22 outubro, 2007













Este deveria ser um Outono mágico,

mas sinto-me afastado do mundo, afastado de mim.

Estou entre o frio e o calor, o sol e a chuva.

Quero ser redescoberto sem GPS, instalado numa canoa a dobrar o Cabo Bojador.

Quero que me ouçam como se debitasse palavras plurais de sujeitos e predicados e sentissem nelas a mais antiga sabedoria.

Quero sentir-me embalado por mãos de veludo carinhosas e penetrantes.

Quero ser abraçado e tocado e mimado como se fosse fonte de calor inesgotável no mais rigoroso inverno e de mim dependesse o equilíbrio do mundo.

Quero ser beijado como se fosse um ribeiro à solta fertilizando campos e um sol que poisa devagar na montanha da vida

Quero ser respirado como peixe debaixo de água,

Como se fosse o ultimo sopro de vida.

1 comentário:

Paula disse...

Porquê afastado do mundo e de nós?!
É no mundo que estamos
É nele que devemos ultrapassar limites
Questionarmos as regras
Discutirmos a vida e também a morte
Sem medos, sem preconceitos
Numa entrega lúcida
Numa energia que paira para além de nós
Na galáxia longínqua
Coloquemos de lado o que é neutro
O que não tem cor!
O neutro é ausência de viver
É passividade
É ir antes de morrer
Afirmemo-nos!
Nos nossos mais profundos anseios!
Aproveitemos cada momento
Porque cada um, é único
E não tem preço!
Faz parte de nós!

Beijo