Hoje estou cansado, e não posso estar cansado.
Não tenho tempo, nem oportunidade para estar cansado.
Deste cansaço que entendo não seja físico, nem mental, acho que….espiritual.
Estou farto de tanta coisa e não posso estar. Deste País de “Tolans”, pois isto está tudo virado ao contrário, deste País de “Gordons”, tal como a tempestade que assolou os Açores, só que este “Gordon”, é mais “Flash Gordon” e atacou as nossas Instituições.
Outro dia tentei perceber qual delas não tinha sido tocada, ou por incompetências, ou por compadrios, ou por corrupção.
…pois… ainda estou à procura.
E estou cansado desta carcaça, que sou, deste feitio feito mel, deste ser que não sou, deste estar que não estou.
E dou por mim distraído.
Cumprimento quem não conheço, ou quem conheço, mas não sei quem é.
Ou se calhar sei, mas nunca consegui “ver”.
Se por vezes nem nos conhecemos…
E circulamos pelas pessoas como meras transparências, quase invisíveis, nós e elas.
Levamos connosco fios de marionetas, que puxamos consoante entendemos.

Ora agora, abanamos a cabeça (puxa o cordel…já está…).
Ora bem, agora fazemos o sorriso especial (só um pouquinho… ora aí vai… puxa o cordel…já está…),

... e lá continuamos na nossa vidinha, como a Ti Maria das flores, ou o Sr. Zé do talho.

-“Então o que é que vai ser ó freguesa?”
– “Lá está o raio da mulher… nunca compra nada, mas para pintar as beiças e arranjar o cabelo, já tem dinheiro”. Fingida. Não te dê uma Filoxera”.

E lá vem o rótulo, a carimbadela e o estereótipo.
Típico Portuguesismo.
Pouca importância damos às coisas e/ou às pessoas.
O que lê, que filmes vê, o que faz e como faz, valores, princípios, etc….
Nada.
Vai rótulo para cima e carimbo na testa. Está etiquetado.

Mas a vida é mais do que isso, as pessoas são mais que isso, “nós” somos mais, muito mais.
E vivemos semi-escondidos em capas personalizadas, consoante as ocasiões.
E raramente deixamos transparecer para além dessa imagem construída e retocada de tempos a tempos. Ou porque socialmente nos impõem, ou porque nos obrigamos nós.
E vamos passando pela vida e pelas pessoas, por acasos e casos, por sítios, vivências, paixões, locais e lugares, e medramos num papel no qual não cabemos, e ouvimos prosápias que não entendemos.

E raramente “olhamos” bem, e nos “olhamos” também.

Comentários

Teresa disse…
O que dizes é bem verdade. Por outro lado não será apanágio apenas dos portugueses. Em toda a parte a classe política está minada de oportunistas, em toda a parte há gente pequenina e todos nós somos um pouco como ilhas flutuantes, divagando pela vida e tocando-nos às vezes, deixando maiores ou menores marcas. Todos temos dias em que estamos assim, cansados de tudo o que nos rodeia, da rotina dos dias, daquilo que esperamos e não vem, da diferença entre aquilo que somos e o que queríamos ser. Mas aí há que pensar nas coisas boas e simples da vida: uma chuvada num dia quente de verão, o cheiro da terra molhada, os pés nus na areia, o reflexo da lua no Tejo, as mãos que acariciam um gato, um sorriso de criança, os salpicos das ondas, os reflexos das luzes na calçada molhada. Então, tudo parece mais leve.
asn disse…
Pois..ora como é que uma pessoa não há-de andar cansada de tantas asnices, javardices e outros quejandos...
Tenho andado numa roda-viva a querer apresentar provas de que não devo nada à Segurança Social (?) e então não é que não me querem passar documento comprovativo da recepção desses documentos?
É de bradar aos céus!
Mandam-me fazer uma reclamação!
...
Como é que não havemos de andar cansados de remar cntra a maré da Administração da coisa pública?
Afina essa coisa e Pública ou não? É um feudo de certos senhores, funcionários de qualquer escalão incluídos?
Vou ter que entregar o assunto a um advogado? É essa a intenção deliberada?
???????????
!!!!!!!!!!!!
Utzi disse…
Gostei muito deste texto. Este passar pela vida sem a "ver" é um tema que também me inspira muito a escrever. Voltarei para ler mais :) Beijo

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