30 janeiro, 2007

Tempo de coisa nenhuma...!






Um pedaço de tempo, uma parcela, uma fatia de tempo vivida como coisa nenhuma.
Mas, porque é tempo, teve o seu próprio tempo!
Como um gesto sem jeito, deambulo o olhar e busco em cada ponto preciso o que não vejo, mas adivinho.
Um dia destes, deixo de sonhar ou vislumbrar.
E passa o tempo, tempo de coisa nenhuma, como se fosse uma eternidade, ou como se nunca tivesse acontecido, tão difuso e longínquo me parece.
Prefiro a tua ausência a uma visão infinita e turva. Prefiro não pensar para não sentir, que jamais estarás lá.
Que soturnos estes dias!As figuras da cidade escoam-se como fantasmas, imagens sem corpo ou forma distinta, manchas confusas que atrapalham o olhar e a precisão do que procuro. Cães passam ladrando, automóveis apitando, vozes, ruídos, travagens, obras e movimento impreciso. E eu, caminho, em função de um qualquer tic-tac, de um qualquer “surround”, de um qualquer altifalante que informa-sobre-qualquer-coisa-que-nem-sei-o-quê.
A memória, altar das emoções, sem esforço, num exercício ininterrupto e tão natural como respirar, põe e dispõe!
Num turbilhão todos os sentidos, todos os sentimentos se apossam de nós... em todos os instantes e em cada instante de todos os momentos, de que cada momento, é feito.
De modo indelével acabou por se ancorar em mim a memória de ti.
Como quando termino a leitura de um livro.
Fecho, acaricio a lombada deformada, denunciando a cumplicidade partilhada nos momentos vividos em estreita intimidade... e pela mente perpassam imagens em cadeia, como se de um filme se tratasse.
Prefácio, princípio, meio e fim.
E as palavras não bastam para descrever as emoções, descrever sentimentos.
E volto a caminhar e a olhar, tentando vislumbrar sombras ocultas, inquietas, abstractas,
E reparo em cartazes expostos em paredes enegrecidas, ou anúncios em “Néon,” de filmes em que não participas, ou anúncios de TV, para os quais olho sem porquê.
E são tempos, tempos frios, saudosos, como criança que eras e corrias brincando no jardim fronteiriço, ou quando agarravas num qualquer pedaço de nada e me punhas na mão como quem beija uma estrela, e sentia-te chegada a mim, que sou nada.
Mas que tempo é este, de guerras e gritos, de fome e desespero, e de tudo e de tanto e de nada.
Neste tempo de coisa nenhuma.

28 janeiro, 2007

Dos sentidos...e dos sentimentos














Tenho os sentidos embotados pela tua presença em mim.
De mim fugiste, sem dizeres porquê, sem o dizeres propriamente, apenas te afastando lentamente e lentamente deixando o rasto da tua ausência.
Tento esquecer-te, mas ouço a tua voz em todas as vozes e todas as músicas, vejo o teu rosto em cada pessoa com que me cruzo, cheiro o teu corpo em todos os aromas que a brisa me traz, e na minha sinto a tua pele, tacteada por entre terminais nervosos.
Sabias a alfazema, frutos maduros do campo nos cheiros que me conservam,
e ouvia-te sussurrar com mil cuidados para um tímpano sensível acordes doces cobertos de chocolate em mim.
Untavas palavras com perfumes suaves e frescos e chegavas-me uma colher do doce que tinhas barrado com toques de Rembrandt, para que se salientassem neste degustar em ti.
E tinhas lírios no cabelo e mar nos olhos e um sorriso de mundo aberto em mim, que guardo como recordação eterna e serena.
E fui-me retirando do mundo e o mundo de mim, como se fossemos pólos difíceis de tocar.

E tudo isto são sentimentos…

Alguns menos sensíveis, não navegam nestas águas, raramente sentem transformações no corpo e o cérebro está formatado para outras sensações.
Quem sente, afina e desafina, tem mudanças de temperatura, ri e chora, procura e encontra, encontra e não tem, solidifica e fraqueja, salta barreiras ou é derrubado por elas.
Dos sentimentos procura-se saber arrumá-los para que a eles se possa sobreviver.
Arrumar não é afastar mas apenas tê-lo num lugar sensível, muito próximo do peito, onde possamos agarrá-lo e afagá-lo ternurentamente.

Lembro-me há uns tempos, ter visto um amigo com os sentimentos pela mão. Passeava com eles, trazia-os nos bolsos e aos poucos foram-se perdendo.
Hoje, gastou-os e não procurou alimentá-los para que sobrevivessem.
Tornou-se frio, distante, inquieto e no peito uma fortaleza inexpugnável.
Sei que tem saudades, mas fora avisado que não se passeiam sentimentos pela mão… podem-se perder.
De outro sei, que os coloca num saquinho plástico, bem aconchegado e tapado com um pano para que não sofra resfriado. Mal fez, o coitado soluçava constantemente por não ter ar nem visão. Entristeceu-se o sentimento e apagou-se, sufocando.
Outros exibem-nos como penduricalhos ao pescoço, e agitam-nos num vai e vem frenético como os seus movimentos de cabeça, que torna neurónios em doce de pastel de nata.

Estes poucos cuidados, fazem dos sentimentos, coisas banais e funestas, atirados para um local sem espaço e desarrumado, mal cheiroso, e pouco ventilado.
Mas quer-se um sentir quente, envolvente, doce, que me lembre de ti, mesmo que longe, mesmo que o mundo rode ao contrário e me faça o que não sou, e me arrume num canto rodeado de livros a mim ou de crianças a ti.
Que te escreva e descreva uma voz e um rosto, um aroma e uma canção, um sentimento positivo de esperança, para viver.
Que seja o que sentimos, maior que o universo, tu no teu mundo que não conheço, e eu no meu, que raramente sei onde fica.

22 janeiro, 2007









Hoje, a manhã vem sorrateira, por entre frestas, tingindo de luz as paredes do quarto onde me deito e onde busco as fotos que já perdi.
A Fada diz-me para não procurar a dor, e a dor não veio.
Não atravessou paredes, não abriu portas, não entoou canções, não atravessou luz, nem tempo, nem dor, nem medo.

Simplesmente não veio.
Apenas me disse: Renova afectos e conquista novos em ti.

Porque o que me davas era areia e essa desfazia-se como os doces trinados que entoavas ao meu ouvido.

E a Fada sabia...
Hoje que cessei de olhar os quadros e o candeeiro a petróleo, não sou mais ausente.
Risco a tua face com o meu lápis de carvão e invento memórias de ti.
Apago quando quero e altero o bater do coração, podendo até trocar de sitio.
Pulmão no rim, coração na vesícula, pâncreas nos intestinos.
Modifico a meu gosto como tu fazias quando existias em mim,
que alteravas todo o sentido e toda a existência,
como só tu...!



Rasgo ideias que se entrelaçam em palavras que compõem poemas, pintam quadros de Amadeo e Picasso, formas quebradas, múltiplos ângulos em contraluz e a doce harmonia duma guitarra que dedilhada chora.
E percorro o Ganges e o Nilo na busca de fé. Porque vamos morrendo devagarinho, perdendo pele, visão, pêlo, audição, dicção e os poucos reflexos de vida que a vida nos dá e tira, apagando alguns neurónios que nos mantêm e leva-nos o sangue por esgotos rasgados, na exacta porção do tempo.
E do tempo ando eu atrás (tenho a sensação de que ando sempre atrasado para tudo...).
E procuro locais de culto como o Nyatpola no Nepal, onde me sinto levitar e onde as ideias de forma suave, surgem.
Como o Tigre e o Eufrates, e a cadeia montanhosa do Eurarat me enchem e remexem e abanam costurando agasalhos interiores de roupas desfeitas por fora.
Adorava quando preenchias o meu silêncio de tudo e de nada e na maior parte do tempo de coisa nenhuma.
Mas eras tu. Por isso eu gostava.
Diziam os outros, que não existias...
Sei lá, eu!
Mas vivia assim.
Entre o ter e o não, entre o ser e a razão, o porque sim e o porque não.
Mas era por mim, sem saber que vagueava sem sentido num qualquer tempo de encontro, esperando novas e fecundas e imagináveis retóricas dispersas interiormente... que não chegavam.
Para mim, que despido de vergonha pedi à Fada que ajudasse a encontrar o Sol,
Astro-rei-que- tudo-sabe, e lhe pedia que me ensinasse a decorar as palavras que me ensinavas no idioma dos teus ancestrais.
O que eu fazia por amor...

18 janeiro, 2007







Dedilhas palavras numa escrita indecifrável para mim, como se escrevesses em partituras para piano e violino, palavras rendilhadas com notas de alma e emoção.

Solfejas lábios em mim, num contorno retorno de doces morangos em pele humedecida pelo toque
de frutos silvestres em gelado feito eu.

Percorres o teu no meu tempo, em acordes madrigais num dó menor em sol maior.
Cheiras meu corpo em tua pele e desatas a rir como nunca o fizeras,
sentindo alegria de dois em prosas dobradas em quatro.

Sei que o coração me arrasta a cabeça, mas quantas vezes ela estala de pulsações antagónicas, em que pequenos nadas travam enormes correntes de sangue em veias a ferver.

E quero ter locais de culto onde rezo e choro e peço e sofro e cresço e vivo para depois morrer em ti.
Como dedilho e canto e solfejo e rio e sopro e acordo em mim
... pedaço de mau caminho.

13 janeiro, 2007



Pena que nem todos saibam beber do Meu Cálice...!
Como prefiro que sorva do meu cálice quem me saiba saborear, degustando cada silaba intensa e tranquilamente”.











Os dias correm devagar como se tivessem pressa de coisa nenhuma.
Ou talvez tenha sido sempre assim, um tempo feito de nada.
Algumas pessoas são também como o tempo, feitas de nada.
Vazias, ocas, amargas, invejosas, tristes, infelizes, ignorantes e anónimas.
Numa existência anterior à criação do tempo, impuseram-nos códigos, que por serem genéticos, fizeram de cada um diferente de cada qual.
A incapacidade de aceitar diferenças, credos, cores, raças, uma ou outra possibilidade, alguma capacidade ou mesmo vontade, faz com que alguns sejam intolerantes, racistas, xenófobos, maldizentes, cruéis e pretendam ser guardiões dos templos dos outros, isto é, tentem emitir sobre todas as coisas... opinião.

Mas desses nunca se viu trigo nem joio, escrita ou leitura, solidariedade ou apoio.
Aprendem essas pessoas a sorver palavras e gestos emprestados, ponteando o viver de modo uno e invisível, nem sabendo qual o modo de existir.

Percorrem ruas e avenidas, olhando os outros sem razão aparente, se não a aparente razão de copiar a existência, como quem procura um espelho ou multifacetadas imagens de um desejo de ser igual a qualquer um ou a qualquer coisa.

Procuram preencher o vazio, da paixão, da admiração, do amor, do carinho, do ser criativo, da inveja, do ser mal-amado, mal resolvido ou incapaz de SER .
Buscam então num outro qualquer, coordenadas estratégicas, com apelos a uma rosa-dos-ventos, oráculo visionário de vidas inquietas.

Quando olham, desejam ser possuídos por outro olhar, imaginando corpos e formas, sonhando com um mais além que crêem possível mesmo quando não sabem como.
Entre fantasias tentam um golpe de asa que os liberte da estranha condição de viver.
Se pudessem mudavam de pele como as cobras , renascendo como novos.
...Temos pena... !

09 janeiro, 2007

Nocturno












... e a noite caiu sobre a Lisboa cansada.
e o ritmo citadino, como que regulado por um qualquer mecanismo rigoroso e infalível, abranda, fluindo então tranquila e quase sonolentamente, anunciando o retorno à intimidade.
E a chuva incessante que cai confere o tom urgente do regresso...
E a noite desperta sons e aromas adormecidos nos corpos cansados e esquecidos.
Como se a rotina castradora do dia-a-dia assim o tivesse imposto e só o anoitecer possa acordar e abrigar os mais inconfessáveis desejos...

Numa qualquer ruela a mesma noite que caiu sobre a cidade protege e envolve com o seu manto os sem abrigo, os mal amados, os deliberadamente solitários e os amantes... como criminosos... furtivos, como se não existisse outra forma, outro meio de se amarem...
tocam-se quase timidamente... beijam-se sôfrega e desenfreadamente, deixando despojos de amor por lugares recônditos, deixando-se a si, pedaços de si, pelas paredes e esquinas.

Porque ali não é lugar, ali não é o tempo…
e as palavras perdem o sentido e os olhos procuram o sentido perdido... e as mãos falam por si!
e tudo fica por dizer... tudo fica por fazer.

Porque o amor clandestino é assim! Intenso... urgente... desmedido... e condenado!
Condenado, como aqueles que se arrastam em pedaços de cartão, jornal e cobertores a contraluz e a conta-gotas de uma qualquer garrafa de um qualquer pedaço de álcool. Condenado como aqueles que se dobram sobre si, e se dobram uns e outros num ritmo infindável de jovens com mais uma agulha espetada e um pedaço de limão que escorre pelos dedos enegrecidos da morte que os espreita.
Até quando...
Até que um dia o sol brilhe e a voz ecoe, sons de gritos, de raiva, emudecidos pelo raiar da aurora.
E vagueiam mulheres fáceis, prostitutas da vida, como se a noite as ocultasse.

E vagueiam proxenetas de cintos afivelados e camisas de cetim multicores.
E cantam os fadistas em tascas de turistas preenchidas.
E abraçam-se os amantes, num aconchego de paixão...
E olham em volta tentando adivinhar asas em quem passa.
Mendigo ou senhor, plebeu ou erudito, disforme ou sublime... pouco importa, desde que não lhes turve a visão desta miragem.

Recolhem-se de mansinho na expectativa de um consentimento sem reservas, quiçá cúmplices no compreender das coisas para além da razão.
E o silêncio, o mesmo que caiu sobre a cidade, desperta os sentidos... acorda a razão... Não passa de mais uma ilusão, esta ilusão de anjos!

Também eles, tal como nós, vivem presos na vontade de qualquer coisa melhor.
De um encontro entre iguais, de uma fantasia por cumprir que os liberte da sua condição alada e lhes permita o acesso à terrena vontade dos corpos que habitam.







07 janeiro, 2007






... Arrepia-me o corpo e dispara-me o coração quando sussurras ao meu ouvido, palavras ou simples murmúrios.
Faço por manter a luz da dúvida acesa para que a candeia do amor que me invade não me ofusque a razão e faça ignorar quem somos.

Porque esqueço que navego num mar de recordações.

Boas, como os beijos e carícias que trocamos na nossa viagem a Londres, de um almoço repartido a dois, por nem aí nos querermos separar, nas marcas suaves da tua pele e a tua boca de morango que gravou a fogo o que hoje sou.

E as más. Quando depois de aninhares em mim, saías desconfortável em desespero, sem entender… nem tu saberes porquê…

Angustia, ansiedade – pensava eu.
Intensidade da paixão que dizias sentir – dizias tu.

E nunca conseguimos provar as razões desses desenlaces fugitivos, nem a horrível sensação de te sentir perder por entre os dedos.
E nunca falamos sobre isso.

Quando eu pedia diálogo, apertavas-me contra ti e apagavas-me coração e razão.
E queria copiar-te, porque já não tinha o original.
E fugias. Fugias por tempos e voltavas depois, sombria, inquieta, para te apoderares de mim, novamente.
E eu, num turbilhão, entre um beijo e uma partida…
Deixavas um rasto de ti, que eu percorria até uma encruzilhada de sentidos.

E durante semanas, meses, via-te em todo o lado.
E corria desesperado ao teu encontro na Gare do Oriente – e não eras tu.
E saltava para dentro de um comboio voador gritando o teu nome – pois que te vi, à janela – e não eras tu.
E calcorreei o Cais do Conde d’Óbidos, como da última partida … e não és tu.

E senti-me como um papel que dobras e desdobras e passas de mão em mão e amarfanhas, como sempre foi o teu jeito.

E tenho de atirar fora os contentores de memórias, e deixar no fundo do mar esses momentos, para não ter agrafado a mim, uma certidão a prazo, com linhas de dor e letras de sombras.

Por paragens que nem conheço, vagueei na procura de respostas a questões já sem forma, de tão dissecadas… como se não existisses já …
E adormeço… para acordar em mim.

02 janeiro, 2007











Chegou muito lentamente como quem caminha sobre um manto de espuma e sussurrou qualquer coisa ao ouvido.
Ele agitou-se e abanou dizendo que não. Ela insistiu.
Que sim, que tinha de o conhecer bem interiormente, dado que ele afirmara, que nunca ninguém o conheceria inteiramente.

Ela abeirou-se mais e mais e tentou forçar entrada pelo ouvido.
O tímpano estava a vibrar, sinais da musica clássica que tinha acabado de ouvir.
Ela deixou-se escorregar, agarrou-se às paredes e deslizou pela garganta aterrando juntinho ao coração.
Aí, espreitou por uma janela aberta e viu vasos com flores plantadas. Um cheirinho a primavera, e o sol a espreitar radioso.
Um pouco mais ao lado, noutra janela, uns móveis velhos e quadros que o tempo apagou.
Logo a seguir, uma enorme porta, frondosa. Entrando, pé ante pé, descobriu um salão enorme e grandes janelas viradas para o mar. Nesse espaço, vislumbrou caixas de amor aos pedaços que ele tinha para distribuir. Encaixotados, mas fechados apenas com um lindo laçarote azul, que se desfazia ao mais pequeno toque.
Aqui e ali, alguns tropeções num bater mais acelerado e um bombear nas aurículas e ventrículos. A veia cava resmungona, debitava frases incertas e a aorta, sabidona, despachava carinho e ternura pelos restantes espaços por preencher.
De um salto, com um sopro vindo do pulmão foi atirada para a cabeça.
Ali, no meio de sinapses e alguns contornos eléctricos, deparou com memórias, pensamentos oblíquos, curvos e rectos, e algumas razões.
Num instante sentiu, que aquela tela, pelo qual via passar o filme da vida era familiar.
Tal como a sua, aquela, era imensamente igual a tantas outras, como num romance de cordel.
Foi mexendo e sentindo, espalhando pedaços de tempo, de espaço, de sons, de cheiros, de alegria, tristeza, cantos e choros, lagrimas e raiva, ternura e afecto, paixão e amor.
Deu umas sacudidelas nalguns espaços mal arrumados e ouviu baixinho...
- “ ... Deixa tudo como encontraste...”
Varreu algum pó acumulado, endireitou espaço e pedaço, acendeu de novo a luz e saiu de lá muito mais preenchida.
Encostou-se a ele de novo e segredou-lhe num sussurro, junto ao ouvido bem juntinho ao coração...
“Gosto de ti...”