23 janeiro, 2008





Gosto de estar contigo por inteiro ou aos bocados, sem futuro nem amanhã.
Como se não houvesse amanhã.

Mesmo quando estás enrodilhada em ti…insegura, como um amor Outonal em meia-estação.
Meia vazia, meia de nada.

Gosto de ti. Do sorriso e da voz… A tua voz.
Gosto dos teus impulsos e do ralhar ternurento que invocas para minha satisfação.
Birrinhas de gajo, dizes tu...

As tuas palavras eram os meus Anjos-da-Guarda.
Palavras que dizias sem prazo de validade.
Palavras que me percorriam a pele e atravessavam ouvidos e boca, e se fixavam num verdadeiro balançar, entre línguas mordidas no aconchego de um sonho.
Palavras que arrastavam o meu corpo, sentindo-lhe o pulso, antes que morra o meu coração nesse espaço de artérias entupidas.

Deste amor em que me sinto como violino de notas graves, sustidas.
Notas suspensas na loucura de um mais Ré, Fá-Lá-Si-Dó. Um Adágio em ritmo de Allegro, e tu… mesmo enrodilhada em ti, insegura, impulsiva, vendo a vida como sem amanhã, como violino que grita para lá da razão.

Vivemos muito para lá do tempo, na incerteza de um sentimento estranho que parece procurar sustento, quebrando regras de ritmo e musicalidade.

Gosto de estar contigo, por inteiro, aos bocados ou mesmo fatiada como se não houvesse amanhã.

3 comentários:

olhos grandes disse...

Parabéns Pedro. Gostei muito deste texto.

av disse...

Bom texto. Parabéns.
Gostei da palavra "fatiada", neste contexto. Todos nós nos sentimos assim às vezes, e é muito bom que gostem de estar connosco, mesmo assim.

lamia disse...

Muitas vezes não há mesmo amanhã.
Outras, jamais deveria ter existido o ontem.
A vida é sempre aqui e agora... inteira ou aos bocados.