20 junho, 2007






Saí de mim.
Quem não sai de si?
Extrapolei-me, saltei fora. Desvaneceu-se a emoção da partida num gesto brusco mas cuidado.
Parti de mim sem amarras, libertei-me devagar, desligando-me do processo de alta rotatividade a que todos estamos submetidos.
Liberto os sentidos adensados em partes dormentes do meu corpo, na esperança que façam luz sobre esse torpor em que mergulha o espírito... deixando-os fluir devagarinho, para não doer demasiado, pois sei que vêm impiedosos, trazer-me á realidade...
Procuro na biblioteca da vida pedaços de outrora.
Aqui as palavras ficam, intemporais, presas a sussurros, gritos interiores, espaços em branco ou reticências.
O desencontro, a incompletude, o extemporâneo, a pesquisa enrolada em mantas quentes de lã.
Salto fora de mim e percorro regressos já vividos outrora.

Quão louco serei? Numa medida desmedida?
- Não mais que um outro que se julga puro, casto e são.

Regresso então ao aconchego do corpo feito adulto, incrustado em pedras de jovem com pinceladas de alguma idade.
Seja bem-vinda velha carcaça…!
Dentro da rotatividade esperada, bem que não se demorou...
Pequenos saltos num espaço feito tempo em que deixamos partir os sentidos sem sentido algum, pesquisando por dentro de mim e olhando-me por fora num vislumbre da descoberta de quem sou.
Jamais o saberei…!
E agora, quem o sabe?

2 comentários:

Moura ao Luar disse...

Eu saio de mim muitas vezes, depois questiono-me a mim e aos ouros procuro-me em novas formas de sentir até que sinto que sou capaz de renascer a cada dia.

Anónimo disse...

Como é bom revirar a biblioteca da nossa vida, quem sabe à procura de algo que nos reconforte...Porém é bom não esquecer a realidade pois é nela que estamos agora e é com ela que temos de saber viver, aproveitando-a ao máximo para que seja mais um dos bons livros da nossa biblioteca. Continue!!