Como gosto de morangos rubros e suculentos numa tarde de verão...
como gosto de dias ensolarados despontando de névoas matinais em promessas de vida ...
como gosto da chuva a fustigar-me o rosto num qualquer entardecer...
do mar infinito, sereno ou alterado cuja imagem não se repete nunca...
da estrela cadente que trespassou o olhar sem sequer permitir formular um desejo ...
do dia que amanhece e adormece e amanhece de novo, sempre em tons de surpreendente colorido
de mim e de ti e de outros que passam e espreitam um gotejar por entre portas,
de um Porto ribeirinho, de uns bons malandros ou janotas aprumados,
de damas de chapéu arqueando sobre ombros com peles de boutiques finas,
de pedintes, de ouvintes, de um dragão vencedor.
Da água fria da foz e as suas margens reluzentes, como reluzentes as francesinhas do Capa Negra.
De um carro eléctrico que sobe os clérigos a compasso, dando graças ao granítico monumento
E a outros que povoam esta cidade de gente bela, de gente boa.
De um Porto sentido, por todos que lá chegam ou partem.

Comentários

tcl disse…
Como partiu, deixando-nos mais pobres, o grande Eugénio.

http://www.astormentas.com/andrade.htm

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