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A mostrar mensagens de Novembro, 2007
Dançamos de novo?

Todos os outros ruídos se silenciam para ficar apenas a melodia liquida de
uma união entre dois corpos que se embalam numa corrente de harmonia melodiosa.

Hoje, apetece-me dançar de novo…

Colaste-te a mim como tatuagem e o teu cheiro cobriu-me como pétalas coloridas

Fazes a minha alma dançar ao ritmo do tango em voltas e voltas que não param mais.

“Carlos Gardel” seria aluno de tão brilhante professora, eu, apenas ritmava passo em compasso de uma doce espera por ti.

Enrolo, viro e reviro e passo a passo conquisto o espaço entre nós.

Voltas-me e enlaças-me, esticas o braço e afastas-me num doce tornear de ancas e o meu coração é uma pergunta difícil que não encontra resposta a não ser em ti.

Agarrei-te de novo e num assomo de importância levantei a cabeça e rodei contigo colada e ombros nos ombros e braços nos braços e coxas nas pernas ou pernas nas coxas que já de mim nem sei…

E perdi-me no tempo e no espaço e atirei com o dia ao chão pontapeei as horas e liquidei os minutos…
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As folhas vão caindo neste Outono Primaveril.
As noites são cada vez mais longas e eu esmoreço de mim.

Perdi o passo ligeiro e curvo as mãos para dentro.

Em vão, procuro alhear-me, mas as pessoas caminham cansadas, evoluem em câmara lenta, de vez em quando levantam voo.

Eu olho-as e pergunto se serão Anjos…

Quantos buracos negros na alma terão de tapar para conseguir sorrir por dentro?

Porque tanta gente espeta pregos nas orelhas, nos lábios, na língua e no rosto ?

Porque exorcismo reviram as sobrancelhas e não tomam o tempo que o tempo lhes dá ?

Olhava o balão da máquina de café que aos poucos enchia, enquanto o rádio debitava decibéis de insuportável pandemia acústica

A brisa que solta corpos ondulantes e sacode pedaços de ti

Eu olho-te e pergunto se serás Anjo…

Por vezes, não consigo ver para além da saudade

Enquanto a torrada se faz...

eu viro-me para dentro à procura de mim.
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A morte enfrenta-nos em cada pedaço de caminho em cada segundo de vida.
Quando confrontados com choques violentos, atropelamentos mortais, carros despedaçados, famílias desfeitas, crianças pelo chão, corpos tapados, ganhamos consciência de como a vida se decide num click.

Nesses momentos imaginamos a alegria das pessoas no percurso efectuado, as conversas tidas, as imagens retidas, o sofrimento dos familiares, os filhos, as mães, tudo.

Numa altura em que nos vendem milagres ao molhos, desde depositar as células num congelador, utilizar o ADN para resolver problemas futuros, conservar o cordão umbilical, não comer gorduras nem sal, fazer exercício físico, beber chás milagrosos, um tinto que faz bem ao coração, dentes de alho para a circulação, um pouquinho de chocolate que ajuda a depressão, rezar pai-nosso e fazer figas no sopé de uma montanha, de tudo nos impingem para garantir a imortalidade.
Mas, nem as redomas de vidro ou os elixires de “Itapuama” nos ajudam.

Temos como hábito entregar…
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O sino tocava pelas 5 da tarde e na rua toda a gente parava

Os homens tiravam o chapéu, algumas mulheres benziam-se. Os homens ainda usavam chapéu.
Não sabia o significado daquilo tudo, mas aquele minuto tinha um silêncio que doía.
Balbuciava-se baixinho e as pessoas apressavam o passo.
Todos se dirigiam para o mesmo local, a igreja paroquial.

Nessa época os dias tinham um cheiro morno que não consigo definir, as árvores cresciam, as plantas esgrimiam argumentos de cores garridas.

O sino tocava acordes vários e cada um tomava o seu lugar, a homilia serena despertava corações em remanso atingindo os mais incautos.
O preto dominava, assim como a longevidade dos presentes.

No largo, pequenos pombos depenicavam restos de presença entre os sobrantes da calçada.

Manuel gostava de Maria que gostava de Manuel, mas não podia.
Maria falava com Manuel deixando espaços em branco entre as palavras.
Manuel olhava com ternura e debitava frases coloridas e Maria corava, arfando por entre dentes.

A vida não acab…