22 dezembro, 2006



Se embalares o meu sono
numa noite de cidade cansada, num imenso adormecer.
Num ritmo citadino, fluido, pedindo retorno à intimidade.

Se te aconchegares em mim,
enrolando-te em sons e aromas de fragrâncias campestres em corpos cansados e adormecidos, onde as palavras perdidas de sentido ecoam num espaço reduzido, como reduzido o nosso tempo.

E ouvimos ruídos de delinquentes com um passo a descompasso, cambaleando como “zombies” inebriados ao som do álcool que lhes tilinta nos olhos.

E embalo o meu sono em silêncio recolhendo despojos de mim, fazendo de ti concha em mim.
E guardo sorrisos e carícias e memórias que congelo para usar amanhã num qualquer micro-ondas de um qualquer lugar em que me encontre

E fecho a cadeado as minhas fraquezas não deixando transpirar um único acorde da musica que entoo, embalando sozinho o teu corpo em mim.

Fecho os olhos e resigno a minha condição a um interior de oceano sem fim.
Coberto de quando em quando num manto cerrado de nevoeiro.

1 comentário:

Paula disse...

Por vezes todos somos feitos de um oceano sem fim, como se o nosso interior nos submergisse.
O nevoeiro, as dúvidas, a confusão, o não saber que opção tomar, faz parte da essência de um ser humano!
Mas no fim, decide-se, avança-se em coragem e determinação!
E o nevoeiro desaparece e o sol pode ocupar o seu lugar!