24 agosto, 2006




O sol entra-nos pela vida dentro, sem que o convidemos, mas ele amigo como é, nem precisa de convite, chega, coloca os óculos escuros (para evitar queimaduras) abre uma revista, senta-se à mesa connosco.
Nada modesto, pois todo ele brilha.
Sorri quando sorrimos e concorda ao de leve com o que dizemos, respeitosamente.
Se tiramos um retrato ele aparece connosco, faz parte da família. Se vamos à praia ele acompanha-nos, se entendemos "sestar" ele fica de mansinho, presente.
Até por vezes, quando nos deitamos, fica ali aconchegadinho, caladinho, mirando e remirando, por vezes destapando-nos para deixar entrar leve brisa.
Se temos males de boca, colesterol, a alma amolgada (sabe-se lá porquê...), lá anda ele a rondar-nos, preocupado.
Por vezes desaparece...
Não o vejo na casa com as roseiras brilhando, nem no alto da colina, nem repousando no mar...
Desaparece, pura e simplesmente.
Estará doente? Sofrerá? Mal de amores?
Como um amigo, gostaria de o ouvir, de me lamentar também.
Ou será que anda tão carregado de sofrimento que nem pelo sofrimento dá?
Pensará o quê? Desejará o quê?
Olho para o recanto da mesa, e nem sombras...

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