11 agosto, 2006







E dou por mim numa espiral de solidão.
Sinto o meu respirar, a minha pulsação.
60 por minuto, estou calmo. Nada demais.
Sou sempre assim. Um calmo agitado.
Pela frincha da janela, vislumbro uma luz ténue ao fundo. Olho o céu e sinto a chuva e o vento que me agitam a alma.
Porquê esta inquietação?
Sonho-te acordada. Imagino-te quimera, doce solfejo do meu canto.
E não te encontro. Os nossos mundos nunca se cruzam, nem por acaso.
E procuro encontrar-te sempre e nunca te encontro, nunca.
Percorro todos os cantos deste sofá que me ampara o corpo cansado. Adivinho uma noite, mais uma, em que solto a imaginação, mas nada consigo ver.
Sim, ver.
Quero olhar bem dentro de mim e saber o que sinto, o que vivo, se é que vivo.
E dou por mim numa espiral de solidão.
Despejei gavetas de sonhos e memórias. Esbocei sorrisos e lágrimas.
Lembrei, relembrei, tempos distantes, tempos que já não voltam e sucumbi a arrumar memórias como a minha avó arrumava biscoitos em caixas de lata.
E percorro caminhos deixando pegadas dispersas pelo chão…
Ninguém as segue.
E se grito, canto ou choro, os meus sons não fazem eco.
E se corro, ando, salto, também ninguém me alcança.
E sinto que o prazo de validade caminha para o fim.
Mantenho a mesma pulsação, 60 por minuto, estou calmo e dou por mim, na mesma espiral de solidão, mas já com os ponteiros a andar mais rapidamente, como se tivessem pressa em chegar ao fim.
Sei que já levei a minha alegria e a minha vida a lugares e pessoas inesquecíveis.
E que encontrarei um lugar onde se pode morrer.
Nesse dia,
Tomarei as minhas asas e voarei…!

2 comentários:

Anónimo disse...

Lindo!
Sorte a de quem inspira tais palavras, tal sentir. Sorte a de alguém que o possa merecer que o possa usufruir.

Ana disse...

Parabéns, gosei imenso do teu blog :-)