16 outubro, 2006

"SHUT DOWN"



Será a vida um jogo de espelhos onde a realidade se confunde com a imaginação ?
Será que habitam em nós fantasmas que nos perseguem e nos prendem a abismos de uma inquietude intransigente?
Será que fechamos caminhos e criamos labirintos para não sermos encontrados.?
Tento falar pausadamente para me ouvir, como quem nunca erra a "cor" de uma palavra.
Sinto-me avariado.
As pessoas também avariam, sem que se saiba porquê. E eu tenho momentos assim.
Tal como os motores, os computadores, faço "pause". Talvez tenham sido fios cá dentro que encostaram, talvez seja necessário um "Back-up", após tantos "donwload´s" efectuados.
O "Scroll Lock" impede-me de continuar, retém-me nas memórias.
Será o "disco rígido" ou a "placa gráfica "? Sinto-me a perder velocidade, quiçá capacidade.
O que sei é que se fizer "Shut Down", vai tudo ao ar e perco-me de todo.
Mas será que as pessoas também avariam pelo muito que pensam ou pelo nada que vivem ?
Prefiro ser mártir das minhas crenças que cavaleiro em seu dorsel.
Não. Não posso julgar.
Ninguém pode julgar ninguém sem se olhar a si.
Pensamos os outros… imaginamos… puro engano. Só lendo na alma através do coração.
Não somos Deus, nem Anjos, nem Diabo.
- Diabo ? - Pró Diabo... como esse não serei.
O que não sou é servente de hipocrisias ou mestre-de-obras sem consciência.
Gosto da minha transparência, mas também me encubro em vestes de pó como se não existisse.
E ando neste limbo cinzento de inquietude, cansado.
Cansado de mais para "te" pensar, para "me" ver.
Vou saboreando ao longo do dia o sabor destas palavras, sabendo que nem todas as bocas saberão beber do meu cálice.
Não imagino o que sai, nem para quê.
São os olhos e ouvidos que quem me ouve lê e interpreta, que dão sentido às palavras e forma às imagens.
Porque um amontoado de palavras será sempre, e só, um amontoado de palavras se não fizerem eco na sensibilidade de quem tenta decifrar o seu significado.
… Sinto que a máquina tende a parar. “Ctrl” “Alt” “Del”…
Na música os compassos aprendem-se. Errando, repetindo e voltando a errar.
E sendo esta vida um jogo de espelhos, os erros, nossos e dos outros, devem ser considerados normais. Afinal quem pode atirar a primeira pedra?
Op´s!
“Pause”!

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