Contra a Indiferença !


Andamos ocupados com lembranças, prendas, corridas de ilusões próximas e distantes, numa mistura de deslumbramento com luzinhas a piscar em êxtase de consumismo frenético.

Passam por nós, novos e velhos, desenganados uns, coitados outros, cabisbaixos, sujos, melancólicos de tempo perdido, não se percebendo, tamanha a crueldade destes tempos, onde começa cada um de nós e acaba cada um dos outros.
Onde completamente indiferentes pela vida, não cedem lugar a sonhos realidades ou fantasias, e sem esperança no futuro, vegetam em circuitos urbanos.

Olhos opacos, pele tisnada e gasta, mãos sofridas da escravatura do sonho.

Percorro estas ruas de Dezembro, como de apeadeiro em apeadeiro, enchendo a memória e o olhar, para despejar na estação mais próxima, lágrimas por rostos de criança a quem foi prometido um Mundo e a quem deram, nada.

E se cada um de nós se plantar em pensamentos distantes e imaginar infâncias assim vividas, como seria o nosso olhar?
Como seria o tempo, de um tempo sem tempo, em que nos tornássemos um qualquer “Tó Mangas”, e olhássemos uma montra com aviões telecomandados e Playstation Portable, e déssemos por nós a 25 do mês de Jesus, a retirar de um sapato roto pelo desgaste do caminho, um carrinho de chapa?
Como seria ter, em vez do Peru e Bacalhau cozido com batatas regado com azeite virgem, uma sopa partilhada com muitos outros, que de tanto acrescento, nada mais restou?

E cruzamos com rostos de criança marcada, que nos estende a mão de conveniência, da qual nos afastamos, não vá ela sujar o fato acabado de estrear. Criança essa que tem alegria mitigada, de quem sabe que o Natal é só para outros.

Entendemos lutar contra esta indiferença, proporcionando um dia melhor por cada um de nós, numa sociedade tão vazia de valores e humanidade, tão repleta de indiferença e vaidade, tão intensa de um tudo que é nada.

Valem-nos esses olhares tristes, mas verdadeiros, para nos ensinarem o que é a iluminação de Natal e nos encherem as Vilas e Cidades com sentimentos de afectos e partilhas, a quem abrimos as mãos, e nos despojamos de nós.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O MUNDO DE PERNAS PARA O AR

Deixa ficar assim…

DESEJOS E DEMÓNIOS