24 novembro, 2007














As folhas vão caindo neste Outono Primaveril.
As noites são cada vez mais longas e eu esmoreço de mim.

Perdi o passo ligeiro e curvo as mãos para dentro.

Em vão, procuro alhear-me, mas as pessoas caminham cansadas, evoluem em câmara lenta, de vez em quando levantam voo.

Eu olho-as e pergunto se serão Anjos…

Quantos buracos negros na alma terão de tapar para conseguir sorrir por dentro?

Porque tanta gente espeta pregos nas orelhas, nos lábios, na língua e no rosto ?

Porque exorcismo reviram as sobrancelhas e não tomam o tempo que o tempo lhes dá ?

Olhava o balão da máquina de café que aos poucos enchia, enquanto o rádio debitava decibéis de insuportável pandemia acústica

A brisa que solta corpos ondulantes e sacode pedaços de ti

Eu olho-te e pergunto se serás Anjo…

Por vezes, não consigo ver para além da saudade

Enquanto a torrada se faz...

eu viro-me para dentro à procura de mim.

1 comentário:

Paula disse...

O eterno conflito. Nós e os outros. E como sair de nós para caminharmos em direcção ao outro que afinal, também sente, chora, ri, mesmo que utilize uma máscara com a qual se sente confortável!?
Que seria do ser humano sem máscaras? (Sem pregos no rosto)
Tudo seria tão mais fácil e o conceito de solidão já não faria sentido!

Abraço