06 outubro, 2006



O meu coração boca fora e a alma, meio metro fora do corpo.

Rosto sem luz e voz sem palavras.

Sinto que o meu corpo andou 10 metros para o lado e encostou na parede junto ao móvel, e eu aqui a olhá-lo.

-Que é isto ? Mas onde é que tu vais ?

... Sonho ?

Ouvir-te falar faz-me abstraír do significado das palavras, e o meu coração bate descompassado num ritmo sem ritmo de frenético.

E suspiro, roendo as unhas, quando te envolvo com o meu olhar.

Adoraria deixar-te as minhas impressões digitais, sufragando-te os gestos e sacudindo o meu amor em ti.

Volto a não sentir. Nem corpo, nem cheiro, não vislumbro luz.

Saí de novo de mim e ainda não voltei...!

Em que ancoradouro andarei ?

A lua a boiar no céu, o cheiro a terra e mar.... regressei de Finisterra ?

Mas que faço ? Onde tenho andado ? Qual a dimensão em que habito ?

Saber que não existes, aligeira-me o fardo, deste tormento.

Saber que não existes, porque eu te criei, colei-te a mim, fiz-te minha.

Insónia, desprotegida.

2 comentários:

Anónimo disse...

Surpreendo-me e maravilho-me de cada vez que leio a tua poesia. A sua dimensão é absolutamente asfixiante. Prece que as palavras existem pdentro de ti apenas para isso.

Anónimo disse...

Surpreendo-me e maravilho-me de cada vez que leio a tua poesia. A sua dimensão é absolutamente asfixiante. Prece que as palavras existem dentro de ti apenas para isso.