19 janeiro, 2008















Maria Fernanda ou Fernanda Maria, depende dos gestos e do dia.
Moça casadoira, inquieta nas meninges mas esquálida no rosto.
Vive a um ritmo de árvore de fruto... amadurece.

Não se lhe conhecem namoros, pretendentes ou amizades.
Vive para si e para o telemóvel verde, de luzes gritantes, amarelas como néons atmosféricos.

Maria, a Fernanda, galopa a ritmos próprios em dorso que desconhece, noites húmidas por si conquistadas.

Repara passadeiras de passagem envoltas em mistérios insondáveis no seu corpo e arrasta por si e per si, mãos que dedilham músicas eruditas na cintura adelgaçante que Deus-Nosso-Senhor lhe deu.

Fernanda, Maria, escreve e reescreve para um caderninho Moleskin em letra de tinta preta como o luto que a envolve dia a dia, enquanto à noite se solta e arrepia em estrofes Pessoanas.

Maria Fernanda tem o coração gelado mas perna quente, como gazela desenfreada em capim africano.

Maria a Fernanda, Fernanda Maria, traz cabelo repuxado, deixando branca a tez, de negra a vida e colorida a imaginação por si povoada em danças ritmadas com doces toques de magia, sedas que lhe banham a pele em corpo escondido por debaixo de lençóis frenéticos como motores de fórmula-um.

Maria suspira enquanto solta, mansa voz de nevoeiro, traduzindo relances de poesia escrita em acordes madrigais.

Quando a madrugada se solta e o mocho pia as horas, já Maria Fernanda atalha ruelas para servir em casa senhorial, qual palácio habitado por si em sonhos debruados a ouro.

Outro dia passa, e meses e anos e Maria Fernanda, Fernanda Maria, sem namorado nem pretendente, banha de águas doces o sonho, por entre risadas de orvalho em gotas de segredos, os dedos de bruxinha apontando no perfeito momento…
… o momento perfeito .

2 comentários:

Anónimo disse...

Maravilhosa prosa poética....

Acordomar disse...

Muito lindo este texto desta tua "maria" ;)
Tem um b f de semana;)
Bjs*