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A mostrar mensagens de Dezembro, 2007

Feliz Ano Novo 2008!

"Dentro de alguns dias, um Ano Novo vai chegar a esta estação.

Se não puder ser o maquinista, seja o seu mais divertido passageiro.

Procure um lugar próximo à janela desfrute cada uma das paisagens
que o tempo lhe oferecer, com o prazer de quem realiza a primeira viagem.

Não se assuste com os abismos, nem com as curvas que não deixam
ver os caminhos que estão por vir.

Procure curtir a viagem da vida, observando cada arbusto, cada riacho,
beirais de estrada e tons mutantes de paisagem.

Desdobre o mapa e planeie roteiros.

Preste atenção em cada ponto de parada, e fique atento ao apito da partida.

E quando decidir descer na estação onde a esperança lhe acenou não hesite.
Desembarque nela os seus sonhos...

Desejo que a sua viagem pelos dias do próximo ano 2008, seja de
PRIMEIRA CLASSE."



Muito OBRIGADO
pela força,
pelas visitas,
pela paciência.
e pela Amizade.


JOSÉ PEDRO VIEGAS
Sabias-me de cor pelo cheiro, aroma fresco de ternura
Pela música translúcida dos teus lábios em mim

E sabendo-me partido em pedaços, colavas com beijos, saliva e suor na pele rasgada
…e descobríamos o Mundo,
pintando em aguarelas de cor, almas unidas num só gozo.

olhando-te no teu corpo de mulher
Esboçavas rabiscos teus em mim
Como só nós podíamos inventar, novas cores, novos aromas, novos e renovados desejos.

E quando exaustos fechavam os olhos, ainda éramos nós, pinturas soltas e alegres de amantes pendurados no desejo de aguarelas nuas como Van Gogh.

E ver-te nem que pela ultima vez,
Inebriante desejo de orgasmos infindos, como pétalas que se soltam em lugares recônditos do teu corpo, em cheiros e formas e desejos

E ver-te feliz

Com solfejos de lábios em mim, ardendo num contorno, retorno de doces morangos em pele humedecida pelo toque de frutos silvestres em chocolate feito eu.

E busco e rebusco imagem de ti
Com ganas de te engolir inteira, de um trago, de uma só vez
E desapareceres em mim, c…

Paranoico...

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Detesto Dezembro.
Por mim saltava de Novembro directo a Janeiro.
Largava as compras e os enfeites de Natal mais as montras cravejadas de coisas bonitas e eu cabisbaixo, melancólico e cansado.

Tenho um cisco no olho e uma lágrima. Lá no canto, bem no canto do olho. Aí mesmo. Dá p´ra ver ?... Que coisa… eu nunca tenho lágrima no olho…

E tanta gente nas ruas… mais parece Pequim.
O que anda esta gente toda a fazer ?
Sorriem ? Mas porquê ? Desejam Boas-Festas ? Feliz Natal ? Mas será que as festas são mesmo boas e o Natal tão feliz assim ?

Nestas ruas apinhadas de gente, parece que ando de metro em hora de ponta.
Um chega p´ra lá… um abana aqui… um que empurra ali…. chiça.
Até o tipo lá da frente parece o condutor .
- “ Estação dos Restauradores…” Estação do Rossio…” Estação Paraíso”…

Pois só pode… estação Paraiso, na época de Natal…

Estou estranho. Ando estranho.
Aliás, sou estranho, e estou a ficar mais estranho ainda.

Qual Xanax qual Prozac, qual quê... Estou cheio de paranoias…

Tenho sentido alg…
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É Dezembro.

Caminho apressadamente para mais um aniversário … está quase…

Interrogo-me e olho-me no espelho. Caramba… rugas, entradas, meu Deus… como estás velho.

Sinto-me repartindo, desconstruindo, desmanchando, derretendo.

Espalhado, transformo-me em mil pedaços que dificilmente se juntam todos, ficando alguma peça por encaixar. A da senilidade vem já a seguir…

Olho-me por dentro, em diferentes ângulos e formas e revejo-me em jeitos e trejeitos num caleidoscópio emocional.

Faço “rewind” no meu percurso e saudoso recordo ciclos de vida com ternura.

Abraços que não dei, beijos que ficaram por dar, sentimentos mal transmitidos, olhares cúmplices, toques de amizade e tanto tanto por dizer e outro tanto por fazer.

E é Dezembro.

Estou nostálgico como em todos os Dezembros desta vida.
Não sou propriamente um consumidor das corridas e festejos de Natal, mas a época traz recordações, angustias e amarguras.

Não se pode estar com um pé no passado e o “cu” sentado no presente (já dizia um velho professo…
Era ternura envolta em nuvens de algodão.

Abriu horizontes, perdeu colegas e seduziu outros com a tenacidade feminina que alguns homens teimam em subestimar.

Acabou o verão igual a tantos outros e choveram Invernos uns atrás dos outros.

Passaram vinte anos.

Dobraram-se Cabos Bojadores e Tormentas, mais alguns naufrágios pelo meio.
Nunca se esqueceram.

Davam-se com serenidade, completando-se.
Ela mais afoita ele quietude. Ela mais incisiva ele rodeava.
Tornavam os dias mais redondos e as horas mais suaves.

Não se prendia a quase nada, talvez para não se magoar.
Vestia-se de armadura como cavaleira de quatro em riste, mas sentia-lhe o soluçar interior no olhar.

Hoje tempo passado sinto-lhe a falta das palavras que saíam soltas da boca, por vezes sem intervalos

Éramos como musica. Íamos aprendendo a letra, o ritmo e a melodia. Aos poucos.
Quando se pensava saber tudo de cor, os ritmos surgiam de maneira diferente

O Céu continua fechado por nuvens que não querem desaparecer.

Desconfio que o tempo an…
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Toco a tua boca.

Levemente, suavemente com os dedos sentindo todo o contorno dos lábios, vou desenhando essa boca como se pintasse um quadro em pinceladas suaves.

Levemente, suavemente, repouso o meu nariz no teu e percorro as fragrâncias suaves do teu beijo ao chegar os meus nos teus.

Unimos os lábios, a pessoa, a fragrância colorida que emanas de ti como se tivéssemos a boca cheia de flores perfumadas em movimentos vivos.

E se nos perdermos em aromas lancinantes, perdemo-nos os dois.

Se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogarmos num breve e terrível absorver de fôlego, essa instantânea morte é eloquente e bela.

E toco e retoco a tua boca, com um cerimonial de palavras incertas em momentos incertos de pessoas inseguras

E procuro e encontro e vejo e revejo e repito num interminável Bolero, que partilhamos numa conjugada cumplicidade.

Toco a tua boca como me tocas a mim em lances suaves de toques ritmados numa doce e terna loucura.
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Está sentado num banco de jardim, sozinho, oco.

Completamente oco e sozinho. Apenas uma melodia o acompanha vinda não sei de onde.
Passo por ele diariamente. Observo.

Limpo, cuidado, mas triste, sempre muito triste. Cabisbaixo, animicamente abatido.
Uns olhos azuis que em tempos devem ter sido brilhantes e faiscantes, hoje sem brilho e pouca cor.

Alguém se aproxima... e ele:
- Sai já daqui. Vai morrer longe. Vadio, grande vadio.
... E uns olhos de fome entranhados nos ossos que desaparece.

…De repente, ao fim de alguns meses…
- “Bom dia Dr.
E eu, incrédulo e ao mesmo tempo envergonhado respondo.
- Ah… olá. Bom dia para si também.
- Bem reparo que o Dr. todos os dias olha para mim e até já me tem dito os bons dias, mas pensava que era mais um a ter pena desta velha carcaça. Mas não.
Você olha-me diferente. Olha-me como gente. Com um sorriso e simpatia. E agradeço-lhe por isso. Por me considerar gente. E Vc nem imagina as centenas de pessoas que aqui passam e nem olham para este velho.Eu conheço-os…

ESTOU UM DESERTO DE IDEIAS…

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Deixo por vezes o meu corpo em suspenso num estendal.
Viro e reviro, passo por mangas e cós, do direito, do avesso, torço, sacudo e deixo a secar.
Resgato-me de mim em ideias que não percorrem meninges cansadas, ou repletas de mil e uma coisas mil.

Refugio-me em masmorras de choros e insegurança, que aperto contra mim e revejo pedaços de alma florida em jardins de Éden.

Sorrio por entre máscaras inexpressivas de dias adormecidos mergulhando no lado do esquecimento…

… e solto-me do estendal.

Inteira carcaça que revolta margens do rio do meu ser.
Fortes tempestades que amainei em cores e aromas de tanta espera… por ti.

Confuso o tempo, confusa a vida e a mente desprovida de razão, ou tão só repleta de certezas e razões fortes de palavra… sentimento.

Por entre névoas de paixão contida, retraída e nua, rompendo por breve instante o silêncio de sonhos em contramão.

Sinto a voz cansada e seca e o peito ardente por quebrar cercos e muros e cérebros agrilhoados.

E encosto-me no parapeito do abismo, e…
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Sou mesmo “despassarado” ou “deslembrado” ou esquecido ou “cabeça no ar” ou mais concretamente distraído.
Sou assim uma dessas coisas, porque nunca recordo datas e por vezes não encontro a cara no nome nem o nome da cara de um sujeito qualquer.
A idade não perdoa e os neurónios já não são o que eram, se é que alguma vez foram alguma coisa de jeito.
Eu coloco lembretes no telemóvel, na agenda, no portátil, mas falha sempre alguma coisa.

Mas jamais esquecerei a Lua que vi hoje.
Linda, sedutora, sonhadora, deslumbrante.
Uma lua cheia vigorosa, resplandescente.

E aí lembrei-me do arco-íris e dos caminhos que percorremos nesta vida.
Lembram-se do “Feiticeiro de Oz”? Pois foi nessa imagem que me fixei.

O raio do caminho que escolhemos ou que deixamos que nos escolha.
Caminhos onde nos perdemos, ruas que nos levam a lugar nenhum e uns abelhudos de uns tipos que nos tapam o Sol e fazem andar às escuras.

Já vivi caminhos e veredas e estradas largas e azinhagas escuras e realmente existem espaços, cami…