13 janeiro, 2007



Pena que nem todos saibam beber do Meu Cálice...!
Como prefiro que sorva do meu cálice quem me saiba saborear, degustando cada silaba intensa e tranquilamente”.











Os dias correm devagar como se tivessem pressa de coisa nenhuma.
Ou talvez tenha sido sempre assim, um tempo feito de nada.
Algumas pessoas são também como o tempo, feitas de nada.
Vazias, ocas, amargas, invejosas, tristes, infelizes, ignorantes e anónimas.
Numa existência anterior à criação do tempo, impuseram-nos códigos, que por serem genéticos, fizeram de cada um diferente de cada qual.
A incapacidade de aceitar diferenças, credos, cores, raças, uma ou outra possibilidade, alguma capacidade ou mesmo vontade, faz com que alguns sejam intolerantes, racistas, xenófobos, maldizentes, cruéis e pretendam ser guardiões dos templos dos outros, isto é, tentem emitir sobre todas as coisas... opinião.

Mas desses nunca se viu trigo nem joio, escrita ou leitura, solidariedade ou apoio.
Aprendem essas pessoas a sorver palavras e gestos emprestados, ponteando o viver de modo uno e invisível, nem sabendo qual o modo de existir.

Percorrem ruas e avenidas, olhando os outros sem razão aparente, se não a aparente razão de copiar a existência, como quem procura um espelho ou multifacetadas imagens de um desejo de ser igual a qualquer um ou a qualquer coisa.

Procuram preencher o vazio, da paixão, da admiração, do amor, do carinho, do ser criativo, da inveja, do ser mal-amado, mal resolvido ou incapaz de SER .
Buscam então num outro qualquer, coordenadas estratégicas, com apelos a uma rosa-dos-ventos, oráculo visionário de vidas inquietas.

Quando olham, desejam ser possuídos por outro olhar, imaginando corpos e formas, sonhando com um mais além que crêem possível mesmo quando não sabem como.
Entre fantasias tentam um golpe de asa que os liberte da estranha condição de viver.
Se pudessem mudavam de pele como as cobras , renascendo como novos.
...Temos pena... !

7 comentários:

Anónimo disse...

Só para dizer que vou sempre passando por aqui, que me deleito com o que leio e que tenho a certeza que vou continuar... a fazer as duas coisas!

Zé Pedro Gomes disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Pedro Viegas disse...

Concerteza que estou exposto a criticas,por isso estou aqui a dar a cara e o peito às balas. Mas nunca comento o que não conheço ou então procuro ser positivo. Mas tenho consciência de que não agrado a toda a gente, e ainda bem, valha a diferença.
Mas fui eu que escrevi "fantastico" ? "escreva um livro ?", então só temos de respeitar os outros...
Mas como não gosta, tem uma óptima solução - não lê.
Existem milhões de blogues para visitar neste universo, eu sou um grãozinho muito pequeno.
Ou então faça como eu - escreva.

Anónimo disse...

Eu fui uma das pessoas que comentou e elogiou a sua escrita.Eu aprecio as ideias, as imagens a forma e o conteudo. Deve continuar ainda com mais vontade. No circo existe o empresário (dono do circo) os domadores, as feras e também os palhaços...
Um qualquer anónimo, a coberto desse mesmo anonimato, usando um nome falso... tanta mesquinhice, tanta falta de imaginação...

moonlight73 disse...

Descobri-o por acaso e desde então tenho passado por aqui. Gosto do que escreve, meus parabéns!

Pontos_nos_psis disse...

A inveja. Um tema que me agrada muitíssimo. Já escrevi sobre ele. O meu texto começava com uma metáfora (gosto muito de metáforas)que era mais ou menos assim ...
"uma cobra venenosa tentava abocanhar um indefeso pirilampo, e ele perguntou-lhe porque o fazia já que era um ser tão pequenino, portanto nunca lhe faria frente. A cobra respondeu - não suporto o teu brilho. Já que não o posso ter, é melhor matar-te!". Esta é a essência da inveja. Um sentimento altamente destrutivo. Quanto à polémica, posso também dar uma achega. Considero que o Pedro tem potencial, pois escreve melhor que muita gente que por aí anda (e que até publica livros) ... digo isto com todo o conhecimento de causa pois já publiquei 4 e estou perfeitamente enquadrada nesse meio ! Claro que existem sempre pessoas que não gostam mas, para essas eu tenho um lema - só aceito criticas de quem faz igual, ou melhor que eu ! É que criticar é fácil, fazer é que é o delas !!!! bjs e continue ;-)

tcl disse...

Sobre este tema da inveja, recomendo a leitura de "Inveja, mal secreto" de Zuenir Ventura, integrado numa colecção sobre os sete pecados mortais e que começa assim: "Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede que levem consigo, para o caso de se perderem, três distinções básicas: ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha.
E que prestem atenção: a inveja é um virus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde."

Gosto das diferenças subtis que Zuenir encontra entre ciúme, cobiça e inveja. Enquanto ciúme e cobiça são males que nos atacam só a nós, a inveja já envolve o outro e será, dos três sentimentos o menos nobre e, porque se esconde, envergonha quem a tem. É sem dúvida, um "mal secreto".