AO DESCONCERTO...!
















Morava numa rua onde passava um carro de vez em quando, ora sim ora não.
Pregava olho (metaforicamente) quando o jeito dava ou não dava jeito nenhum
Cruzava-se com gente, raramente, ou quase nunca.
Passeava um cão que não conhecia, nem de aspecto nem de raça, nem se existia mesmo.
Abanava as orelhas como ventoinhas e debruava sons esquálidos de cana rachada.
Raramente comia, ou porque não desejava ou não queria, quantas vezes nem o sabia.
As árvores dançavam ora com vento ora sem, dependendo da batida.
As numerações do relógio da torre na rua direita saltavam como pulgas e enfeitiçavam quem olhava.
Atravessava a rua na passadeira, saltando do risco branco para o preto e deste para o branco, no fim após travessia efectuada saltos em marcha-atrás.
Sonhava alto no fim de uma noite mal passada, assim entre o bife do lombo e a entremeada, quando sente um zagalote que lhe rasga o pensamento.
Eram os putos do andar de cima que pisando e repisando em soalhos ardentes com febrão matinal, acordam-no dos braços de "Morfeu" na altura em que Sandra Bullock lhe caía nos braços.
Até tinha boa impressão dos miúdos, mas a partir daquele dia qualquer coisa travou a simpatia por eles...
Jamais saberá da ínfima possibilidade de ter uma Deusa nos braços...!

Comentários

tcl disse…
hahaha!
tiveste graça!
lamia disse…
As tuas palavras, pela forma como as escreves, tornam-se um petisco para o pensamento.
Som do Silêncio disse…
Gostei do que aqui encontrei!

Beijo silencioso

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