31 janeiro, 2008

No cais da tua vida


















Amavam-se.
Mas como duas tempestades colidiam frequentemente…

Raramente encontravam o paraíso na relação.
Enxofravam-se -dizia ela .
narcoteavam-se - dizia ele.

Contudo, não se deixavam nem por um segundo.
Cada um precisava do seu opositor.

Por simples competição?

Por necessidade de arrumar os diabinhos interiores?

Por que é bom?

Porque no mau se entendem?

Mas amam-se.
Lutam e desesperam um pelo outro.

Quando se entreolham a hipertrofia dos músculos reflecte-se.
Viviam como no cais da vida. Ancorados e no limiar do afogamento.

Mas…uma terrível doença degenerativa apoderou-se dele.

Enlouquecido, vivia espraiando-se em insegurança, rasgando pedaços da vida que lhe restava.

Foi-se consumindo em minutos, em instantes fugazes, devorado infantilmente por um pedaço de qualquer coisa.

Viveram o resto do tempo quase sem mastigar, aprendendo a saborear os momentos e mau grado a vontade... o tempo parou.

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