Olá Leonor

Perguntavas tu, de dentro dos teus poucos aninhos o que é a "sensinilidade".

Pois, olha, eu entendi o que falavas.
Da senilidade, que vai querendo aparecer, mas que vou chutando à medida que posso, dessa, um dia mais tarde, falaremos, assim o tempo me dê tempo.
Da sensibilidade, que tu questionas, sei dizer-te, que é um sentir, por demais sentir.
É um estar que nos arrepia a pele, que nos adormece os músculos.
Não. Não é pieguice ser sensível, pelo contrário, faz falta sensibilidade ao mundo, às pessoas.
É porventura, ver as coisas com alertas de alma, com outra atenção.
Sabes, Leonor, o tempo foi roubando a cada um de nós, a possibilidade de nos ouvirmos e de também escutarmos os outros. Para não serem diferentes, guardam tudo dentro deles, vão amarfanhando, empurrando, até nada mais caber.
Guardam como se guarda um tesouro, algo de valioso que é.
Mas puro engano.
Saberes, dores, choros e alegrias. Quem não dá, não pode esperar receber.
Por isso, quanto mais guardam os cheiros, as cores e as texturas das coisas, menos percebem que a melhor parte é compartilhar.
Quando uma lágrima cai, quase sem percepção (... e comigo isso acontece, não te admires...), quando sentes por antecipação um desfecho daí esperado, quando um adulto que nunca foi criança em vez de desabafar, flexibilizar... foge.
Quando arrumamos sentimentos que bem abanados e estruturados, podem ainda ter tempo de conseguir milagres;
quando alguns desses milagres, são passeios de alma e estradas do coração, concluimos que nada é mais importante do que o que nos toca na alma.

Comentários

BiChOs Do MaTo disse…
Adoro este nome LEONOR......ainda terei uma filha com este nome, podes apostar.......
Anónimo disse…
.... hum...quanta sabedoria...Tenho a certeza que a "Leonor dos olhos lindos" vai gostar de ler isto... um dia...

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