10 julho, 2007











Fala-se que o Homem foi criado por Deus ao sexto dia e a mulher tirada de uma costela sua, provavelmente num domingo ou dia feriado.

Diz-se até, que misturando carbono 14 com São Paulo, no Salmo X ao quadrado vezes 2 com a bênção de S. Pedro e o Acto dos Apóstolos mais a intervenção do Gallup Institute nos EUA e fazendo a contagem através da Bíblia, chega-se a uma conclusão à qual não dou importância, pois para mim, pobre criatura, com essas contas ainda nos baralham mais... o que é difícil... de baralhados que estamos.

Afiançam também que os Halos do Polónio são as impressões digitais do Deus Criador, tal como escrito no Génesis. Se é ou não... vou deixar para um dos episódios do CSI.

Mas o nosso mundo é como é.
Aos olhos de Deus, aos nossos, aos de alguém ou outro qualquer. Um mundo no qual temos diariamente de gerir o que vai aparecendo, com os nossos limites, a nossa insegurança, os desafios que nos são impostos, a confrontação com o efémero, o transitório.

Crescemos apoiados nestas verdades ou noutras certezas, depende de cada um e do seu trajecto, do que fez, ou do que virá a fazer.
Mas sabemos que tudo vale o que vale, dura o que dura e tende a ser mais ou menos importante consoante o grau ou hierarquia que lhe damos.
E vivemos assim numa "amizade", em que necessitamos de um autocolante para dizermos ao outro que o consideramos amigo, ou passamos a ser apenas mais um atrelado neste comboio de conhecimentos por que passamos.
Os "amores" ora são ora já eram, as "ideologias" vão e voltam, os "deveres" poucos, "obrigações" muitas, a "bipolaridade" é que está a dar, acordamos de manhã com um sorriso e adormecemos de costas para o mundo e de "beiço caído" lá pela noitinha.

Entretanto, “viajamos” de menino para homem, de pobre para rico, “enfatiamos” com uma roupagem que não é nossa e apercebemo-nos que não cabemos nele passado tempo e provações. De corridas de cem metros passamos à maratona e de desapaixonados, para um romantismo atroz.
Sonhamos neste tempo sem tempo e espalhamos frustrações.
Queremos pertencer a algo ou alguém, ou adensamos a nuvem que traz chuva e trovoada se alguém não nos quer a nós.
Tememos o que desejamos e arranjamos escapatórias fugindo em ziguezagues titubeantes.

Tornamo-nos peixinho em aquário. Boca aberta na procura do ar que nos escapa.
Quando pressentimos desejo, abanamos a cauda, quando não, fazemos bolinhas de ar.
Vimos à tona respirar e damos “marradinhas” no aquário quando estamos” meio-tortos” e mais para lá do que para cá.

Esta é uma parte da história que descobrimos quando levantamos parte da pele que nos cobre.
A restante somos nós que a fazemos, bem ou mal, muito ou pouco, do agrado de muitos ou de ninguém, com audácia e perspicácia ou sem coisa nenhuma.
Mas como da pele de cada um sabe o próprio, deixemos que ela se solte ou se agarre, consoante o desejo.
Misturemos então o Carbono 14 com S. Paulo e abençoe-nos S. Pedro.
Assim seja!

05 julho, 2007











Fui Eremita na vida e Eremita de mim.
Li e aprendi o que significa a palavra sonho abrindo os olhos e deixando que entrassem palavras mágicas e pozinhos de prilim-pim-pim

Em dias de sol viajo de planeta em planeta de constelação em constelação, semeando uma rosa aqui, um sonho acolá, uma amizade por conseguir outra por agarrar, e apanho novas estrelas numa nesga de céu.
Transformei chuva em arco-íris, mágoas em ternura e solidão em acompanhamento.
Gosto de ler, é uma realidade, e na leitura... sonho.
Aprendi a falar no meio da multidão, e na solidão aprendi a escutar a voz interior e a dar nome às coisas que ainda não tinham.

Gostava das personagens de ficção com contornos de encantamento.
Longe de serem Eremitas como eu, cirandam por páginas e páginas de aventuras, com imagens coloridas, que já não vislumbro faz anos.
Pesquiso o meu "calendário" ... avancei décadas com a mesma ternura com que me visito diariamente.
Olho em volta e em tudo vislumbro muralhas. Pensava ser da visão turva que me preocupa, mas constato que os muros estão mais altos e praticamente intransponíveis.
São muralhas de sempre, que continuo esforçadamente a transpor dia após dia, e cada dia outra... até um dia.

Filigranas de gente que corre vida fora, sequiosos de tudo num pouco de nada, partem apressados para um destino incerto. Eremitas da vida, mais cedo ou mais tarde.
Já tentei fazer uma fusão de seres mas não obtive resultado final ... - acho que se partiram pedaços e espalharam-se por aí...
... tenho 32 ou 74, já nem sei. As barbas brancas pendem como num quadro de Degas e o corpo magro e corcuvado alimenta-se de prosa... - o que não me faz nada bem.

Lembro-me de ter comprado bilhete de ida... - a estação não recordo....

Ritmos respiratórios descoordenados circundam-me como beatas na igreja em hora de ponta.
Olham em redor na procura "do rosto" e da indumentária enquanto o padre... - Santo Deus... vai pregando lamúrias sobre o terceiro ou quarto dia de uma coisa qualquer.

Salto fora de mim com rotinas que pesquiso. Trinta-e-dois-segundos-e dez-metros, separam-me de um cacilheiro em pleno Cais-do-Sodré.
Singelamente tudo é brevidade.
O espaço, o tempo, a vida, até esta loucura de Eremita que aprendeu a ler num livro de sonhos.

04 julho, 2007

O Sonho que posso ter...!



















Posso sonhar que corro a passo solto
Que da minha janela vejo a tua sem a ver...

Na minha memória vejo o teu rosto e sem saber,
abraço os teus braços e recebo em troca
abraços que não consigo ter.

Ideias que tecem mantos enredados
como novelo em ti
Pesquisa que faço no teu olhar quando te olho em mim.

Mas posso olhar-te num olhar profundo de morrer
agarrando fragmentos de luz sem nunca ver

Posso até sonhar recordações
tudo ou nada, muito ou pouco, e sem me aperceber
tê-lo sempre presente, juntinho a mim
guardado em gelo para não derreter

Posso até sonhar que vou morrer
Sem nunca ter outrora desejo de...

Ou procurar viver junto a ti
Porquanto a luz, os passos juntos, até mexer
minhas nas tuas mãos e ver surgir
Arco-íris e sonhos por fazer
Sonhar-te quimera e certeza de te ver.

Pode ser este o sonho, desejo,
quem sabe o quê...
pedaços de alma que esculpi em mim
um pedaço de céu, pedaços de tempo
ou de nada.
Pode ser este o sonho.... sei lá de quê...!