31 dezembro, 2006





"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de Acreditar

que daqui para frente...

tudo vai ser diferente ...!



"Carlos Drummond de Andrade"

30 dezembro, 2006


Existem estradas sem direcção e caminhos tortuosos a percorrer.
Acontece-nos em quase tudo, um esforço tremendo para conseguir pequenos nadas.
Como um Dali, as estrelas pintaram o céu, troquei os passos que esperava dar e amparei-me para não cair.
Sei que quase ninguém me lê neste canto.
Coloco letras em frases seminuas e abandonadas. Sou eu e elas, as letras.
Por vezes consigo vê-las saltar pelo papel, caminhando não sei porquê nem que direcção tomam,
e com dificuldade junto-as como um pastor o faz com suas ovelhas.
Essas letras, não são um rebanho, mas talvez, inquietas criaturas que fazem questão de perturbar o meu sossego.
Ordeno-lhes disciplina cuidada, rigor, contenção, mas as malvadas correm pelos textos, saltam parágrafos, e brincam, rindo muito, muito, pelo esforço que faço em mantê-las ordenadas.
Uso papelinhos que escrevinho e acumulo nos bolsos, como se levasse daí alguma vantagem.
Mas, não raras vezes, os papéis de pouco servem, saltando da memória para o teclado, frases, ideias, lembranças, que fintam esses papelinhos que nem Garrincha num drible vertiginoso.
Qualquer composição frásica com mais de três palavras, torna a minha facie sorridente.
E olho-me no espelho da alma revelando-me como numa foto a cores.

O meu coração gosta de entoar melodias (daí algumas taquicardias e extra-sístoles que me assaltam), parecendo por vezes um sino de bater repenicado.
Habitualmente anda exultante, por vezes deprimido, desassossegado, carente, desolado, mas isso é porque exijo muito dele, como de mim, aliás.
Como um Rembrandt, procuro simbiose nas cores e nos traços. Pincelada ali, retoque acolá, faço de um grotesco um quadro afinado.
Procuro imitá-los não repetindo erros, aprendendo com eles, mas como não uso máscara de protecção, dando o peito às balas, vou acumulando cicatrizes.
Imagino a quantidade despropositada de sinapses que o meu humilde cérebro desperdiça ao pensar. E como vou amontoando, pensamento, trabalho, leituras, investigação, mais pensamento e mais trabalho e tudo um pouco demais, tenho medo que o meu cérebro se auto esvazie.
E muitas vezes, esgotado que estou, é essa a sensação - de auto esvaziamento.
Aí tento reciclar.
Verde, azul, amarelo, qual Ecoponto, até conseguir pôr tudo no lugar.
Pois… a produção excessiva dá origem ao desperdício, não é?
– Moderação menino, moderação…

26 dezembro, 2006





E agora?
Depois da euforia dos sacos na mão, rabanadas recheadas, Peru e Bacalhau com todos em fartas mesas, dos carros estacionados em 2ªs e 3ªs filas, para um ultimo retoque no presente que esquecemos, nos bons dias dados a correr, o abraço apertado e aperto de mão esfuziante, àquele que ainda ontem vimos e fizemos de conta-que-não-pois-ele-é-um-chato-do-caraças-e-eu-não-tenho-paciência.

Do Feliz-Natal-e-Festas-Felizes-e-se-não-nos-virmos-um-Bom-Ano-para-si-também, que sai a correr sem significado e sem jeito, em sílabas mastigadas com os restos do bolo-rei que ficou do café tomado no centro comercial.

Do frenesim de cores, de embrulhos, de laçarotes azuis, vermelhos, verdes, multicores, da camisola Gant, do lenço Burberry´s, do sapato Chanell ou da ultima-moda-xpto-eléctrica-que-ainda-ninguém-tem-e-faço-um-grande-vistaço.

E agora?

Largados os últimos, cirandando na rotina normal dos nossos dias, onde fica tudo isso?
Onde colocamos a excitação das ultimas semanas, dias, horas, minutos?
Onde colocar os velhos que nos fizeram companhia na Ceia de Natal?
Outra vez no contentor das coisas raras encostados uns aos outros numa inesgotável fila de encaminhados para um destino comum?
Onde deixar o pobre pedinte ou o “tontinho” do saco às costas e Phones de trabalhador das obras nas orelhas a imitar o Michael Jackson?
Será que os vamos pôr de lado mais um ano, como fazemos com os presépios, o Menino Jesus em palhinhas e a vaquinha sorridente que olha o céu esperando a chegada dos Reis Magos?
Será que não podemos começar a sorrir em lugar de apontar o dedo indicador?
Será que podemos “perder” uns míseros minutos e olhar o pobre, o velho e o doente que se cruza connosco diariamente?

Será que já fizemos o esforço de olhar à nossa volta e ver o vizinho, o miúdo que joga a bola no pátio ou no jardim e a senhora doente que com 125 €/mês de reforma, todos os dias atravessa a rua para carcomida pelo tempo, ir buscar o seu alimento feito de leite e de pão?
Será que a indiferença não nos afectará um dia a todos nós directa ou indirectamente?
Não seremos mais gente, mais preenchidos se olharmos com um sorriso quem nos envolve com passos vagarosos ou apressados um dia após outro?

Teremos de chegar a um outro Natal e calcorrear os mesmos caminhos na direcção do nada, sem conseguirmos realizar um dos nossos destinos de vida na vida, tornando “o Outro” um pouquinho mais feliz?

Vamos continuar a olhar de lado para os sujos, doentes, oprimidos, velhos, pobres e demais, e atirar para os outros os ónus sociais das misérias que habitam paredes-meias com os excessos?

Porque será que este Mundo continua a organizar as 15h do orgasmo colectivo e não faz as 16 h da visita a uma família carenciada e lhes leva pão, roupa, leite, dignidade, sorriso, felicidade e um amanhã melhor?
E agora?

23 dezembro, 2006





Na Marta já tentou acertar 3 vezes no coração, pontaria desafinada, danadinho.
Setas que pretendo atire e acerte em cheio... nada!.
Grave problema para quem faz da vida, Cupido.
Anda distraído, cabisbaixo, olheirento. O meu Cupido não anda bem.
Sentimentos de amargura pela falta de pontaria apresentada.
Como ontem... "...Vá, Cupido acerta naquele...."
E ele, apertando-o-arco-contra-o-peito, susteve respiração, disparou e... flecha no chão.
Nos treinos já caiu de telhados, tropeçou em baldes, bateu com a cabeça em postes, quase foi atropelado.
Quando dispara na pessoa errada, deita a correr até conseguir retirar a seta.
E chega-se perto de mim e fala-me ao coração pedindo desculpas e afagos.
Quantas vezes lhe digo, para ir tentando..."um dia vais conseguir..." "andas nervoso..." "ainda não apanhaste o jeito..." "são pequenas fases..." "muda de arco... "
Pede-me desculpa atrás de desculpas, e eu... desculpo, claro.
Pobre Cupido.
Eu acho que ele tem mesmo falta de jeito.
Por vezes insistimos em algo para o qual não ajuda, nem engenho nem arte, e ele, não nasceu para Cupido.
Já tentei substituí-lo, mas é tão apegado a mim, que o melhor mesmo é acarinhá-lo, dar-lhe doces, afagá-lo, mimá-lo e tê-lo juntinho a mim, não vá o coração disparar de repente.

22 dezembro, 2006



Se embalares o meu sono
numa noite de cidade cansada, num imenso adormecer.
Num ritmo citadino, fluido, pedindo retorno à intimidade.

Se te aconchegares em mim,
enrolando-te em sons e aromas de fragrâncias campestres em corpos cansados e adormecidos, onde as palavras perdidas de sentido ecoam num espaço reduzido, como reduzido o nosso tempo.

E ouvimos ruídos de delinquentes com um passo a descompasso, cambaleando como “zombies” inebriados ao som do álcool que lhes tilinta nos olhos.

E embalo o meu sono em silêncio recolhendo despojos de mim, fazendo de ti concha em mim.
E guardo sorrisos e carícias e memórias que congelo para usar amanhã num qualquer micro-ondas de um qualquer lugar em que me encontre

E fecho a cadeado as minhas fraquezas não deixando transpirar um único acorde da musica que entoo, embalando sozinho o teu corpo em mim.

Fecho os olhos e resigno a minha condição a um interior de oceano sem fim.
Coberto de quando em quando num manto cerrado de nevoeiro.

17 dezembro, 2006



Como gosto de morangos rubros e suculentos numa tarde de verão...
como gosto de dias ensolarados despontando de névoas matinais em promessas de vida ...
como gosto da chuva a fustigar-me o rosto num qualquer entardecer...
do mar infinito, sereno ou alterado cuja imagem não se repete nunca...
da estrela cadente que trespassou o olhar sem sequer permitir formular um desejo ...
do dia que amanhece e adormece e amanhece de novo, sempre em tons de surpreendente colorido
de mim e de ti e de outros que passam e espreitam um gotejar por entre portas,
de um Porto ribeirinho, de uns bons malandros ou janotas aprumados,
de damas de chapéu arqueando sobre ombros com peles de boutiques finas,
de pedintes, de ouvintes, de um dragão vencedor.
Da água fria da foz e as suas margens reluzentes, como reluzentes as francesinhas do Capa Negra.
De um carro eléctrico que sobe os clérigos a compasso, dando graças ao granítico monumento
E a outros que povoam esta cidade de gente bela, de gente boa.
De um Porto sentido, por todos que lá chegam ou partem.

13 dezembro, 2006



Ela é uma matadora.
Bamboleia os quadris, umbigo ao vento, pele tratada, unhas de gel, mamas de silicone, pestanas de plástico, sobrancelhas de feltro.
Ela é uma vedeta.
Caminha como se estivesse sob holofotes.
Eles param, torcem e retorcem o pescoço, alguns já têm jeitos, afagam os bigodes e dão um ar de galanteio.
Pressente os olhares e bamboleia como numa dança erótica o seu corpo semi-artificial.
Entra no café da avenida e do barulho, silêncio gélido se faz.
Entrou a matadora.
As mulheres desdenham a imagem e comentam em surdina ...os “valha-me Deus, coitada...!, e
..."olha-me esta pindérica...", num misto de inveja e troça refinada.
Os Homens, são dominados por um resfriado de gentileza no trato, e os “faça favor...”, “claro que sim, concerteza...”, espalham-se pelo balcão.
Um olhar mais maroto, atravessa a sala.
O Sr António, velho lobo do mar, faz o Sudoku.
Duas filas feitas, engano no 8, apaga o 4, decide-se pelo 3.
Lança novo olhar e um “Ai se eu fosse mais novo...”- ecoa.
A matadora, não se desmancha. Estes comentários são doces para o ego.
Tenta disfarçar no meio da bica e do queque de passas e vira as páginas do correio da manhã.
Segue a frase com o dedinho por debaixo como se régua se tratasse não lhe vá escapar a letra. “Ai, Dona Zistrudes, este Amaricano é miiiieeeesmo bom...”. - diz, olhando a foto de um
actor e dando uma de finesse refinada.
Cai o lápis ao velho lobo.
O Senhor do Banco, alguns passos ao lado, tosse e espalha cinza do SG na bica curta em chávena aquecida.
Gertrudes, mulher de bofes na boca e mão na cintura com cinquenta e tal de balcão, abre a boca. O comentário sai:...“Mas ela fala. A boneca entrapada fala...”
A matadora não se desmancha, tais são os espartilhos.
Do seu cérebro franzino, duas correntes tocam neurónios provocando uma explosão de deslumbramento.
Deixa os cinquenta da bica e sai com as madeixas loiras tocando-lhe os olhos.
Ela é uma vedeta. A matadora de Chelas.

08 dezembro, 2006

Nódulo que tapa a alma


Descobriu em si um nódulo que lhe amordaçava a vida.
Sentiu-se perder as forças e a razão. A esperança esfumou-se. Em breves segundos revisitou todos os lugares, relembrou todos os momentos, todo o seu tempo.

Estática, compenetrou-se das razões que não achava e eclodiu num choro compulsivo.
Arrumou-se em si mesma como um trapo que se enrola.

Sentia o corpo ceder como se não habitasse nele e o visse algures por aí.
Os músculos quase não reagem, tem uma ansiedade que não acaba e nem uma única célula que não esteja virada do avesso.

Pensou imediatamente porque razão Deus a tinha abandonado. Mas todos sabemos que Ele não pode atender a todos os necessitados e enquanto não arrumar todo o seu expediente, não se volta para aqui.

Amélia, sentiu um arrepio gelado de dor que atravessa a alma.
-"A morte passou por aqui, … exclamou."

Eu bem senti, que o tempo hoje estava diferente e que as brincadeiras no parque, geladas também elas, assim estavam, porque a morte andou por lá a brincar às escondidas.
-“ Mas logo agora, que até tinha a vidinha mais composta” – disse

Mas não podemos esperar tempo nem vontade, pois nada acontece quando se espera.
A vida prega-nos rasteiras inesperadas, e não escolhe tempo nem lugar.

Eu sabia aceitar o meu inverso, sabia aceitar tumultos de alma como aqueles que me invadem a existência.

Eu acreditava em muitas coisas.
Estabelecia conceitos, mas sempre fraquejei quando tentei pô-los à prova.
Sempre tive uma vida muito previsível, muito dois mais dois são quatro, uma vida mortal e lúcida, transparente e pouco deslumbrante.

Diga-se de passagem que de deslumbrante também, sempre tive pouco.
A beleza, esqueceu-se de pousar por aqui e foi bater a outras portas, os óculos com graduação tipo fundo de garrafa pouco me abonou, a maldita da espondilose que toda a vida me atacou, e agora por fim, até tendinites ganhei, do trabalho na fábrica.

Mas a minha vida era em tudo igual a um relógio, com os ponteiros rodando, sempre ao mesmo ritmo sempre no mesmo compasso. Tic tac tic tac. Voltas e voltas, nos segundos, nos minutos nas horas, nos dias, por aí fora. Até hoje...

Até ao dia em que me encontro minada no corpo e dilacerada na alma.

E quando tento percorrer com os meus olhos o desconhecido, fica tudo mais complicado pelo indecifrável futuro.
“… mas preciso encontrar forças e razões para lutar…”

Vejo almas que sorriem, e tento entender porque sorriem.
As almas vagueiam em espaços recônditos. Tento perceber porque andam assim por aqui.
Para onde vão.

E caminham rapidamente num descontrolo de movimentos. Mas devem ter destino, se não porque aumentariam o seu passo tornando-o apressado?
Uma alma sem destino não precisa aumentar a cadência do seu andar…

Elas choram quando me olham e trazem cicatrizes espalhadas pelo corpo, que em tempos foi belo, e fazem-no por mim… mas eu não sei como fazer para que elas voltem a sorrir…
Mas porque haveriam de sorrir?
Amélia levantou-se.
Limpou as lágrimas e sorriu. Sorriu como nunca tinha sorrido.

Olhou pelo canto do olho e viu a vida lá fora.
Sentiu vibrações em seu redor, boas vibrações, sussurros de alma nos seus ouvidos e sorriu, sorriu de novo, e sentiu uma luz forte, como um sol invadindo e irradiando felicidade, renovando o seu corpo.
“… sinto que preciso reaprender a viver…”

… e sentir a minha alma ferver de lava incandescente de vida e apelo à vida, como um vulcão que cospe lava por todo o corpo e o faz estremecer de calor e, de novo… de paixão.
Paixão pelos que me rodeiam, amor pelos filhos, pais, marido, irmãos.

E uma alegria imensa por saber que estou viva e por me ter sido concedido o sabor o prazer e o poder de sentir a vida.
… E abraçou-se de novo à vida, vivendo a vida de novo!

05 dezembro, 2006


Quero viver como um gato.
Enrolar-me nas tuas pernas e ronronar para que me afagues.
Beber leite em tigelas de plástico e comer peixe fresco pelas tuas mãos.
Quero pousar relaxado no teu sofá e encostar a minha cabeça no teu colo como quem não espera por amanhã.
Quero deliciar-me entre os livros que estás a ler e lamber o meu pelo depois do teu afago.
Quero ouvir-te ralhar quando espalho pelos por toda a casa e arranhar-te a pele quando brincas comigo.
Quero escutar os teus desabafos mesmo que não os entenda e miar de noite enquanto dormes.
Quero cheirar-te a pele e afogar-me no teu perfume de princesa.
Quero ser gato para subir aos telhados, saltar de beiral em beiral, ter sete vidas e dessas sete, viver catorze contigo.

03 dezembro, 2006

Contra a Indiferença !


Andamos ocupados com lembranças, prendas, corridas de ilusões próximas e distantes, numa mistura de deslumbramento com luzinhas a piscar em êxtase de consumismo frenético.

Passam por nós, novos e velhos, desenganados uns, coitados outros, cabisbaixos, sujos, melancólicos de tempo perdido, não se percebendo, tamanha a crueldade destes tempos, onde começa cada um de nós e acaba cada um dos outros.
Onde completamente indiferentes pela vida, não cedem lugar a sonhos realidades ou fantasias, e sem esperança no futuro, vegetam em circuitos urbanos.

Olhos opacos, pele tisnada e gasta, mãos sofridas da escravatura do sonho.

Percorro estas ruas de Dezembro, como de apeadeiro em apeadeiro, enchendo a memória e o olhar, para despejar na estação mais próxima, lágrimas por rostos de criança a quem foi prometido um Mundo e a quem deram, nada.

E se cada um de nós se plantar em pensamentos distantes e imaginar infâncias assim vividas, como seria o nosso olhar?
Como seria o tempo, de um tempo sem tempo, em que nos tornássemos um qualquer “Tó Mangas”, e olhássemos uma montra com aviões telecomandados e Playstation Portable, e déssemos por nós a 25 do mês de Jesus, a retirar de um sapato roto pelo desgaste do caminho, um carrinho de chapa?
Como seria ter, em vez do Peru e Bacalhau cozido com batatas regado com azeite virgem, uma sopa partilhada com muitos outros, que de tanto acrescento, nada mais restou?

E cruzamos com rostos de criança marcada, que nos estende a mão de conveniência, da qual nos afastamos, não vá ela sujar o fato acabado de estrear. Criança essa que tem alegria mitigada, de quem sabe que o Natal é só para outros.

Entendemos lutar contra esta indiferença, proporcionando um dia melhor por cada um de nós, numa sociedade tão vazia de valores e humanidade, tão repleta de indiferença e vaidade, tão intensa de um tudo que é nada.

Valem-nos esses olhares tristes, mas verdadeiros, para nos ensinarem o que é a iluminação de Natal e nos encherem as Vilas e Cidades com sentimentos de afectos e partilhas, a quem abrimos as mãos, e nos despojamos de nós.