"QUE CENA , MEU...!"



Surgem hoje em catadupa, em cada esquina e ao pontapé, heróis inimagináveis. Acabaram-se os "Batman", o "Zorro", os "Power Rangers", o "Dragon Ball".

Agora, temos o Marco, Zé Maria, Telmo, Cicinhas, Carminhas, Lilis. Hoje os heróis fazem-se nas revistas, visitam a ilha da caras, falam como "gajos que dão porrada nas gajas", e "gajas maradas", e "prontos", e "que cena, meu.." e Ya, está-se bem...".

Já não me interessa o "Rin-Tin-Tin", nem o cromo mais dificil que no meu tempo era o bacalhau, para passar a gostar mais do rabo das ditas.

Estes sim, são os novos heróis deste belo País.

Já não me lembro do Queijo Limiano regado a Campelos, da partida de Guterres, do Porto 2001 e a Casa da Musica, de Paulo Portas e os ex-combatentes, do Euro-2004.

Pouco me importa as intelectualisses de Manuel de Oliveira e Saramago, o que queremos é grandes temas galináceos, debates intensos sobre a abóbora e a folha de nevoeiro e filosofias de caserna das Quintas cá do sitio.

Venha daí o Zé das Galinhas, o filme erótico do Otelo e o negro ecran do João César Monteiro. Não quero saber de votações na especialidade, de orçamentos do Estado, nem do preço dos transportes.

Afaste-se Sílvia Alberto, Catarina Furtado, e José Rodrigues dos Santos, acabe-se com o fado e Carlos do Carmo, exporte-se a Mariza e recambie-se os Madre Deus. Chame-se o Toy e o Marco, a Lili e a Cinha. Eles são cantores, actores, publicitários e entretainer´s, modelos, e jornalistas, dão autografos, são capa de revista e o mais que se verá.

Promova-se o pontapé e acabe-se com a literatura. Eles são os novos heróis nacionais.

Falar de galinhas e ou com galinhas, dar beijos repenicados embrulhados nos lençois em hora de ponta, de medalhas que receberão no 10 de Junho, de frases insonoras ditas com boca cheia de bolo, de traques impestados de elegância moderna, das idolatrias recebidas, das cenas que mais tarde, passarão. Que cena meu.

E a cena do tipo que fez o 25 de Abril, que ao participar num filme erótico, que passou no erótico sexappeal, com uma menina erótica que se atira a ele dentro do quartel, e no meio do chão, rodeados de cravos vermelhos, não o deixou levantar-se para fazer a dita revolução, não é também um herói ? - Que cena, meu!

E no meio disto, beijos do Telmo à "nha Mãe" e à "nha irmã", apenas poucos se lamentam com os custos do gás e das taxas, das intermináveis obras e dos desastres em tolerância zero, que zero é aquilo a que assistimos.

Mas valha a verdade, cada um tem aquilo que merece. E nós ?

"Que cena, meu"

Comentários

Anónimo disse…
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