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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2007
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Saiu de casa com meio pão na boca e a maçã pela mão, chega ao escritório a cheirar a metro e quando regressa pela noite, tem uma mistura de odores entre o sovaqueiro e o odorento.
Janta uma sopa frugal e pespega-se a ver a canastrona que passa na telenovela das 22h e a mulher grita – amor vens-te deitar?
Como? Se acabei de chegar…! Como? Se nem tirei ainda dos olhos o ritmo alucinante de mais um dia de metro e comboio e clientes e trabalho e ainda comboio e metro?
Como deitar? se ainda nem a sopa aterrou num estômago esmurrado por dias tenebrosos, colegas pestilentos e um Cais do Sodré a cheirar a mofo.Sentia-se só. Como só tinha acontecido uns anos antes quando se perdera numa viagem de finalistas ao Japão. A sensação de isolamento que o invadiu, pareceu-lhe a mesma daquela avenida Nipónica. Mesmo acompanhado, a solidão mantinha-se no rosto, no olhar e na atitude de completo isolamento.
Abriu os olhos passava das 3 horas. Tinha adormecido entre o Telejornal das 24 e a fixação no trabalho…
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Tens um vendaval de folhas escritas, rabiscadas, riscadas, desenhadas e espalhadas pelos quatro cantos.
Tens livros e revistas que lês e vais amontoando, esperando melhores dias.
Sabes sempre do sorriso depois da lágrima, o recomeço depois do fim, o amanhecer depois da noite e o olá depois do adeus.
E vem um dia após o outro, um ano que substitui outro, uma hora que antecede outra hora e um sonho que amadurece outro sonho.
Tentaste mas não conseguiste parar o relógio do tempo.
Hesitaste ao empurrá-lo, abanaste-o mesmo assim, gritaste quanto pudeste e ele indefinidamente não parou.
"Depois de tempo, tempo vem, mesmo que não saibamos o que isso significa" - dizias...
Emudeces e entristeces com qualquer coisa além do óbvio.
E sinto-te desfalecer.
Pedes para fazer “rewind”, “down”, ou mesmo carregar num botão que diga “close”, ou tentas formas de te rebobinar todo.
Já não riscas, pintas, desenhas, escreves ou rabiscas.
Já não lês, recortas, colas, e nem amontoar pretendes.
Procuras peças so…
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Neste País de brandos costumes mas maus vícios, um dos mais costumeiros é o de impedir que um qualquer, faça algo de positivo por algo ou alguém em qualquer actividade, alterando muito do imobilismo que é a vida de muita gente, quantas das vezes base de sustentação para os nossos jovens não se afundarem em vícios ou os idosos não aguardarem impotentes pela "sua hora". Surgem então alguns iluminados, porventura mal ensinados ou de lição pouco estudada num qualquer partido politico, "lobby" ou mesa de café.
Novos conceitos, nascidos no momento, de forma a não afectar o “modus vivendi” de alguns, poucos, muito poucos, graças a Deus.
Não move a essa gente, ideias de renovação e revigoramento, de costumes e processos, apenas pretendem não deixar abanar o existente, contando com cumplicidades permanentes e omissões deliberadas. Vamo-nos infelizmente habituando, já que estamos no tempo em que as asneiras são apresentadas como verdades profundas.
Sobre qualidade de vida como t…
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Enquanto a noite se faz, eu ando por aí, virando e revirando pensamentos. Sei que perco horas de sono, e essas jamais voltarão, mas sou de um tempo em que tenho de acompanhar o tempo.
Entre noites mal dormidas à pressa e uns quantos dias mal engolidos, onde quase não me sinto e poucas vezes me encontro, deambulo pela cidade percorrendo ruas, avenidas, e vielas em busca de mim.
Mas também em busca de ti.
Em busca dos teus dias completos e dos intervalos sempre curtos em que apenas sobrava espaço para um olhar.
Em busca do teu voo, pois sei que as asas que dizes ter, não existem e o limbo em que vives, vai um dia deixar-te cair.
Detenho-me num daqueles mendigos para quem nunca temos olhar.
Um sujeito que olha o chão e estende a mão negra de sujo e gretada pelo tempo.
Detenho-me no seu cartaz, “sou doente”.
Fixo o meu no seu olhar e vejo olhos inteligentes como amargos e revoltados.
Sentei-me a seu lado, e olhei-o, como quem olha a contra-capa de um livro em busca da foto do seu autor e imagina a…
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Eu olho o espelho, claro que olho, mas na verdade não me sinto adulto.
Sou ainda uma criança e vejo-me agarrado às pernas que tremem só de pensar.
Estou sempre a tentar ser um “Homem-Grande”. Estou sempre a tentar, com a mania de vir a ser, e esqueço que nunca serei, porventura.
Não é muito tarde eu sei, é apenas tarde para mim.
E revejo infância passada com peças a enfeitar presépios, que serviriam para adoçar com chocolates tardes animadas entre o jogo da carica no passeio frente ao talho ou leituras do “Patinhas”, acabado de chegar.
Ainda me lembro porque foi ontem, ainda recordo porque presente.
-…”Carlinhos…” Dizia a Avó enquanto ele fugia.
Olho o espelho quando passo, e volto atrás para relembrar tempos de um tempo.
E no apartamento por cima da casa pequena, como pequeno era o mundo, alguém geme. Parece que dormem em cama de ferro com cobertores de flanela tal o ranger do espaço e o calor que emana bem por cima da minha cama.
Nunca entendi a que se deve tanta algazarra, se discutem por …
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"Porque não tentas ser apenas e só um bocadinho mais feliz?".Era assim que um velho padre meu amigo, consecutivamente me questionava. Eu, pela amizade que nos unia e pela confiança que tínhamos um no outro, encolhia os ombros e dizia... "vou sendo..."
Não era do género de ouvir dos outros maleitas várias, não tinha paciência para confissões de intimidades bacocas (a essas dizia, que Deus, não era para ali chamado e que esses assuntos resolvem-se por eles).
A mim nunca me quis ouvir confissão, nem eu lha daria. Sei, que não era apologista de mandar rezar "Pais-Nossos" nem "Avé-Marias", muito menos crucificava pecadores, "... Quem não pecar não é humano..."-dizia.

Preocupava-se com as minhas leituras e radicalismo de posições. Mantinha como interessantes as minhas revoltas e devolvia-me sonhos e futuros embrulhados em dias melhores.
A sabedoria nele reinava. Calmo, apaziguador, "leitor" de almas, açucarava corações, com longas barb…