NO TEMPO EM QUE OS BURROS ZURRAVAM...


NO TEMPO EM QUE OS BURROS ZURRAVAM...
E ALGUNS HOMENS DAVAM COICES ...!


Felizmente nesta história, houve poucos coices...
A tentativa, era melhorar as condições lá do sitio, e como o local era de encontro e de disputa, formavam-se grupos aqui e acolá, de onde saíam ás vezes sons alegres, noutros zurros estridentes.
Quando o sitio abanava, por pressão atmosférica, ou fraqueza retórica, alguns abutres aproximavam-se, por sentir cheiro de algum animal moribundo.
Por vezes, era mesmo preciso, que os mais considerados zurrassem bem alto, para evitar que a pele de algum ficasse cortada pelo coice de outro. Era uma maçada. Dos restantes, os periquitos abanavam as suas asas, os elefantes tremiam as orelhas, o urso sacudia as patas, e o gorila "maguila" batia no peito, lembrando que tinham direito ao sossego, enquanto os contendores lá iam amuados por não terem conseguido forçar a sua razão (?).
Os do costume, pela surdina, censuravam os que iam lá ao sitio, ora trabalhar, ora conjecturar, ou mesmo saltar de ramo em ramo. Apesar de tudo, ao crepúsculo, desenhavam-se quase sempre as mesmas sombras, já que a zona era boa e, tanto quanto se sabia, não havia nas proximidades, animais ferozes.
Até que veio um dia, em que alguns do sitio, mais alguns dos novos, resolveram dar uma reviravolta na macacada e nas condições da selva, e, caso curioso, quando seria de pensar que o sitio, ficaria, finalmente calmo, zás....... um sururu dos diabos.
Uns tigres, mais uns passarões, alguns patos bravos e certos papagaios que passavam, resolveram arranjar na confusão, qualquer coisa para se alimentarem.
Curiosa mostra do desenvolvimento intelectual que o burro já tinha, apesar de ainda zurrar, foi o aproveitamento feito em redor de tudo o que aconteceu.
Não se contaram pontos importantes antecedentes à algazarra, para que ninguém visse os principais culpados da mesma. Distorceram-se mesmo alguns assuntos, para que apenas se gravassem imagens recentes, sem permitir recordar quem tantas vezes tinha feito o "bailado" no meio da clareira lá do sitio.
Os velhos, chamados ao assunto, mais pela gaguez do que pela velhice, as vezes serenavam as coisas, outras faziam medrar a discussão.
Desabituados (?) que estavam ás doninhas fedorentas, passaram um mau bocado: Arranhados não queriam ficar, mas mal cheirosos, não, isso não...
Bem, desculpem lá, estas histórias costumam ser só para os mais novos, mas já agora esperem, está quase no fim.
Todos os burros daquele lugar, pensaram numa situação, até ali, mal ponderada. Talvez conseguissem ultrapassar melhor alguns problemas se tentassem articular novos sons. Teriam até a vantagem de, não dando coices e não zurrando, exigir explicações, propor entendimentos, acarear conflitos, não permitindo ruídos inaudíveis, propositadamente confusos, que só favorecem os de baixa intenção.
Devem ter optado por esse caminho, pois calmamente o sitio transformou-se num agradável lugar.

P.s. -Qualquer semelhança, com qualquer realidade, é mesmo e só, coincidência.

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