05 julho, 2007











Fui Eremita na vida e Eremita de mim.
Li e aprendi o que significa a palavra sonho abrindo os olhos e deixando que entrassem palavras mágicas e pozinhos de prilim-pim-pim

Em dias de sol viajo de planeta em planeta de constelação em constelação, semeando uma rosa aqui, um sonho acolá, uma amizade por conseguir outra por agarrar, e apanho novas estrelas numa nesga de céu.
Transformei chuva em arco-íris, mágoas em ternura e solidão em acompanhamento.
Gosto de ler, é uma realidade, e na leitura... sonho.
Aprendi a falar no meio da multidão, e na solidão aprendi a escutar a voz interior e a dar nome às coisas que ainda não tinham.

Gostava das personagens de ficção com contornos de encantamento.
Longe de serem Eremitas como eu, cirandam por páginas e páginas de aventuras, com imagens coloridas, que já não vislumbro faz anos.
Pesquiso o meu "calendário" ... avancei décadas com a mesma ternura com que me visito diariamente.
Olho em volta e em tudo vislumbro muralhas. Pensava ser da visão turva que me preocupa, mas constato que os muros estão mais altos e praticamente intransponíveis.
São muralhas de sempre, que continuo esforçadamente a transpor dia após dia, e cada dia outra... até um dia.

Filigranas de gente que corre vida fora, sequiosos de tudo num pouco de nada, partem apressados para um destino incerto. Eremitas da vida, mais cedo ou mais tarde.
Já tentei fazer uma fusão de seres mas não obtive resultado final ... - acho que se partiram pedaços e espalharam-se por aí...
... tenho 32 ou 74, já nem sei. As barbas brancas pendem como num quadro de Degas e o corpo magro e corcuvado alimenta-se de prosa... - o que não me faz nada bem.

Lembro-me de ter comprado bilhete de ida... - a estação não recordo....

Ritmos respiratórios descoordenados circundam-me como beatas na igreja em hora de ponta.
Olham em redor na procura "do rosto" e da indumentária enquanto o padre... - Santo Deus... vai pregando lamúrias sobre o terceiro ou quarto dia de uma coisa qualquer.

Salto fora de mim com rotinas que pesquiso. Trinta-e-dois-segundos-e dez-metros, separam-me de um cacilheiro em pleno Cais-do-Sodré.
Singelamente tudo é brevidade.
O espaço, o tempo, a vida, até esta loucura de Eremita que aprendeu a ler num livro de sonhos.

2 comentários:

Moura ao Luar disse...

Um beijo para ti,nunca deixo de vir ler-te

Mónica disse...

"Singelamente tudo é brevidade." gostei muito