07 novembro, 2007










A morte enfrenta-nos em cada pedaço de caminho em cada segundo de vida.
Quando confrontados com choques violentos, atropelamentos mortais, carros despedaçados, famílias desfeitas, crianças pelo chão, corpos tapados, ganhamos consciência de como a vida se decide num click.

Nesses momentos imaginamos a alegria das pessoas no percurso efectuado, as conversas tidas, as imagens retidas, o sofrimento dos familiares, os filhos, as mães, tudo.

Numa altura em que nos vendem milagres ao molhos, desde depositar as células num congelador, utilizar o ADN para resolver problemas futuros, conservar o cordão umbilical, não comer gorduras nem sal, fazer exercício físico, beber chás milagrosos, um tinto que faz bem ao coração, dentes de alho para a circulação, um pouquinho de chocolate que ajuda a depressão, rezar pai-nosso e fazer figas no sopé de uma montanha, de tudo nos impingem para garantir a imortalidade.
Mas, nem as redomas de vidro ou os elixires de “Itapuama” nos ajudam.

Temos como hábito entregar à Divina Providência a nossa vida e o futuro da nossa gente, mas quando chega a hora, até a Senhora de Fátima discorda dessa irresponsabilidade.
Se pensarmos um pouco, verificamos que, depois de devidamente abençoados com velinhas colocadas no milionário santuário, rezas e orações com terços a circular por entre os dedos, já vai no segundo autocarro que regressa de Fátima e cai numa ravina.

Portanto, o que se sugere é que se viva, com intensidade e alegria, que tratemos bem o próximo, rindo e saltando, beijando e amando, não desperdiçando a oportunidade de dizermos a quem amamos o que sentimos.
Esta vida já de si difícil é mesmo um fiozinho muito ténue.

3 comentários:

tcl disse...

pois tens razão... são estes que cairam na ravina e as 3 mulheres que levaram com um carro em cima a uma hora altamente improvável numa passadeira de peões aqui em Lisboa.

num minuto estão a bocejar ainda com o quente da cama no corpo e no minuto seguinte estão pernas para um lado tronco para o outro, desfeitas no alcatrão.

é por isso que cada minuto da vida deve ser vivido com intensidade.

agora, essa de ir a fátima e ter um desastre a seguir... dá que pensar!

Anónimo disse...

De vez enquando, somos confrontados com a morte...precisamente para não nos esquecermos que estamos vivos!!!!!!
Lu

Paula disse...

Concordo inteiramente com o texto.
O tema da morte nunca é analisado pelas pessoas e quando o é, raramente passa de uma abordagem muito superficial, como se este estado de passagem não existisse.
Cada vez mais, o ser humano se refugia em dogmas, recusando-se a assumir as suas responsabilidades. Os problemas do dia a dia são de tal maneira açambarcadores que queremos é fechar os olhos e fingir que tudo está bem, mas na realidade não está!
A falta de consciência e o não assumir profissionalmente as nossas tarefas, parece ser uma situação em crescimento. As grandes empresas trabalham para o lucro e não para o bem-estar e segurança dos seres humanos. Os acidentes sucedem-se na estrada por problemas mecânicos, por horas de trabalho a mais efectuadas pelos condutores, más condições das estradas e outras tantas razões.

Temos mesmo que aproveitar o nosso tempo para aquilo que é imperativo!
Amar os que nos são próximos. Os filhos, o esposo ou esposa, os amigos!
Hoje somos, amanhã quem sabe?

O meu sincero abraço para si!