07 maio, 2007














Imagina que sou uma estrela e que vagueio neste infindável Universo, habitando um cantinho onde me escondo e quase ninguém dá por isso.
Aí, habito um silêncio que me devolve a alma.
É no silêncio que vivo melhor, que escuto melhor, que vislumbro melhor, que sou melhor.
Foi no silêncio que te vi e por lá fiquei.
Sorrias de cada vez que te olhava e abrias novo sorriso por cada vez que te falava.
Tal como a vida que se torna num jogo, trazias contigo um do monopólio.
… retroceda 3 casas…

Os teus lábios falam sem se mexerem…
Sentia-me o teu herói, tal a forma como imaginava cada gesto teu por cada frase tua, uma reacção por cada ideia que salta para o papel onde docemente penetrava na tua caligrafia mágica.
Sonhava cada pensamento teu por conteúdo mais profundo, cada olhar por cada alcance.
Lançavam-se os dados…
… avance 6 casa…, se passar na casa partida será penalizado…

Sabia que me querias dizer, mas eu precisava sentir.
Sabemos que não basta tocar é preciso querer, como não basta um adeus quando precisamos de um olá, como não é suficiente beijar sem se gostar.
Tal como não nos basta escrever, sendo preciso pensar, não basta também chegar, é preciso partir.
Os dados estão lançados…
… 1,2,3… retroceda 8 casas…

Nunca te olhas de frente, tal o hábito de não te olhares.
Raramente te vês.
Usavas capa e espada, venda nos olhos e julgavas-te justiceira de nós.
Rasgavas tempo e bancos de nevoeiro, lutavas contra fantasmas que te habitavam e gritavas silêncios em ti.
Nunca vencemos quando queremos ser heróis e não passamos de inimigos de nós próprios… essas lições tinhas estudadas.

Os teus lábios falam sem se mexerem e quase não percebo o que dizes.
Rasgaste o manto que te cobria, perdeste as peças do jogo.
Os silêncios tornaram-se ruídos profundos e a tua caligrafia cruzava hieróglifos no ar.
Então, embrulhei tudo numa roupagem colorida e lancei ao mar num aceno de despedida.

1 comentário:

Moura ao Luar disse...

Ai gosto tanto do silêncio... faz-me tão bem