24 fevereiro, 2007






Tens um vendaval de folhas escritas, rabiscadas, riscadas, desenhadas e espalhadas pelos quatro cantos.
Tens livros e revistas que lês e vais amontoando, esperando melhores dias.
Sabes sempre do sorriso depois da lágrima, o recomeço depois do fim, o amanhecer depois da noite e o olá depois do adeus.
E vem um dia após o outro, um ano que substitui outro, uma hora que antecede outra hora e um sonho que amadurece outro sonho.
Tentaste mas não conseguiste parar o relógio do tempo.
Hesitaste ao empurrá-lo, abanaste-o mesmo assim, gritaste quanto pudeste e ele indefinidamente não parou.
"Depois de tempo, tempo vem, mesmo que não saibamos o que isso significa" - dizias...
Emudeces e entristeces com qualquer coisa além do óbvio.

E sinto-te desfalecer.
Pedes para fazer “rewind”, “down”, ou mesmo carregar num botão que diga “close”, ou tentas formas de te rebobinar todo.

Já não riscas, pintas, desenhas, escreves ou rabiscas.

Já não lês, recortas, colas, e nem amontoar pretendes.
Procuras peças soltas e bocados ausentes em ti.

Sobejam parafusos, bobines, discos, platinados, relés, pilhas, placas. Peças soltas por aí…!
Mas ao abrires as asas seguro de ti, voando para um qualquer lugar mesmo distante,
pode a lua faltar-te num abraço, mas terás sempre o sol a nascer, sorrindo.

2 comentários:

Mir disse...

Obrigada pelo comentário que, entretanto (depois de espreitar estas escritas), retribuo.
Gostei das conversas... :)
Bom fim-de-semana!

tcl disse...

"Mas ao abrires as asas seguro de ti, voando para um qualquer lugar mesmo distante,
pode a lua faltar-te num abraço, mas terás sempre o sol a nascer, sorrindo."

Gostei desta frase.
E do resto também.