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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2008
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Nós os outros, os restantes, os demais,
pobres criaturas adormecidas pela vida
Deambulamos na textura aquosa e impura da cidade
Enquanto o negro sobre ela se abate

Nós, os impuros, os outros,
aqueloutros, os tais
abrigamos o frio em jornais remexidos
Como luta diária em caixotes repelentes
Aninhados no vazio dos cantos
que a pedra cala

Nós, famintos,
gente sem nome nem destino,
Ausentes permanentes, andarilhos de um tempo intemporal
Recolhidos com redes nefastas de peixe miúdo

Nós que também sonhamos
com a intempérie de papeis gastos
Numa metáfora de dias vazios e a essência desconexa de dias plenos
Que não vivemos
Por muros que se erguem em redor

Assim, caminhamos no esquecimento.
O nosso, o teu, o dos outros
Por entre túneis, avenidas esventradas
entre a luz baça da cidade

Belle Époque

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Já não recordo muita coisa.
Umas porque apago da memória num "delete" permanente, outras porque já não atinjo tempos distantes.
Mas sei que nessa época havia um cão boxer que habitava também o nosso espaço.
Deambulava entre mesas e pernas e recostava-se contra as costas da tua mão para lhe afagares o pelo.

Agora, pela ribeira onde vivemos e rimos, deambulam pela noite 2 a 3 brasileiras, daquelas de trazer debaixo do braço, desmontáveis, pequeninas e desarticuladas.
A noite está perigosa, mas os dias não estão fáceis também. Permaneço intacto mas a penumbra que me abriga solta gritos de revolta.

Recordo que nunca te vi envelhecer, não envelhecias.
Não te via rugas no pescoço. Apenas um dente que espreitava fora dos outros, pequeno, ligeiramente, o que até dava um ar maroto.
O teu ar maroto.

E no entanto resistias a mim, a tudo o que vinha de mim. O teu corpo endurecia ao meu toque, enquanto o sol apimentava a pele .
Vivi tempos infindos por essa ribeira distante, mares de preocupações.
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Desato os nós dentro de mim, como se fosse desatando as dores, uma a uma.
Vou arrancando os fios, descortinando os sonhos, repaginando os dias com sede de sobrevivência, ciclos que não fecharam e outros fechados pelos fios... os fios tecidos na tensão dos dias e das esperas.

A noite chega apressada, e eu, escrevo num papel brilhante, escritos de duvidas, em risos que não dei, lágrimas perdidas em beijos adoçicados de linguas transversas.

Teu coração conhece os detalhes do meu corpo e quando em contra-luz te conduzo pelas minhas mãos, abro caminhos que anseias conhecer e lanças um verbo latente que me arrepia a pele, e um olhar doce que me chega de mansinho como uma onda gigante... silencioso e devastador.

Sinto-te ancorada no meu corpo, com sete vidas, sete toques, sete cores, de sete beijos em sete aconchegos matinais, como navegador numa Nau de Descobertas.

Enfeitiças como poção mágica, num olhar inebriante e um sorriso que me aquece.
Já te senti em partidas, caravela do meu vento, fios d…
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Chove muito, e faz frio cá deste lado.
E vejo-me em revoltas para obedecer a um coração que tem as cores completas em agonia.

Não há palavra que salve a imagem que fica do abraço bom na estação da partida, nem alma que supere o espancamento de letra e maldições dos versos que largaste, da luz que me deixou e do último abraço que me adornou.

Já não trocamos bilhete no embarque, nem revistas na viagem, nem bocas que queriam o meio-dia-em-ponto.

Somos inocentes quando amamos.
E também quando traímos a memória, o desejo e a vontade de saltar a fogueira que nos arde as entranhas.

Pede-me para dançar, e rodopia comigo num copo de caipirinha gelada, enquanto o coração procura o alívio de dias azuis escurecidos.

Ainda tenho o fôlego dos mortos vivos.
Da idade que não abranda numa curva mal calculada na auto-estrada da vida, e do gesto que diz que amo e amo todas as palavras ditas e reditas e enroladas em mantas que me cobrem do frio enquanto te sonho quimera.

Pede-me para dançar e liberta-me desta pr…
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Namoram faz anos. Nunca se casaram.
Foram-se juntando às horas, aos dias e vivem juntos desde então.
A relação nunca foi fácil. Desencontros, discussões, diferenças, mas amor tórrido romanceado em ternuras a dobrar.
Brincam no amor e com amor.
Ele chama. Ela ronrona, faz-se amuada, esconde as garras e encolhe-se.
Ele, chega com seus encantos e ela mexe-lhe nos cabelos, passa a língua nos seus braços, entrelaça-se nas pernas, mia como uma gata manhosa e depois enfia as unhas nas suas costas, só para que ele não esqueça quem manda ali.
Ele atiça com sensualidade nas palavras doces e ela toca-lhe lá, onde a poesia deixa marca e em cujo palco encena sussurros e beijos.
Ela dançava-lhe no gosto, e ele tímido, escondia o olhar. Desenham rebeldias na pele que tecem a dois, enquanto se alimentam de húmidas voragens, como entre um sim e um não, um agora ou depois.
Quando as palavras se gastam e o tempo parece infinito, Maria sonha tatuar-se nele.
Ele, por ela, sonharia subir telhados, contemplar luas e…
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Vivo fragmentado em estilhaços de imagens sem sentido,umas que vão, outras que chegam, aquelas que nunca me abandonam e aqueloutras que raios-partam quero que desapareçam.

Há 4 noites que durmo mal. Dormir por si só, durmo, mas brinco na penumbra do sonho com palavras, imagens, ruídos e rostos indecifráveis.

O horizonte ondulou-se de brisa como um Cristal de Sal.
Chego a olhar através dele mas não vislumbro o fio que teimosamente quero observar.

Procurei seguir a luz do farol como barco perdido, cheiro a sal, impureza da cor ígnea das paixões.

Vou e volto já. Espero chegar rápido, como quero seja rápido encontrar-me nestes escombros em que fiquei.
Liberto-me de ideias, sonhos, quimeras, paixões, desenhos, figuras, socos no estômago, doces na alma e beijos no coração.

Preciso de braços que me aconcheguem.
Que me apertem, que me enrolem, que me enlacem, onde me sinta quente e protegido, como no ventre de uma Mãe.
E num instante, eu próprio solto longos braços de penas que me transportam por esp…

Palavras Minhas

Correspondendo ao convite dirigido pela Ana Vidal, pede-me esta querida amiga que nomeie 12 palavras de que mais gosto.
Apesar da relativa dificuldade, o entusiasmo é enorme, pois de/e com palavras vivo.
Gosto de brincar com elas, de as mudar de lugar, dar-lhes cor e textura, entusiasmo, alegria e tristeza, entoação, eu sei lá, um sem número de coisas que mexem comigo e comigo vibram.
As razões são de significado, de enquadramento, de as saber colocar e de as sentir.
Muitas mais haverá, mas o desafio das 12 aqui vai…


Pai
Mãe
Filho
Beijo
Água
Sol
Mar
Paixão
Amor
Azul
Luz
pele


Passo o desafio à Teresa, à Rosa, à Maria Av, à Syl, à Charlotte, à Patricia, à Cor do Mar, à Paula, à Teresa Paula Marques, ao Azul, que sei são pessoas de palavra e com palavra.
Obrigado pelo convite e parabéns pela iniciativa, que nada tem de correntes manhosas.

JP