06 dezembro, 2007

ESTOU UM DESERTO DE IDEIAS…















Deixo por vezes o meu corpo em suspenso num estendal.
Viro e reviro, passo por mangas e cós, do direito, do avesso, torço, sacudo e deixo a secar.
Resgato-me de mim em ideias que não percorrem meninges cansadas, ou repletas de mil e uma coisas mil.

Refugio-me em masmorras de choros e insegurança, que aperto contra mim e revejo pedaços de alma florida em jardins de Éden.

Sorrio por entre máscaras inexpressivas de dias adormecidos mergulhando no lado do esquecimento…

… e solto-me do estendal.

Inteira carcaça que revolta margens do rio do meu ser.
Fortes tempestades que amainei em cores e aromas de tanta espera… por ti.

Confuso o tempo, confusa a vida e a mente desprovida de razão, ou tão só repleta de certezas e razões fortes de palavra… sentimento.

Por entre névoas de paixão contida, retraída e nua, rompendo por breve instante o silêncio de sonhos em contramão.

Sinto a voz cansada e seca e o peito ardente por quebrar cercos e muros e cérebros agrilhoados.

E encosto-me no parapeito do abismo, esperando escorregar pela noite.
Corpo de braços e pernas e tronco e mãos que se atam e desatam e não sabem como fazer nem parar ou soltar e esvoaçam num túnel de vento, ganhando asas e ressurgindo como Anjo em manto branco de paz e silêncio e harmonia.

E olho o vosso rosto e vejo-vos cansados e gastos.
Rostos que arrastam os seus donos como alguns corpos… almas.

1 comentário:

Paula disse...

Quantos de nós não permanecem com o corpo em suspenso
Suspensos da vida
Assombrados por actos do homem
Que nos fazem questionar
Que tipo de animal somos!?
Se o mundo é uma inconstante
Algo de volátil
É compreensivo que nos refugiemos
Em inseguranças, em dúvidas
Numa inquietação atroz
Os sorrisos são amuletos da sorte
O remar contra a maré
Mais forte que nós
Temos que aprender a nadar
A favor da corrente!
Os sonhos?
É bom sabermos distingui-los!
Como projectos realizemo-los
Como fantasias são armadilhas
São apenas sonhos em contra mão!
A qualquer instante a tragédia espreita!
Também tenho dias que me sinto
A absorver o sofrimento das pessoas
Leio nos seus rostos
Nas entrelinhas de um discurso
E consciencializo-me que a vida é um conjunto de testes
Cada um deles com um grau de dificuldade maior
À medida que aumentam as vivências
Mas alguns de nós saem mais fortalecidos
E a palavra coragem!
Faz todo o sentido!

Abraço