10 setembro, 2007











E mexias em tintas coloridas de mãos abertas ao mundo, inventando caminhos desbravando a pele.
De mãos pintadas percorrias o meu corpo espalhando cor e amor em doses proporcionais.

Decifravas tonalidades em cada passagem de mim por ti, rebuscando sentidos estéticos em cada toque em cada aroma.

Éramos ambos sonhadores descalços, pincelando teoremas em partes iguais de corpo em corpo de toque em toque.

Percorrias com teu no meu olhar e espalhavas língua em corpo ardente como fogo em noite de lua cheia.
Vampirizavas sal em bater descoordenado de coração.
Rasgavas pele com ardor aguçado de saliva e vibravas como nadador em apneia demorada.

Pintaste a noite como manto que nos cobre de carícias.
Aqui sou tudo e sou nada, apareço e desapareço em ti, e desmaio e morro em odes triunfais.

E é efémero este tempo este espaço em que vivemos em que sentimos que a vida passou perto de nós, porque sentimos na bruma que o tempo parou.
E gemias gritando e gritando gemias, palavras loucas roucas enevoadas perdidas num tempo sem tempo em êxtase sem fim.

E mexes em tintas coloridas espalhando por ti e por mim multi-cores açucaradas, ternas, belas, sedutoras.

Rasguei o manto que me cobria sonho e medo, meio-verdade, meio-loucura, funesta imagem translúcida da febre que me cobre.

Finalmente acordei encharcado do teu suor em mim ou do meu amor em ti,

Jamais saberei a tonalidade da verdade, se da febre que me tinge alma e lucidez se do sal que me cobre o corpo e que tem cheiro de pétalas como valsas em nocturno de Chopin.

1 comentário:

Anónimo disse...

Tudo o que é colorido desperta em nós emoções fortes.
Temos de continuamente ganhar e dar cor à nossa vida e nunca escolher o preto ou cinzento, cores fechadas e tristes.
Está lindo.
csm