ARCO-ÍRIS



Hoje sonhei com o arco-íris.
Esse sonho transportou-me para imagens de rara beleza, como as feições de meu Pai.
Ouvi a sua voz, vinda de longe. As suas palavras doces, o seu belo sorriso.
Ele dizia que apenas nos iludimos, quando pensamos que somos donos das coisas, dos instantes ou dos outros. E que a vida, ténue como é, apenas nos empresta algumas coisas, tirando-as quando o entender. E que melhor será a partilha e a comunhão do que a leviandade de querer ser a qualquer preço, melhor, poderoso, ou importante.
O meu Pai fazia magia quando me abraçava, como eu espero fazer, quando abraço os meus filhos.
E revivi os meus amigos, as minhas viagens, no que deixei de viver, no que passei ao lado por falta de tempo ou disposição, nas alegrias e nas tristezas, nos que passaram por mim, no que me deixaram e no que lhes deixei.
Relembrei cores, objectos, viagens, frases, danças, timbres de voz, olhares, cheiros, sobretudo nas coisas insignificantes a que atribuo enorme valor.
E espreitei pela janela em direcção ao céu.
O céu à noite é um lençol com estrelas. (…por vezes as nuvens fazem-se “edredons” tapando-as do frio...).
E olhei a estrela polar, cassiopeia, e ursa maior.
Senti um frio que me pregou a alma e suspirei.
Ao sair de casa, deparei com o arco-íris do sonho a olhar-me de cima.
Puxei-o e ele poisou de mansinho na minha mão.
Desde criança que o imagino como o caminho da felicidade.
Pensava nesse tempo, (ainda hoje o penso), que se conseguisse subir caminharia até ao infinito, onde quer que ele ficasse.
Talvez pelas cores, talvez pela beleza ou harmonia, sentia-me jovem de novo e dei por mim a saltar. Cantarolei, pedi um "donut´s", bebi um café e olhei-o devagarinho.
Lá estava ele, num remanso colorido, afagando-se nas curvas da mão.
Remirei a aura e sentei-me numa esplanada.
Naquele instante deixei-me transportar na direcção das estrelas.
Pedi um desejo e habitaram em mim pedaços de sonho em algodão doce.
Sorri.
De tal modo era o sorriso, que as pessoas paravam para me olhar.
E eu não parava. Mesmo que o quisesse, não era capaz. O sorriso transformava-se em felicidade, a felicidade em amor e de novo em sorriso.
De repente, no meio de tanto sorriso, apanhou-me distraído e, saltou da mão alojando-se no coração.
Ao princípio, estranhei… depois entranhei.
Hoje vivo com ele no peito e sorrio.
Sorrio às crianças, sorrio aos velhos, sorrio aos doentes, sorrio aos desafortunados, sorrio aos meus inimigos, sorrio aos que me querem, sorrio aos que não me olham, sorrio aos que me evitam, sorrio aos que não sorriem, sorrio à vida, e, descobri, que apenas um sorriso, um leve e pequeno sorriso, pode fazer milagres.
Experimentem!

Comentários

tcl disse…
saber sorrir e efectivamente uma das coisas mais importantes da vida. Assim se resolvem muitos contratempos que de outra forma nos poderiam transportar para desenlaces menos agradaveis. mas o que e bom mesmo, e conseguir sorrir sem razao aparente, sorrir para tudo e para todos, apenas porque o coracao nos sorri
Lisa disse…
O teu texto fez-me sorrir e sentir uma paz a invadir-me...obrigada
BiChOs Do MaTo disse…
lindo lindo lindo este texto........engraçado sabes o que é um "déja vú".......ao ler este texto tive um.........fiquei com a sensação de algum dia já o ter lido/ouvido .....estranho não!!!!!!!coisas da vida.
beijocas
Lara

Mensagens populares deste blogue

O MUNDO DE PERNAS PARA O AR

Deixa ficar assim…

DESEJOS E DEMÓNIOS