27 agosto, 2007

AO DESCONCERTO...!
















Morava numa rua onde passava um carro de vez em quando, ora sim ora não.
Pregava olho (metaforicamente) quando o jeito dava ou não dava jeito nenhum
Cruzava-se com gente, raramente, ou quase nunca.
Passeava um cão que não conhecia, nem de aspecto nem de raça, nem se existia mesmo.
Abanava as orelhas como ventoinhas e debruava sons esquálidos de cana rachada.
Raramente comia, ou porque não desejava ou não queria, quantas vezes nem o sabia.
As árvores dançavam ora com vento ora sem, dependendo da batida.
As numerações do relógio da torre na rua direita saltavam como pulgas e enfeitiçavam quem olhava.
Atravessava a rua na passadeira, saltando do risco branco para o preto e deste para o branco, no fim após travessia efectuada saltos em marcha-atrás.
Sonhava alto no fim de uma noite mal passada, assim entre o bife do lombo e a entremeada, quando sente um zagalote que lhe rasga o pensamento.
Eram os putos do andar de cima que pisando e repisando em soalhos ardentes com febrão matinal, acordam-no dos braços de "Morfeu" na altura em que Sandra Bullock lhe caía nos braços.
Até tinha boa impressão dos miúdos, mas a partir daquele dia qualquer coisa travou a simpatia por eles...
Jamais saberá da ínfima possibilidade de ter uma Deusa nos braços...!

3 comentários:

tcl disse...

hahaha!
tiveste graça!

lamia disse...

As tuas palavras, pela forma como as escreves, tornam-se um petisco para o pensamento.

Som do Silêncio disse...

Gostei do que aqui encontrei!

Beijo silencioso