22 janeiro, 2007









Hoje, a manhã vem sorrateira, por entre frestas, tingindo de luz as paredes do quarto onde me deito e onde busco as fotos que já perdi.
A Fada diz-me para não procurar a dor, e a dor não veio.
Não atravessou paredes, não abriu portas, não entoou canções, não atravessou luz, nem tempo, nem dor, nem medo.

Simplesmente não veio.
Apenas me disse: Renova afectos e conquista novos em ti.

Porque o que me davas era areia e essa desfazia-se como os doces trinados que entoavas ao meu ouvido.

E a Fada sabia...
Hoje que cessei de olhar os quadros e o candeeiro a petróleo, não sou mais ausente.
Risco a tua face com o meu lápis de carvão e invento memórias de ti.
Apago quando quero e altero o bater do coração, podendo até trocar de sitio.
Pulmão no rim, coração na vesícula, pâncreas nos intestinos.
Modifico a meu gosto como tu fazias quando existias em mim,
que alteravas todo o sentido e toda a existência,
como só tu...!

5 comentários:

Anónimo disse...

Vou passando, vou lendo, vou gostando, tornando-se viciante ler estes textos.

Anónimo disse...

Sr. Pedro e pena que nao mostre a sua fotografia para os nossos leitores saberem quem escreve tao bonitas frases...O porque de se esconder numa foto com um olhar triste, sem expressao de vida...Que nao encaixa com aquilo que escreve e lhe vai na alma...

Pontos_nos_psis disse...

Olá Pedro. Ao ler este texto ficou-me uma certa nostalgia ... estou certa ? bjs

Anónimo disse...

Gosto dos seus textos assim mais romanticos, mais nostalgicos...dao que pensar...

Sílvia Mar disse...

Parabéns Pedro! Atingiste 1000 visitas! É de facto um número simbólico, eu sei! Mas também sei que estas 1000 depressa se multiplicarão... pois que, quem te visita sempre volta... e volta... e volta...