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A mostrar mensagens de Julho, 2006
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Foto de João Gomes



E POR VEZES

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira
Antologia



NO TEMPO EM QUE OS BURROS ZURRAVAM...

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NO TEMPO EM QUE OS BURROS ZURRAVAM...
E ALGUNS HOMENS DAVAM COICES ...!


Felizmente nesta história, houve poucos coices...
A tentativa, era melhorar as condições lá do sitio, e como o local era de encontro e de disputa, formavam-se grupos aqui e acolá, de onde saíam ás vezes sons alegres, noutros zurros estridentes.
Quando o sitio abanava, por pressão atmosférica, ou fraqueza retórica, alguns abutres aproximavam-se, por sentir cheiro de algum animal moribundo.
Por vezes, era mesmo preciso, que os mais considerados zurrassem bem alto, para evitar que a pele de algum ficasse cortada pelo coice de outro. Era uma maçada. Dos restantes, os periquitos abanavam as suas asas, os elefantes tremiam as orelhas, o urso sacudia as patas, e o gorila "maguila" batia no peito, lembrando que tinham direito ao sossego, enquanto os contendores lá iam amuados por não terem conseguido forçar a sua razão (?).
Os do costume, pela surd…

RAQUETADAS

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E vão 35 anos.

No próximo mês de Setembro faz 35 anos que iniciei a prática oficial desta modalidade.

Foram muitos jogos, muitas viagens, muitos países, muitos titulos, muitos amigos, muitas alegrias, algumas tristezas.

A dedicação de uma vida, a uma modalidade muito exigente, mas pouco divulgada, e confundida vulgarmente pelo chamado Pingue-Pongue.

Neste ano, que se reveste de alguma importância, pela indecisão na continuidade ou desistência, fruto de uma arreliadora lesão, que faz o favor de por vezes marcar presença, fui convidado a abraçar o projecto Vitória de Setubal, em conjunto com o técnico Alves Diniz, o chinês Wu Jien Wei, Luís Sena, Sérgio Santos e David Diniz.
A transparência, a compreensão, a forma, o carácter e a amizade transmitidas, não permitiram recusar.
Não sei, o quanto posso dar, mas tenho a certeza do que posso proporcionar.

Não posso deixar de relembrar todos os amigos, companheiros de equipa, colegas e adversários. Não quero esquecer os momentos amargos, mas somatiza…
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Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

"Pablo Neruda"







Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das…
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"Tu és o sítio onde o céu e a terra tocam os lábios da vida... onde as mãos se dão para fazer um sorriso...
onde a erva cresce... e se transforma num tapete por onde irão os caminhantes em direcção às entranhas da terra...
és o mar onde os navios tropeçam nas ondas para rasgar alvoradas...
és o sítio para onde os meus braços olham...
e para onde os meus olhos estendem os braços...
de mãos abertas à vida...
para que a vida não fuja..."



PORQUE

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Porque os outros se mascaram mas tu não.
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello B. Andresen


(Porque é bom que haja quem tente fazer a diferença...para um mundo mais belo, seja pela poesia, pela sabedoria, pela inteligência... seja pela simples arte de viver)
A Menina e o Pássaro Encantado

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: Era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola estiver aberta, vão embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades...Suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor.Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.
Certa vez, voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão.
"- Menina, eu venho de montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco de encanto que eu vi, como presente para você...".
E assim ele começava a cantar as canções e as estórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas…