No caso Esmeralda assisto a um convénio de palermice e de soluções absurdas que parece não ter fim.
Existe um Pai biológico que só teve interesse em conhecer a filha, "quando lhe deu jeito", e uma Mãe biológica que os jornais descobriram.

Um casal "adopta" a criança ainda pequenina que cresce agarrada a esse amor e aos mimos desses Pais, os únicos que afinal conhece desde os 3 meses de idade.

Entretanto, no circo mediático esgrimem-se argumentos dos dois lados. Como em tudo, há os "coitados" os "desgraçados" e os "arrependidos" .

Da principal interessada - a Criança -, poucos se lembram. Ela é o caso menor neste enredo.

Entretanto Esmeralda começa a dar sinais.
Sente-se angustiada, nervosa, inquieta, com insónias, um estado psicológico preocupante.
Vá-se lá entender porquê, qual capuchinho vermelho, agora com cinco anos, percebe que existem os "maus" que a querem tirar dos "Pais".
Neste pingue-pongue mediático e circense com escapadelas à justiça, prisões, julgamentos etc, tentam explicar à criança que afinal os "maus" são apenas agradáveis e óptimos para comer gelados e brincar ao esconde-esconde.

Por incrível e mal dos pecados de quem dita as leis e julga crianças de 5 anos, a atrevida criancinha em vez de aceitar tudo isto servido em bandeja... assusta-se.

Então, alguns técnicos, Psicólogos, Psiquiatras, Médicos, Juízes, Jornalistas, Cronistas, Vendedores de jornais, Vendedores de castanhas, Peixeiras e Taberneiros, resolvem em novas análises, redefinir as visitas de quinzenais a mensais pois a "criatura infantil" tinha reagido mal à situação.

Entretanto um Douto Doutor de Leis, que já não se lembra do tempo em que deu a mão aos seus pais nem os banhos que lhe deram, nem a papinha que comeu nem as fraldas que lhe mudaram, decreta que Esmeralda deve ser entregue aos Pais Biológicos.

Dá-se assim um remate final e marca um golo a equipa visitante para gáudio dos seus apaniguados.

A bola (vulgo Esmeralda) lá vai rolando de Herodes para Pilatos, provavelmente com noites mal dormidas, sonhos preenchidos com papões, dores de barriga, inquietação permanente e um retrato no futuro-imediato pouco favorável.

Pais... são aqueles que nos dão a mão para dormir, embalam os sonos, ajudam a baixar a febre quando aperta e nos limpam o ranhito do nariz.
Pais são os que estão ao nosso lado dia após dia e noite após noite que nos dão afecto, carinho e amor.

Mas também quem disse que a Criança Esmeralda de apenas cinco anos tinha alguma coisa a ver com isto?

Comentários

PATIVIEGAS disse…
ORA AÍ ESTÁ MAIS UM ASSUNTO DA ACTUALIDADES QUE DEMONSTRA SEM DUVIDA O PAÍS EM QUE VIVEMOS ... PAIS SÃO SEM DUVIDA AQUELES QUE NOS DÃO AMOR,CARINHO E PRINCIPALMENTE SEGURANÇA... COISA QUE NUNCA NENHUMA CRIANÇA ENCONTRARÁ NUM ESTRANHO AO QUAL TERÁ DE CHAMAR DE PAI SÓ PORQUE A FIZERAM ACREDITAR NESSA VERDADE!
TRISTE :-(
Stuckinha disse…
Sem dúvida nenhuma, pais são aqueles que nos dão amor, carinho e atenção, que nos passam a mão pelos cabelos naquelas noites mal dormidas mas, infelizmente, este é o mundo em que vivemos, em que por mais barulho que façamos, uns ditam as leis e os outros obdecem, tal cachorrinhos esfomeados ..., mas os verdadeiramente interessados jamais serão ouvidos pois, segundo os ditos senhores, de que vale a palavra de uma criança, ela não sabe o que diz, não tem querer nem capacidade de decisão.
É a primeira de muitas visitas que faço ao teu blog, mas fiquei fã, tanto que desde o primeiro texto que estou para comentar e só agora o fiz, talvez pela indignação que este caso me tem causado, pois não conseguia parar de ler.
Continua ... pois ler-te faz-me dar largas às minhas ideias.

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