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A mostrar mensagens de Novembro, 2006
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Ontem, num grupo de amigos, discutia-se a problemática macho-masculina (na voz do António), do gajo que olha o rabo da gaja e se baba todo, como ranho de caracol.
Nunca tinha pensado nesta questão dos traseiros e da sua influência no comportamento masculino tão profundamente. Normalmente os homens vêem nestas questões, valores mais arredondados. Portanto, não sei se será questão, se falsa questão. E discutia-se a problemática questão de as rebolonas serem ou não, umas senhoras, ou umas pindéricas sem jeito para a coisa. Discutiu-se a filosofia do trejeito de anca, da perna mais ou menos torneada e até do tecido adiposo, que a substância traseira trás agarrada a si, o que, tornou o tema mais interessante, pois passou a discutir-se filosoficamente um problema de índole médico-cientifico.
Não sei o que tinha o tema de tão introspectivo, que o Mário, passou todo o tempo de boca aberta, maxilares bem firmes sem ranger os dentes. Os sorrisos esses eram mais que muitos, tal a definição científ…
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Por vezes dou por mim a questionar-me :
- Para onde vou, de onde venho, o que tenho feito, o que necessito fazer, se existo, se sou mesmo eu, se estou vivo.
Travam os meus neurónios lutas incessantes com uns fiozinhos cá dentro, para se conectarem. Mas por vezes não é fácil, as conecções ou estão lentas ou com dificuldades de ligação.
E questiono -me porque escrevo.
Se já nem tempo tenho para ler as "Visões" e "Sábados", que se acumulam por casa, mais outras que aparecem, mais os livros que vou comprando, de tal forma que aviso sempre;
- "... aqui ninguém mexe!"
para quem não sabe, devoro estas leituras todas de fio a pavio, o que é viciante, bem sei.
Mas afinal porque escrevo?
Tenho amigos que escrevem, conhecidos que escrevem, outros que nem conheço que escrevem também, uns editaram outros não.
Escrevem alguns vizinhos, como o do 6º Dt, mas acho que nem ele sabe. Escreve o Administrador do condomínio papeis que nunca mais terminam. Escreve o Lopes do café, post…
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Aproximamo-nos do mês, em que sinto-não-sei-bem-o-quê.
Uma inquietude que me agita o esqueleto. Aquele estado de alma, que me rói o corpo.
De ano para ano a estrada para o Natal, vai-se deteriorando. Só não deixo de a percorrer porque as crianças assim o dizem.
O comodismo, o consumismo e o cinismo tomam lugar na cadeira do Pai Natal.
Gosto dos beijos e abraços quentes e sentidos revestidos de um Natal apertado em laçarotes vermelho garrido. Gosto da partilha de afectos simples e despretensiosos. Não gosto dos que afastados numa maré com 364 dias, se lembram de enviar numa corrente de 1 dia, sms já gravados e reenviados por outros.
Não gosto das filas de adrenalina, mãos e cabeças agitadas num consumismo em espiral.
Não me encontro em hipocrisias latentes de desejos festivos em presépios de lata.
Sinto nesta época, um nó na garganta que me sufoca e se vai deslocando para me espremer as glândulas lacrimais.
Sinto vontade de saltar etapas do tempo, juntando crianças que olham montras e prendas …
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Ás vezes cometer um erro é a melhor maneira de se chegar a algum lado.
Veja-se Cristóvão Colombo. Se não tivesse cometido um pequeno erro de cálculo, o mais certo é que nunca tivesse desembarcado na América, mesmo que o fizesse, convencido que tinha descoberto o caminho mais curto para a Índia.
Na educação das crianças, erros de cálculo são frequentes.
Como são frequentes os nossos próprios erros na sua educação.
Não existem Humanos perfeitos (graças a Deus) muito menos Pais e Educadores perfeitos.
As crianças cirandam de ocupação em ocupação. E tanto o Estado como a Sociedade Civil, ainda não “procuraram” solução para esta questão.
Bem sei, que para muitos Pais e muitas mentalidades, é um “bem” a criança estar ocupada nos atelier´s, nas Escolas, nos Colégios, nos Jardins. Sempre não “chateiam”, não “ocupam” o seu tempo. E são esses Pais, que na sua época, brincavam nas ruas, corriam por jardins, jogavam á bola em qualquer local e aprendiam cedo e aos trambolhões a andar de bicicleta.
Hoje, …
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E inventávamos o Mundo,
pintando em aguarelas de cor, almas unidas num só gozo.
Como malabaristas, ilusionistas da vida, disfarçando choros,
os nossos choros em gritos de amor.

Fechava os olhos e parecia que
o meu corpo se dissolvia em nada.
E olhava-te no teu corpo de mulher
e mordia-te língua e lábios,
e cheirava formas e aromas do teu corpo.

E tenho vontade de te possuir, uma e outra vez, sem que nada inebrie os meus sentidos, sem cansaço, sem espera,
E olhar-te!
Olhar-te como se olha a vida,
procurando na tua alma a profundeza do mesmo olhar.

E sentir-te feliz num vento de sabor a sal,
do teu corpo que respira a céu aberto.
E sentir-te entregar, como o mar se entrega em orgasmos infindos contra os rochedos.
E passar-te a língua em lugares secretos, só teus, só nossos, onde o coração espreita ao cimo da pele.

O teu sorriso nervoso,
o teu olhar como pétala de um Outono florido em odes madrigais.
Que me procura, que me quer, que me despe,
Rasgando roupa e pele, num desejo de ternura.
Mas sonho-te fugir e…

SE...

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Se conseguir ver um gato preto na próxima esquina a cruzar-se comigo, se o eléctrico 32 passar um minuto depois da hora marcada, se o padeiro buzinar antes das oito, se confundir de novo o azul com o preto, se o telemóvel vibrar em vez de tocar, se mais uma vez não vir a mulher-do-padeiro, se chover de novo com 23 graus, se a menina do Renault verde voltar a ultrapassar pela direita, se os próximos 4 semáforos, continuarem vermelhos, se neste exacto momento me voltar a arrepiar, se a tartaruga fizer barulho no aquário, se o pinga-pinga da torneira não parar, se voltar a adormecer ao fim de 5 minutos de leitura, se o nevoeiro não se dissipar e deixar cruzar o arco-íris pela montanha, se a D. Alice do café me voltar a falar dos belos rissóis de carne da filha, se continuar a mexer o café para a esquerda, se o Teodoro Anastácio da Silva Campelo e Melo de Gouveia Frederico e Silva, não aparecer de novo na “Caras” com o patrocínio da mesma e viajar para a ilha dela, se os preliminares fore…

NEM SEI PORQUÊ!

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Lembro-me de já ter sido D. Quixote, Sancho Pança, D. Sebastião, famoso, estupor, óptimo e um bom malandro.
Nas bocas da penumbra, adocicados com sal refinado ou açúcar louro, ditados pelo povo, podemos ser qualquer coisa.
Pouco incomoda. Apenas ligeiros arranhões, naquilo que alguns tentam que se torne num acidente sem proporções.
Com o tempo habituamo-nos a que algumas salivas brotem venenos escarlates, o que com o passar do tempo se há-de reverter no seu próprio perfume envenenado.
Alguns já os vi cair. Outros por aí virão.
Leio cada folha da memória, e percorro caminhos de tempos passados.
Custa-me levantar pedaços de papel escritos com lágrimas fortuitas de raiva contida por infinitos tempos.
E hesito entre papel e teclas e Word e A4, entre o que sou, e o que me querem fazer.
Puro engano, imbecis. Cruéis desesperados de almas penadas e empedernidos socalcos de coração despedaçado.
Puro engano.
Jamais sabereis valores. Jamais me vereis senão aquilo que vos mostro, e que é tão pouco, que jam…
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Sara, abriu a pasta, e retirou o Moleskin preto.
Puxou da caneta que conservava religiosamente vai para dois anos, desde que ele sucumbira nos seus braços de Morfeu.
Escreveu-lhe:
“… A lua está fria e distante. Tudo está longe de mim. O ar vai ficando mais pesado porque o tempo não passa.
Há coisas a começar e a acabar, neste exacto instante. Vidas e sonhos, sonhos e vidas, e mar e estrelas e palavras e desejos e encontros. Amores encontrados, amores perdidos, outros desajeitados, quantos esquecidos.
E eu…. Eu estou aqui parada. Tenho pouco cabelo já. A químio arrasa-me os glóbulos, e tudo gira em volta de nada.
Não sei o que espero.
Não sei se estou à espera que algo comece ou acabe em mim…”

Rasgou a folha e escondeu-a debaixo da almofada, adormecendo.

Ele respondeu, sem tardar.

“… Sabes Sara, tudo deixa de ter importância quando falas, quando escreves, quando me olhas.
Pouco me interessa a duração do tempo. O tempo é tempo, nada mais.

O importante para mim, é o momento. Este momento que vivemo…

Acho que sim... sei lá...!

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Pasmo com a coscuvilhice, a falta de temas que as pessoas “não” têm.
E pasmo, porque mais do que tratarmos das nossas vidinhas, com os problemas inerentes a cada um, seja no emprego, no carro que está velho e não anda, nos filhos e na produção escolar, no vencimento que um dia destes é ultrapassado pela quantidade de impostos que temos de suportar, com a vida de casa e seus amores tão delicados, damos frequentemente pelo linguarejar das pessoas, sobre os outros, que de si, é bom que nem se fale.
Ele é tema de telenovela, de primeira página em papel de jornal nauseabundo, de revista cor-de-rosa social, daquelas que dominam os temas como verdades absolutas, do tipo, … “ o céu é azul”, …”amanhã se não chover, fará um rico dia”… “o sol quando nasce é para todos”…e blá, blá, blá.
As acusações chovem. Todos falam.
Espirram toda a lama na direcção de alguém.
Fazem chicanas em mesas de café, com um chá para quatro, ou aproveitam o pouco que trabalham para vociferar argumentos pestilentos sobre out…
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Tudo o que fuja da rotina ou do instalado, do sempre igual e constante marear, as alterações, provocam roturas, confusões e perplexidades.
Tudo muda, muita coisa muda, umas para o bem, outras para o mal, mas tudo acaba por mudar.
E muda quando queremos, quando estamos predispostos ou mesmo quando nem pensamos tal.
Temos receios de grandes alterações, de grandes mudanças, que façam mexer no quotidiano, que agite a nossa vidinha catolicamente instalada, que faça sombra à própria sombra.
Mexer em processos ou estilos de vida ou a qualquer coisa diferente de ligar a ignição, meter a primeira no automóvel e arrancar, carregar em botões, meter a chave à porta ou apanhar o 46 para o trabalho.
Sentar no mesmo café, atendido pelo mesmo empregado, ver o mesmo vizinho, levar as crianças à escola, assistir os mesmos programas, as férias no mesmo local de farnel na mão, a acomodação permanente e constante.
Mas tudo muda, muitas vezes a ritmo de caracol, devagar, lentamente, tudo muda.
Levamos tempo a ass…