "NICO"

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Andamos perdidos no balanço doce de problemas, lembranças e ilusões, próximas e distantes, mas sentimos pulso e respiração. Gravitam à nossa volta, novos e velhos, pessoas com glórias e memórias, sonhos, alegrias, desenganos, projectos e vontades, anseios, melancolias, dramas e mistérios, uns com muito outros sem nada. Não se sabe neste momento, onde começa cada um de nós e acaba cada um dos outros, dos que passam, indiferentes a tudo, sem vida, sem razões, onde nem a realidade cede lugar à fantasia.Vejo crianças, repletas de sonhos e fantasias, de encanto e paixão. Um, o "Nico" procura de braços no ar atingir o tempo, o seu tempo. O "Nico" não tem pais. Tem doze irmãos, vive numa barraca, come do que arranja, veste do que lhe dão, e brinquedos, uma bola de trapos e carros de outros meninos. Arranja uns "dinheiros" conforme diz, dos extras que faz. Ajuda nas obras, limpa nos restaurantes, aparece na oficina so Sr. Alfredo e as "gorjas" vão servi…

ESTRANHOS

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Estranhos são aqueles que estando ao pé de nós, nunca estão.
São aqueles que em vez de nos desnudarem qualidades, nos apontam apenas e só defeitos.
Considerando normal, não gostar de algumas coisas em alguém, atitudes, gestos, comportamentos, formas, é essencial contudo, conhecer o que gostamos, mas sobretudo, o que achamos não gostar.
Estranhos, são aqueles que em vez de partilharem as nossas alegrias, sorriem cinicamente com os nossos percalços.
Estranhos são aqueles, que não se esforçando por entender, disparam balas de canhão contra um peito macerado.
Estranhos são aqueles, a quem abrimos a alma e nos fecharam a deles... a quem tentamos alcançar, com um gesto, com um apelo, e que nunca nos deram a oportunidade de lhes tocar.
Estranhos são aqueles, a quem tentamos dar mais do que provavelmente eles queriam, e por isso nos deixaram de fora da grande muralha erguida à sua volta.
Estranhos são aqueles, a quem confiamos a nossa alma e que simplesmente fecharam a deles por pura comodidade.
Dar…