Rasgo ideias que se entrelaçam em palavras que compõem poemas, pintam quadros de Amadeo e Picasso, formas quebradas, múltiplos ângulos em contraluz e a doce harmonia duma guitarra que dedilhada chora.
E percorro o Ganges e o Nilo na busca de fé. Porque vamos morrendo devagarinho, perdendo pele, visão, pêlo, audição, dicção e os poucos reflexos de vida que a vida nos dá e tira, apagando alguns neurónios que nos mantêm e leva-nos o sangue por esgotos rasgados, na exacta porção do tempo.
E do tempo ando eu atrás (tenho a sensação de que ando sempre atrasado para tudo...).
E procuro locais de culto como o Nyatpola no Nepal, onde me sinto levitar e onde as ideias de forma suave, surgem.
Como o Tigre e o Eufrates, e a cadeia montanhosa do Eurarat me enchem e remexem e abanam costurando agasalhos interiores de roupas desfeitas por fora.
Adorava quando preenchias o meu silêncio de tudo e de nada e na maior parte do tempo de coisa nenhuma.
Mas eras tu. Por isso eu gostava.
Diziam os outros, que não existias...
Sei lá, eu!
Mas vivia assim.
Entre o ter e o não, entre o ser e a razão, o porque sim e o porque não.
Mas era por mim, sem saber que vagueava sem sentido num qualquer tempo de encontro, esperando novas e fecundas e imagináveis retóricas dispersas interiormente... que não chegavam.
Para mim, que despido de vergonha pedi à Fada que ajudasse a encontrar o Sol,
Astro-rei-que- tudo-sabe, e lhe pedia que me ensinasse a decorar as palavras que me ensinavas no idioma dos teus ancestrais.
O que eu fazia por amor...

Comentários

Anónimo disse…
Porque sim e porque nao, entre o ter e o nao ter...tambem eu tenho pedido a FADA para encontrar o meu SOL...onde esta que nao aparece?...E a si, ja apareceu? E ja agora porque nao o continua a fazer, ja que era por amor?

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