20 dezembro, 2007










É Dezembro.

Caminho apressadamente para mais um aniversário … está quase…

Interrogo-me e olho-me no espelho. Caramba… rugas, entradas, meu Deus… como estás velho.

Sinto-me repartindo, desconstruindo, desmanchando, derretendo.

Espalhado, transformo-me em mil pedaços que dificilmente se juntam todos, ficando alguma peça por encaixar. A da senilidade vem já a seguir…

Olho-me por dentro, em diferentes ângulos e formas e revejo-me em jeitos e trejeitos num caleidoscópio emocional.

Faço “rewind” no meu percurso e saudoso recordo ciclos de vida com ternura.

Abraços que não dei, beijos que ficaram por dar, sentimentos mal transmitidos, olhares cúmplices, toques de amizade e tanto tanto por dizer e outro tanto por fazer.

E é Dezembro.

Estou nostálgico como em todos os Dezembros desta vida.
Não sou propriamente um consumidor das corridas e festejos de Natal, mas a época traz recordações, angustias e amarguras.

Não se pode estar com um pé no passado e o “cu” sentado no presente (já dizia um velho professor).

E é Dezembro.

Sei disso e de outras coisas.
Sei de sonhos e fantasias, de realidades pesadelos e sensações. Sei de ansiedades, pânicos e comportamentos.

Sei das horas e do tempo e estradas mais avenidas desertas em madrugadas sem fim.

E sei do sabor da maçã, o doce da tua pele e pouco de mim sei.

E sei do inverno do vento em que choro, de sinapses, acordes, terapias e memórias com pensamentos oblíquos, quadrados e rectos, e algumas razões.

Estou perto de mais um aniversário natalício e é de novo Dezembro.

E transformo-me em malabarista, ilusionista, vendedor de banha-da-cobra, para me esconder de mim.

Abanei o mês, atirei com o dia ao chão, pontapeei as horas e matei os minutos a fazer palavras cruzadas sem encontrar significados.

Até um dia… quem sabe…!

4 comentários:

Paula disse...

Tudo permanece em movimento e em constante transformação. Assim nada mais natural que uma ruga que aparece, um cabelo branco que surge teimosamente. Mas é tão bom sorrir! Porque envelhecer também é paz, é harmonia, é confiança. É vermos tudo e todos com mais humanidade, sem egoísmos.
A nostalgia aparece e ainda bem. A vida também é recordar, sonhar!
As pessoas não têm idade. Têm posturas! Já o disse vezes sem conta.
Há jovens de vinte anos que têm mentalidades fechadas, envelhecidas, gastas e passam o tempo a imitar supostas “modas”, sem se afirmarem no que têm em si de mais criativo.
Há pessoas de setenta que riem da “desgraça” e dos “contratempos” da sua própria existência. Desafiam o tempo e a morte rindo na sua própria cara. Os seus corações estão abertos aos outros fazendo disso um imperativo!

Abraço de Natal

lamia disse...

Nostalgias do que (não) se viveu e do que falta, ainda, concluir.

Um beijo (não natalício, porque não gosto do Natal).

Teresa disse...

Passei para deixar um beijinho e desejar um Natal cheínho de momentos doces

PATIVIEGAS disse...

''rugas, entradas, meu Deus… como estás velho.''
Velho nada,velhos são os trapos como dizia a minha avozinha,charmoso isso sim!!! experiente...também nunca velhos.
Que nunca te sintas triste no teu aniversário pois só o vives uma vez por ano,por isso vive-o intensamente até ao ultimo,e sempre com a alegria do primeiro. um ano muito feliz cheinho de alegrias.
bjinhos gigantes