10 maio, 2006

PAPAGAIOS DE POLEIRO


Em todo o tempo, em cada época, existe um modo de entender, de explicar.
Não porque se altera o tempo, mas porque com ele se altera a nossa condição. Existem muitas perguntas sem resposta, problemas que se gastaram, questões que deixaram de o ser, e muita, muita coisa que deixou de servir.
Não há racionalidade científica, que defina de modo cabal e explicito, o porquê de certos comportamentos, certas atoardas ou "golpes de rins".
A natureza humana, com todos os seus defeitos, dá-nos mostras dessas vertentes, relegando para plano secundário os sentimentos, os sentidos, e a moral, chamando a primeiro plano o que deveria ser secundarizado.
Converte-se a vida em bolsa de investimentos de todos os valores, sendo que os "doutos pedagogos" que tudo sabem e de tudo falam, são religião de todos os milagres e cura de todos os males.
Temos por vezes dificuldade em submeter o animal da nossa condição ao primado da cultura, tornando-nos humanos.
Quando escutamos e assistimos a aberturas de telejornal com o "peeling" da Lili Caneças, dando valor a figuras virtuais da nossa realidade quotidiana, então estamos com o nosso conceito em baixo e a necessitar de rápidas melhoras.
Urgentemente necessitamos configurar culturalmente a condição humana, com actos de civismo, educação, urbanidade, em vez do animal rude e bravio que nos rodeia.
E esquecemos a miséria que se vê.
Crianças que maltratam crianças, polícias a serem agredidos, pedófilos a serem entrevistados, potenciais assassinos contratados com directos na TV, um Zé qualquer coisa Branco, armado em qualquer coisa, decisões em tribunal com esperas de 20 anos, criminosos libertados penalizando-se inocentes, corrupção em toda e qualquer parte dos nossos organismos, broncos de linguagem e atitude, cuspidelas para o chão, estacionamentos em 2ºs, 3ºs e 4ªs filas, desumanização, iliteracia, directos de 3 dias dissecando um jovem falecido em acidente, massacrando brutalmente a familia com imagens, não respeitando a intimidade e a dor, e um povo, que diz presente, sem saber para quê.
O mau, o nojento e repelente aplaudido e o bom ou razoável, perfeitamente ignorado.
Um imenso património de valores que se vão perdendo, fazem com que o povo aguarde por heróis descartáveis e multinacionais de preservativos a patrocinar casamentos com direito a Tv em directo, num verdadeiro "Reality Show".
Numa sociedade cada vez mais egoísta, egocêntrica e materialista, tenta-se ultrapassar em duplo traço contínuo, apenas para passar á frente.
É da condição humana, o pouco esforço e qualidade do que fazemos, daí os papagaios de poleiro, muito em moda, que ao abrigo de qualquer coisa, não interessa o quê, dão-se a autênticos recitais de palermice, onde a humildade não é condição.
Não há pachorra!

3 comentários:

Pedro Viegas disse...
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mariachatelier disse...
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mariana disse...

Com a vida atribulada que se leva hoje em dia, nem tempo dá para pensar em todas estas coisas, o quanto inuteis são mas é delas que a sociedade continua a viver...