28 agosto, 2006



Sonhei-te

Sonhei que vivia numa rua onde ninguém passa, onde nada acontece, onde nada se ouve.
Onde se houve chilrear, pios de um pardal que ali passou.
Mas está tanto calor que não ousou voar. Saltitava, como se tivesse molas nas suas patinhas, olhando freneticamente em todas as direcções, como se fugisse de abrir as asas, para não lhe fugir a sombra e corresse o risco de derreter ao sol.
Como ele, fujo do calor.
Cheguei ao ponto em que estou contente por me bater na cara uma brisa que me refresca nos seus trinta e nove graus.
Maldita variação, raios partam o buraco do ozono, ou o que quer que seja que provoca este inferno.
Hoje gostaria de não poder ver aquilo para que olho.
Gostaria de não poder escutar aquilo que ouço.
Gostaria de não poder sentir aquilo que se me cola à pele e à alma.
Queria estar indiferente às tonalidades que a vida vai tomando.
Hoje queria apenas ser e estar...
Guardar algumas memórias. Apesar de já ter tentado tantas vezes deixá-las esquecidas num canto qualquer, não consigo livrar-me delas.
Há quem diga que vivo por lá, entre a depressão e a impressão, mas penso que não.
E lanço sementes, esperando colher do que semeei, numa colheita que ainda me faça sorrir.
És a outra metade da minha alma.
A outra metade da minha asa, que esvoaça por torrentes de azul.
Sonho-te.
Sonho-te muito ingenuamente o mais das vezes.
Sonho-me um cavaleiro da Távola Redonda ou um Peter Pan, sempre na rota de Neverland.
A tua imagem, ilumina os olhos de uma forma que nem mil sóis conseguiriam iluminar.
Por vezes sinto que o tempo, escapa pelos dedos como areia fina, e que não chego a ver-te voar na minha direcção.
Das tuas asas farei as minhas,
das tuas penas, meu vestir,
do teu cantar, remédios de coração.
Eis chegado o ponto em que o cérebro decide em memórias estaladas de gestos irreflectidos.
Onde estou?
Na terra do nunca, ou nunca estou?
E fujo sem saber a direcção que tomou o pássaro frenético em dia de calor, com patinhas de molas afinadas, olhando o sol, em doce solfejo num dó menor.

26 agosto, 2006

Um dia abandonei a infância, a adolescência ficou amarrada a projectos desportivos.
De repente, vejo-me longe das conversas dos amigos, das brincadeiras vividas, dos risos e choros, das desordens ordenadas, de partilhas, de namoros, de jogos, de festas, dos bailaricos com Pink Floyd e o “Dark Side of the Moon” que abrasava o gira discos do Barbosa.
O Veloso e o “Chico Fininho” saíam à rua com a “Rapariguinha do Shopping” e o Augusto aparecia de MGB, descapotável, lançando inveja nas garotas da avenida.
E éramos nós, a malta, da “Ribeira até à Foz”, com os "Já fumega" e os "Minipop"...
E durante anos, fui desatando os nós.
Pensava ser amanhã o reencontro, ser outro dia o abraço, ser novamente ontem, para nos rirmos e brincarmos como sempre.
Mas, o destino trocou-nos os caminhos da vida.

O telefone já não toca como tocava. Os reencontros vão-se tornando mais raros.
O Figui advoga, com o tempo contado. O Rick, anda a saltar do Porto para Esmoriz , o João controla as corridas dos seus atletas e os cabelos brancos surgem em catadupa.
O Amado desapareceu, dele nem rasto.
O Pedro, Paulo, Costa, Leonor, Paula, Fátima, Laura, Beta, Sérgio, Zé, Carlos, Nanda, tantos, tantos que eramos. Um grupo excelente.

Enchiamos o comboio para Esmoriz de alegria vivida. Cerveja com groselha em pequenos almoços mirabolantes com rabanadas de molho divinal.
Francesinhas da Tí Alice, regadas com o verde do Monteiro, que dizia sempre: - “este é dos bons, já cá canta...”.

A Tia do Amado, suspirava pelas noticias que lhe levávamos, com ele a conta gotas espreitando da esquina em frente.
O S. João com filas de 60, numerados em saltos de fogueira, as corridas pela Boavista e o dormir na praia da Foz.
Dizíamos: - “Três dias e três noites sem ir à cama, seus morcões”.
O jogo do "pilha" e a “sameirinha”, a “patela” e os jogos de bola no Velasquez.
Chumbadas nas calças de ganga, de “assaltos” à fruta na Quinta do Monte Aventino,...

Quando nos encontramos, tudo parece ontem.
Saltamos e brincamos e falamos tanto e tanto em tão pouco tempo, que sofregamente, enchemos Santa Catarina.
No retorno a casa, fazemos promessas de encontros frequentes... e o telefone.. e o e.mail...

... e a vida volta, e o tempo alonga a distância, e o Inverno passa, o Verão volta, e amanhece de novo.
E mais cabelos brancos e rugas espantadas em espelhos de jovem.
E contamos aos filhos como era bom, como nos divertíamos, o que era a “verdadeira amizade”, as partilhas, o jogo da “casquinha”, o “porta a porta”, a “esmolinha p´ro St. António e "P´ro S. João”, e a sopa de couve na casa da avó.
E virámos o 25 de 74, de mochila às costas na Praça D. João I, a ver chaimites e “magalas” de sorriso largo olhando as moças que passam.
E como hoje é diferente.
Como a “Playstation” e a “Net” e o “Pokemon” e a TV Fox, subtrai a amizade a potências de solidão.

Vá lá pessoal, só mais um copo.
Não, o último não.
Haveremos de passar pelo Oliveira Martins ou o Alexandre Herculano e esperar as miúdas às cinco da tarde no Rainha Santa.
Depois embarcamos na paz do tempo e algum tempo depois nos encontraremos a caminho...
de novo... até um dia, quem sabe ... ?

24 agosto, 2006





Todos sem excepção procuramos o Paraíso, ou algo que se assemelhe a tal.
E quando se fala nisso, fala-se numa Eva, resguardada por uma parra (o fio dental da época), um rio de águas transparentes e frondosas árvores por onde passam raios de sol e aves que enchem o céu.
Evidentemente que este encher de alma, tem alimentado a nossa imaginação ao longo dos tempos, tentando ver o Paraíso na terra olhando o céu.
Mas o Paraíso transforma-se consoante os tempos.
Passa dos mapas para o céu e do céu para o local que cada um de nós mais considera, transformando esse espaço no "Verdadeiro Éden".
Espaço esse, que pode ser físico, temporal ou imaginativo, desde que nos faça sentir bem e nos focalize num bem-estar saudável.
Os textos bíblicos ou sagrados, referem pouco sobre estas descrições, mas elas estão bem presentes na memória de cada um de nós.
Cada imagem, cada momento, cada associação, cada sentimento, cada encontro com o maravilhoso, com a paixão, com o amor, transporta-nos física e espiritualmente para o Jardim do Éden.
Por outro lado e tendencialmente quanto mais desesperados andamos com a vida na terra, mais procuramos o caminho para o Paraíso.
Se tem riachos, cascatas, árvores, jardins, flores, aves, jovens e belas mulheres com muita ou pouca parra; "Eva´s" melhor ou pior vestidas (despidas talvez), cada um fará interiormente o seu local de perfeição... se é que esse lugar alguma vez existiu.

Uma pequena fábula:

"Havia numa floresta um alegre Pirilampo que vivia feliz da vida iluminando a noite dos outros insectos com a sua linda luzinha. Até que uma Serpente passou a perseguir o pequeno insecto dia e noite acabando assim com a sua paz e segurança. O pobre bicho gastava as suas energias todas para escapar à boca da Serpente que não desistia nunca de persegui-lo.

Um dia no limite das suas forças o Pirilampo voltou-se para a cobra e disse.

- Pronto, desisto. Podes devorar-me, mas responde-me só a algumas perguntas:
- Está bem - Disse o odioso réptil.
- Eu fiz-te algum mal?
- Não. - Disse a Serpente

- Eu pertenço à tua cadeia alimentar?
- Também não.
- Então porque insistes em perseguir-me?
- Porque não suporto ver-te brilhar..."

Amigos, não desistam nunca de brilhar.

Os outros insectos precisam do vosso brilho. E quanto mais alto voarem mais longe ficam dos animais que rastejam.




O sol entra-nos pela vida dentro, sem que o convidemos, mas ele amigo como é, nem precisa de convite, chega, coloca os óculos escuros (para evitar queimaduras) abre uma revista, senta-se à mesa connosco.
Nada modesto, pois todo ele brilha.
Sorri quando sorrimos e concorda ao de leve com o que dizemos, respeitosamente.
Se tiramos um retrato ele aparece connosco, faz parte da família. Se vamos à praia ele acompanha-nos, se entendemos "sestar" ele fica de mansinho, presente.
Até por vezes, quando nos deitamos, fica ali aconchegadinho, caladinho, mirando e remirando, por vezes destapando-nos para deixar entrar leve brisa.
Se temos males de boca, colesterol, a alma amolgada (sabe-se lá porquê...), lá anda ele a rondar-nos, preocupado.
Por vezes desaparece...
Não o vejo na casa com as roseiras brilhando, nem no alto da colina, nem repousando no mar...
Desaparece, pura e simplesmente.
Estará doente? Sofrerá? Mal de amores?
Como um amigo, gostaria de o ouvir, de me lamentar também.
Ou será que anda tão carregado de sofrimento que nem pelo sofrimento dá?
Pensará o quê? Desejará o quê?
Olho para o recanto da mesa, e nem sombras...

13 agosto, 2006



A ironia na inevitável crise da idade…!

E… deitamos as culpas de tudo e de nada a esta inevitabilidade. Da falta de vontade para o exercício físico, da barriguita que começa a “desenformar”, da pequena ruga que teima em não sair, daquelas dores que nunca nos apareciam…!
Tínhamos uma insanidade juvenil que nos protegia de amarguras e que nos servia de escudo contra dúvidas, ventos e marés.
Agora, quando ”nos olhamos” verificamos que afinal, o código de barras não estava errado, e que a “mercadoria” está um pouco adulterada.
Envelhecer é uma sucessão interminável de revisões periódicas, check-up´s e quejandos.
Em jovem, tínhamos barras de ferro como protecção de alma. Não víamos o passar do tempo. Habitavam em nós sombras que desconhecíamos, as mortes eram mais emocionais, hoje sentimo-las muito físicas.
E fazíamos castelos de areia e montanhas de conjecturas no ar. Tudo intransponível.
Afinal, verificamos que os castelos se desmoronam e tudo se desfaz.
Mas este PDI é real. Já não é imortal. Somos nós, estamos cá…por enquanto.
Sinto marés revoltas de tempo, que o tempo não apagou. Ventos assassinos, prontos a lançarem torrentes de resfriados desprevenidos.
De vez em quando reflexos do que fui assolam a janela da imaginação.
Este PDI, este envelhecer, seria tão mais simples, se fosse só meu. Se me caísse no regaço e eu o contemplasse e deixa-se que aos poucos ele entranhasse na carne e no coração.
Se mais ninguém o visse e mais ninguém o sentisse.
E vivemos uma vida inteira, preparando-nos para essa mesma vida.
De repente olhamos em volta e já nada do que era voltará a ser. O espelho reflecte com exactidão o que escondemos todo este tempo.
O tempo, esse insanável, esse indomável patife que me suga o espírito e a mente.
E… depressa virá.
Mas…que venha, cá estaremos.
Aliás, inexoravelmente temos de o contrariar e provocá-lo.
A juventude não se perde assim.
Serei velho aos 70, aos 80? Qual quê? Verão…
Tenho o dom de contrariar respeitosamente estas tendências, jamais perderei a minha irrequietude, a minha generosa infantilidade, a minha T´Shirt, calção, calça de ganga, o meu desporto.
E uma barriguita, que mal tem? As adiposidades já queimam mal, mas nada de mais.
Não sou a casca do tempo que partiu, nem a curva dos teus olhos que se fechou,
Mas a imagem dos gestos que tracei, e aí…
O céu ficou mais perto, quanto mais belo.

11 agosto, 2006







E dou por mim numa espiral de solidão.
Sinto o meu respirar, a minha pulsação.
60 por minuto, estou calmo. Nada demais.
Sou sempre assim. Um calmo agitado.
Pela frincha da janela, vislumbro uma luz ténue ao fundo. Olho o céu e sinto a chuva e o vento que me agitam a alma.
Porquê esta inquietação?
Sonho-te acordada. Imagino-te quimera, doce solfejo do meu canto.
E não te encontro. Os nossos mundos nunca se cruzam, nem por acaso.
E procuro encontrar-te sempre e nunca te encontro, nunca.
Percorro todos os cantos deste sofá que me ampara o corpo cansado. Adivinho uma noite, mais uma, em que solto a imaginação, mas nada consigo ver.
Sim, ver.
Quero olhar bem dentro de mim e saber o que sinto, o que vivo, se é que vivo.
E dou por mim numa espiral de solidão.
Despejei gavetas de sonhos e memórias. Esbocei sorrisos e lágrimas.
Lembrei, relembrei, tempos distantes, tempos que já não voltam e sucumbi a arrumar memórias como a minha avó arrumava biscoitos em caixas de lata.
E percorro caminhos deixando pegadas dispersas pelo chão…
Ninguém as segue.
E se grito, canto ou choro, os meus sons não fazem eco.
E se corro, ando, salto, também ninguém me alcança.
E sinto que o prazo de validade caminha para o fim.
Mantenho a mesma pulsação, 60 por minuto, estou calmo e dou por mim, na mesma espiral de solidão, mas já com os ponteiros a andar mais rapidamente, como se tivessem pressa em chegar ao fim.
Sei que já levei a minha alegria e a minha vida a lugares e pessoas inesquecíveis.
E que encontrarei um lugar onde se pode morrer.
Nesse dia,
Tomarei as minhas asas e voarei…!

10 agosto, 2006




Quando miúdo, tive uma sereia que cantava na minha banheira, um pássaro que espreitava na clarabóia do sótão, um gato que me olhava como se me quisesse falar, o homem do saco (um velho que vendia castanhas em saco de serapilheira) de longas barbas brancas, todos eles povoavam a minha imaginação e tornavam nocturnos dias solarengos.

Pensava eu, que os meus receios nocturnos tinham ficado por lá, onde as corujas piam, os galos cantam, as folhas secas das árvores embalam odes matinais, e os gatos correm atrás de novelos de lã...

Mas que raio…

Já conheço explicações racionais, mas porque não consigo dormir?

Se o velho das barbas já vendeu todas as castanhas do saco, se a cotovia perdeu o pio e as folhas já não se agitam… será do gato?

Hum, aqui há gato…!

04 agosto, 2006



Quem parte, nunca leva saudades da partida, nem o sentir de quem sofre,
quem fica, tem saudades de quem parte,
com lágrimas nos olhos
e amarras,
porque sofre.
Quando a noite cair e fizer tua saudade maior, olha no céu a mais pequena estrela...
vais ver que ela tem um brilho mais forte.
Talvez seja o sorriso que alguém te dá para dizer que te ama.
Quem amamos só se ausentam por momentos, porque na verdade, estão sempre presentes no coração e sei que, em algum lugar bem mais bonito...
... e quando menos esperamos, eis que passa uma estrela cadente, que nos lembra... que eles lá, velam por nós, cá...


que saudades...


- Tira-me daqui esse melro e essa cotovia.

- Porquê ?

- Porque não quero barulhos, mas sim adormecer... Tens medo do meu adormecer ?

- Mas eu irei acordar...talvez um dia, quem sabe, vagarosamente... a não ser...

- A não ser o quê ?

- Que me acendas a alma de lua cheia e me tragas o brilho das estrelas.

- Não, não fujas... deixa-as aqui, por favor, num cantinho, ao pé de mim !

03 agosto, 2006













É possível falar sem um nó na garganta.
É possível amar sem que venham proibir.
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão.
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetece dizer não, grita comigo: não!
É possível viver de outro modo.
É possível transformar em arma a tua mão.
É possível viver o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre, livre, livre.

(Manuel Alegre in Letra para um Hino)

Obrigado Grande Poeta, por tornar fácil, aquilo que para todos nós, se torna sempre tão complicado.

02 agosto, 2006

Perdas ...


O desaparecimento de alguém que nos é chegado, que nos é querido, provoca-nos sobressaltos de alma, angústias permanentes e morre inevitavelmente um pouco de nós.
Sabemos que jamais brilharemos como antes.
Por mais que tentemos, não conseguimos aceitar como desígnio de Deus, a partida antes de tempo. Porque nunca é tempo, deste partir, intempestivo, cruel e marcante.
Somos assaltados pelas costas e roubam-nos a alma, ficamos apáticos e não conseguimos concretizar tanto do que gostaríamos…. … o abraço, a ultima conversa, a brincadeira do neto ou o beijo terno que não recebemos.
Então como aceitar um desígnio destes?
Se sempre tivemos uma boa relação com “ELE”, merecemos este castigo?
Merecemos ser fustigados por um raio, que nos atira pelo abismo, um negro e profundo abismo do qual jamais nos libertaremos?
Apetece baixar os braços e desistir, mas não se devem cobardias infantis.
Noites a fio, correntes de lágrimas aguardam uma razão, que nunca chega.
Em consciência, sabemos que de nada vale essa angústia.
Sabemos que novas folhas brotarão, novas vidas nascerão, surgirão novas doenças e os rios secarão, mas de nada vale forçar a corrente, pois o rio jamais mudará o seu curso, e nada mais volta, nada regressará.
A verdade, é o que fica na nossa memória.
Mas temos de aceitar a dor, o sofrimento da morte.
Como tradição que vagueia de geração em geração, e num imaginário religioso, diz-se que a morte tem espaço e um lugar.
Eu penso que a morte nunca tem tempo. Está normalmente fora de tempo, do “nosso” tempo.
Aquilo que se designa, como um trabalho de “luto” ou “fazer o luto”, para além de vivermos o desgosto pela perda é sobretudo o trabalho e o processo de desconstrução da presença e da construção da ausência.
Fazemos um trabalho de elaboração psíquica, tentando diminuir os impactos da dor, da desorganização, da emoção, que em tudo liga a representação, o pensamento e o afecto.
Já “Barthes” dizia que se deve compreender os sinais e não recusar a inevitabilidade do fim.
Mas o fim, como fim é sempre doloroso. Todos nós, temos medo de perder algo significativo, e todos nós nos defendemos com escudos super-protectores e defesas arcaicas, de qualquer hipótese de perda indesejável.
No luto e com o luto, vem a tristeza, a indiferença, a inibição, e por vezes, mas sem muitas das vezes ter nada a ver, a depressão.
Mas pelo facto de ficarmos com as defesas baixas e o nível de auto-estima diminuído, não devemos deixar perder o “Eu”. Temos de “trabalhar” bem a aceitação do luto, sabendo que não existe sempre uma continuação.
E fazemos um esforço, para na rejeição da perda, tornar suportável a culpabilidade.
Depois vamos desinvestindo a recordação e a esperança, que na memória vão batalhando.
Este é que é o nosso trabalho do luto, que termina quando “aceitamos” a ausência.
"ÉPICURO" dizia: «Enquanto existirmos a morte não é. Quando a morte é, nós não somos.»