03 dezembro, 2007














Sou mesmo “despassarado” ou “deslembrado” ou esquecido ou “cabeça no ar” ou mais concretamente distraído.
Sou assim uma dessas coisas, porque nunca recordo datas e por vezes não encontro a cara no nome nem o nome da cara de um sujeito qualquer.
A idade não perdoa e os neurónios já não são o que eram, se é que alguma vez foram alguma coisa de jeito.
Eu coloco lembretes no telemóvel, na agenda, no portátil, mas falha sempre alguma coisa.

Mas jamais esquecerei a Lua que vi hoje.
Linda, sedutora, sonhadora, deslumbrante.
Uma lua cheia vigorosa, resplandescente.

E aí lembrei-me do arco-íris e dos caminhos que percorremos nesta vida.
Lembram-se do “Feiticeiro de Oz”? Pois foi nessa imagem que me fixei.

O raio do caminho que escolhemos ou que deixamos que nos escolha.
Caminhos onde nos perdemos, ruas que nos levam a lugar nenhum e uns abelhudos de uns tipos que nos tapam o Sol e fazem andar às escuras.

Já vivi caminhos e veredas e estradas largas e azinhagas escuras e realmente existem espaços, caminhos e percursos sinuosos.

Escolher caminhos nesta vida é como tirar uma pedra do sapato, quanto mais dói mais nos apetece que fique, numa auto-flagelação que assusta.

Um amigo, começou em noites de nuvens, com luas em quarto-minguante e estrelas brilhantes. Apanhou as estrelas e meteu-as num frasco de cristal.
Levava o coração apertadinho numa mão e as estrelas na outra. Fatinho aprumado, cabelo três-quartos e sapatos que reluziam num festival de espelhos.

Até meio caminho percorrido nesta estrada da vida, tudo decorreu da melhor forma, mas depois de tanto dar e pouco receber numa partilha de oferendas ficou num céu sem sol e estrelas perdidas em saco roto.

Outro, pegaram-lhe na mão e arrebatadoramente disseram: - “Vamos?”
E ele… nada. Nem reagiu de tão estupefacto por tamanha prova de amor sem rede.
O “vamos” tilintou na cabeça durante alguns minutos, um calor inquietante, fruto da mão quente que lhe acariciava a pele.

Aceitou o desafio e trocou-o por beijos e sorrisos e gargalhadas de coisas sem nexo como corpos que se encaixam na perfeição e se puxam um ao outro inexplicavelmente.
Teres aquela mão que se move na tua e enlaça e entrelaça e que te puxa, levando não sabes para onde, ainda que o saibas perfeitamente…
...É assustador... E perfeito.

Para outros o vento da vida já não traz nada de volta. Estão sós e continuam, como num barco pequeno atolado de coisas mil e insanas loucuras.
E deixam no espelho em que se olham sorrisos para recordarem, como se o arco-íris qual estrada, caísse junto à janela, com folículos cintilantes de luz…

1 comentário:

Anónimo disse...

Prometi e cumpri ...gosto de ler o que escreves, parabéns. Vou ser assidua ;)

Bj grd