Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

"Pablo Neruda"







Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.

Nossa dor não advém das coisas vividas,
Mas das coisas que foram sonhadas
E não se cumpriram.

Porque sofremos tanto por amor ?

O certo seria a gente não sofrer,
Apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão boa
Que gerou em nós um sentimento intenso
E que nos fez companhia por um tempo razoável.
Um tempo feliz.

Sofremos porquê ?

Porque automaticamente esquecemos
O que foi desfrutado e passamos a sofrer
Pelas nossas projecções irrealizadas
Por todas as cidades que gostaríamos
De ter conhecido ao lado do nosso amor
E não conhecemos.
Por todos os filhos que
Gostaríamos de ter tido junto
E não tivemos.
Por todos os shows e livros e silêncios
Que gostaríamos de ter compartilhado
E não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados
Pela eternidade.

Sofremos não porque
Nosso trabalho é desgastante e paga pouco
Mas por todas as horas livres
Que deixamos de ter para ir ao cinema
Para conversar com um amigo
Para nadar, para namorar

Sofremos não porque nossa mãe
É impaciente connosco
Mas por todos os momentos em que
Poderíamos estar confidenciando a ela
Nossas mais profundas angustias
Se ela estivesse interessada
Em nos compreender.

Sofremos não porque nosso clube perdeu
Mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos
Mas porque o futuro está sendo
Confiscado de nós
Impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam.
Todas aquelas com que sonhamos e
Nunca chegamos a experimentar

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Iluda-se de menos e viva mais.

A cada dia que vivo
Mais me convenço de que o desperdício da vida
Está no amor que não damos
Nas forças que não usamos
Na prudência egoísta que nada arrisca
E que, esquivando-se do sofrimento
Perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável! O sofrimento opcional.

"Carlos Drummond de Andrade"

Comentários

syl disse…
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse…
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Anónimo disse…
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