Durante imenso tempo interiorizamos a personagem.
Misturando papéis, fazendo perigar o fulgor da actuação, da minha, da tua, outro qualquer, neste palco imenso que é a vida numa mistura de sentimentos contraditórios.

Invariavelmente questionamos o papel que desempenhamos.
Os lugares que ocupamos, as nossas vivências, quem nos rodeia, como e porquê, a importância das coisas e nas coisas, a hierarquização dos espaços e dos tempos.

Neste palco que habitamos e que pisamos numa busca interminável de nós, com máscara ou sem, sem farsa, ou com, ao bom nível das encenações burlescas e rebuscadas, no qual cada um interpreta à sua maneira emprestando o seu cunho pessoal numa peça de teatro mal ensaiada, com toque Shakesperiano.

Mas quantos de nós (se não todos...) vivemos dois ou mais cenários, papéis e personagens, como se em nós coabitassem dois seres diferentes e distintos.

Temos também, em bom rigor, muitos bobos que nos habitam rodeados por diabinhos que nos ameaçam, envoltos nas figuras tristes que fazemos na expectativa de um imerecido aplauso.

Importante encontrar estações de entrada e estações de saída.
E que o teatro dos sonhos não nos tire a lucidez.

Comentários

Anónimo disse…
Gosto do que escreve e como escreve. Gosto da forma copmo aborda os temas e de como os poetisa.
E gosto sobretudo porque parece adivinhar o que vai cá dentro.
Será adivinho???
Rosa disse…
Eu cá vivo muitos cenários, muitas personagens! Sempre com um denominador comum, claro, mas ainda assim, muitas!
Charlotte disse…
Muitas vezes dou por mim a olhar-me de fora, como se estivesse outra pessoa no meu lugar. Nem sempre somos fiéis ao que realmente somos e sentimos, pois não? Umas vezes, porque somos obrigados a isso; outras porque simplesmente... é mais fácil.

E, já agora, obrigado pelo destaque.
lamia disse…
Tira-nos a lucidez, sim, a partir do momento em que as máscaras se diluem, misturam e se nos colam à pele.
Acontece sempre, mais dia, menos dia.
tcl disse…
todos nós somos de facto actores de nós próprios. raramente nos abrimos completamente e quase sempre interpretamos, mal ou bem, o papel de quem gostaríamos de ser. vestimo-nos com uma roupa que não é a nossa. invariavelmente, há sempre uma manga mais curta ou uma cintura mais larga que nos desmascaram.
Antonia disse…
Todos os bobos que me habitam e os diabinhos que me atazanam, batem palmas pela beleza do que escreves...
obrigada
Abraços
Antonia

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