09 novembro, 2006

NEM SEI PORQUÊ!


Lembro-me de já ter sido D. Quixote, Sancho Pança, D. Sebastião, famoso, estupor, óptimo e um bom malandro.
Nas bocas da penumbra, adocicados com sal refinado ou açúcar louro, ditados pelo povo, podemos ser qualquer coisa.
Pouco incomoda. Apenas ligeiros arranhões, naquilo que alguns tentam que se torne num acidente sem proporções.
Com o tempo habituamo-nos a que algumas salivas brotem venenos escarlates, o que com o passar do tempo se há-de reverter no seu próprio perfume envenenado.
Alguns já os vi cair. Outros por aí virão.
Leio cada folha da memória, e percorro caminhos de tempos passados.
Custa-me levantar pedaços de papel escritos com lágrimas fortuitas de raiva contida por infinitos tempos.
E hesito entre papel e teclas e Word e A4, entre o que sou, e o que me querem fazer.
Puro engano, imbecis. Cruéis desesperados de almas penadas e empedernidos socalcos de coração despedaçado.
Puro engano.
Jamais sabereis valores. Jamais me vereis senão aquilo que vos mostro, e que é tão pouco, que jamais sereis donos de qualquer verdade.
Engano vosso.
Carpideiras do sangue de outros e vampiros dos demais.
Podereis adiar fumos brancos. Vendilhões do tempo, desgraçados desgarrados do interior vazio que é o vosso.
Verdugos de penumbras, vividos em escuridão, sem rosto, sem mãos, sem pele, sem expressões. Fechai gavetas e portas, dobrai fechaduras das vossas casas, onde habitam fantasmas existenciais.
Lavai-vos com água benta, das impurezas da alma que habitais, colocai um qualquer roll-on, que vos perfume a existência e vereis um novo ressurgir, num amanhã diferente, para melhor, se fores capaz.

1 comentário:

MeuSom disse...

Ah! AMEI!
Falem mal de mim, mas não me esqueçam!
E sempre te magoarão, porque és "maior" e os "maiores" uma infima percentagem aguenta.